Trilha da Carnaúba: entre as pedras de Chaval

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Atualizado em 20 de julho de 2018

Chaval é a última cidade do Ceará, antes da gente colocar o pé no Piauí. Eu cheguei aqui vindo de Jericoacoara, quando fiz a Rota das Emoções. A estrada, é bem verdade, nos castiga um pouco, mas alguém já disse que são caminhos difíceis que nos levam ao paraíso.

Simples e ainda pouco explorada, Chaval não é, exatamente, o reflexo da Terra Prometida, mas um vilarejo simpático, de gente religiosa e que cresceu rodeada por grandes rochas.

CLIQUE PARA SABER A ORIGEM DO NOME CHAVAL

Não há, exatamente, uma explicação para o nome da cidade. Inicialmente, eu achava que seria algo indígena, mas, pesquisando, descobri muitas versões.

Uma delas diz que Chaval está relacionado ao fato de terem achado um molho de chaves nas margens do rio Timonha. Só que há quem diga que o nome da cidade veio da palavra chavala, que significa fazenda, em francês. A terceira explicação seria o uso figurado da palavra cavalar, empregada para descrever as enormes pedras encontradas nesta região.

Se você estava pensando em, simplesmente, passar por aqui, eu insisto que pare e faça a Trilha da Carnaúba. A carnaúba é uma palmeira muito comum nesta região, e essa caminhada de nível intermediário nos leva até o topo da pedra mais alta da cidade, com 104 metros, de onde a gente consegue ver longe no horizonte.

Trilha da Carnaúba: entre as pedras de Chaval

As carnaúbas que encontramos no final da trilha.

Trilha da Carnaúba

A trilha fica dentro do Parque das Pedras, uma área que a prefeitura pretende transformar em parque público, mas ainda não conseguiu. No começo, boa parte da caminhada é feita na sombra dos arbustos, mas, aos poucos, a paisagem vai mudando e aparecem algumas rochas e os resistentes mandacarus.

Trilha da Carnaúba: entre as pedras de Chaval

A paisagem muda com poucos metros de caminhada.

Só que é quando a gente começa a subir as pedras, que a coisa fica boa: o sol nordestino parece fritar meus miolos e só não me para porque, à medida que me afasto do chão, a paisagem vai ganhando uma beleza bem particular.

Ainda bem que tinha ganhado um chapéu do pessoal da cidade de Barroquinha, porque, nessas horas, qualquer coisa que nos protege ajuda muito – essa é uma dica que você deve anotar.

Trilha da Carnaúba: entre as pedras de Chaval

O pequeno bosque do Parque das Pedras.

A vista lá do alto

A subida nas pedras não é tão simples. Em alguns trechos bem inclinados, os guias orientam a subir usando os quatro apoios – pés e mãos – ou andando em diagonal, tática que a gente aprende rapidinho.

Eu não tinha levado tênis para trilha, então, subi de chinelo mesmo. É que eu tenho facilidade com isso, mas, claro, o ideal é estar com um calçado adequado para evitar escorregar, tropeçar e até ser picado por insetos ou cobras – sim, no mato há cobras.

Trilha da Carnaúba: entre as pedras de Chaval

A cidade cresceu em uma região cheia de pedras.

Trilha da Carnaúba: entre as pedras de Chaval

Faça uma parada em Chaval para conhecer a Trilha da Carnaúba.

Quanto mais subo, mais conheço Chaval. Vejo o mar ao fundo, o desenho do rio, as lagoas artificiais usadas na criação de camarão, as casinhas e, de longe, o altar popular erguido para a Nossa Senhora de Lourdes.

Contam que, voluntariamente, os fiéis foram carregando pedras até formar esse lugar de peregrinação da santa, celebrada todos os dias nas preces do povo. Mas, é entre 17 e 27 de novembro que a devoção se mostra mais forte com a festa a padroeira.

Trilha da Carnaúba: entre as pedras de Chaval

Do alto, a vista só melhora e a gente entende a cidade.

Trilha da Carnaúba: entre as pedras de Chaval

El alguns trechos, a subida é bastante ingrime.

Carne de sol com abacaxi

Depois dessa atividade, eu tenho certeza que a fome vai apertar. Sem se afastar muito do Parque das Pedras, eu indico a churrascaria o Motão. Aqui, Hermes serve uma carne de sol com abacaxi acompanhada de baião de dois que é uma coisa de louco.

E pra aliviar o calor, você pode dar um mergulho na piscina que fica no terreno atrás do restaurante, apreciando as pedras que acabou de subir.

Trilha da Carnaúba: entre as pedras de Chaval

Um banho de piscina depois da trilha. Foto: Mauricio Oliveira

Planeje sua visita a Chaval

Quando ir | Dá para visitar Chaval em qualquer época do ano, porque o clima é sempre quente e seco. A temperatura média é de 27 graus, sendo que novembro é o mês mais quente e junho o mais fresco. Os meses mais chuvosos vão de janeiro a maio, e setembro é, historicamente, o mês com menos chances de chuva. Em novembro, entre os dias 17 e 27, acontece a festa de Nossa Senhora de Lourdes.

Trilha da Carnaúba: entre as pedras de Chaval

O santuário de Lourdes construído pelo povo.

Quanto custa | Quem nos leva para fazer a Trilha da Carnaúba é a Chaval Tour. O passeio custa R$ 25, sem o almoço, e demora cerca de duas horas, dependendo do desempenho de cada pessoa.

Trilha da Carnaúba: entre as pedras de Chaval

Estado da BR-402 no lado cearense.

Trilha da Carnaúba: entre as pedras de Chaval

A mesma rodovia no lado do Piauí.

Como chegar | Quem vem de Jericoacoara deve seguir pela BR-402, passando por Camocim e Barroquinha. A rodovia no lado cearense está bem mal cuidada, então é preciso ter atenção com os buracos. Quem está fazendo a Rota das Emoções partindo dos Lençóis Maranhenses vai encontrar a estrada em melhor condições.

De ônibus, a principal empresa que chega a Chaval é a Expresso Guanabara. A viagem saindo de Fortaleza dura cerca de oito horas e custa entre R$ 61 e 86.

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Minha viagem teve o patrocínio do Sebrae.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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