Parque Estadual de Vila Velha: trilhas pelos incríveis arenitos e lagos

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Atualizado em 26 de fevereiro de 2021

Parque Estadual de Vila Velha

Se estiver planejando uma viagem para Curitiba, eu aconselho a acrescentar alguns dias no roteiro para conhecer outros lugares super especiais do Paraná, como o Parque Estadual de Vila Velha.

O Parque Estadual de Vila Velha fica em Ponta Grossa, a 80 quilômetros de Curitiba. Rodeado pela bela paisagem dos Campos Gerais, ele é famoso pelos arenitos que se formaram nessa região há mais de 300 milhões de anos. Isso quando tudo ainda era gelo e o mundo era completamente diferente do que conhecemos.

Criado em 1953, o Parque ficou por longos anos sem um plano de manejo e qualquer sistema de gestão. Somente em 2001 as regras para quem visita o lugar passaram a ser mais coerentes com tudo o que deve ser protegido.

Parque Estadual de Vila Velha

Quando  visitei Vila Velha pela primeira vez, na década de 1990,  eu pude caminhar sobre os arenitos, atividade que hoje não é permitida por dois motivos.

O primeiro é que o fluxo de turistas sobre as rochas acelerara o processo de erosão, que naturalmente é causado pela chuva e pelo vento. O segundo motivo é que o número de incidentes envolvendo cobras era muito grande, já que há 45 diferentes espécies de serpentes dentro do Parque.

Mas, antes que você se assuste, fique tranquilo porque hoje, com a regulamentação da trilha, o encontro com uma delas é coisa rara.

Parque Estadual de Vila Velha

A LENDA DE VILA VELHA

A lenda contada na região a respeito da origem de Vila Velha diz que essa terra foi  escolhida pelos indígenas para esconder um tesouro,  por eles chamados de itainhareru. Escolhidos a dedo para proteger essa riqueza, os homens que viviam nessa área podiam desfrutar de toda a beleza e vida do lugar, mas jamais deveriam se apaixonar por uma mulher, já que havia o temor de que elas pudessem revelar os segredos guardados com tanto cuidado.

A fábula prossegue contando a história de Dhui, que mesmo tendo uma forte queda pelas índias foi escolhido para comandar a guarda do tesouro. Sabendo da fraqueza do guerreiro, a tribo rival decidiu enviar uma bela índia para roubar-lhe o tesouro. O que os caciques jamais poderiam imaginar é que ambos se apaixonariam depois de compartilharem o mesmo licor de butiás, que faria o guerreiro sucumbir aos encantos de Aracê.

Indignado com o fracasso de seu plano, Tupã teria, então, desencadeando um poderoso terremoto que abalou toda a região fazendo com que os arenitos aparecessem, que o tesouro se tornasse em líquido  – o que hoje é a Lagoa Dourada – e que os dois amantes fossem petrificados, juntamente com a taça que continha o licor. Depois dessa desgraça, o lugar passou a ser chamado de Itacueretaba, que na língua indígena significa cidade extinta de pedras.

Parque Estadual de Vila Velha

Em uma área de mais de 3.000 hectares protegidos, vivem ainda lobos guarás – ameaçados de extinção -, jaguatiricas, veados e muitos outros animais. A vegetação é um misto de estepe – plantas rasteiras – e a fabulosa mata de araucária, árvore símbolo do Paraná.

Nessa paisagem exótica, você pode caminhar entre as imensas formações rochosas, que ultrapassam os 20 metros de altura, apreciar sua frágil estrutura e se divertir com as formas engraçadas de cada uma delas.

Parque Estadual de Vila Velha

A mais famosa é a taça, mas há também a bota, o camelo, a figura do índio e muitas outras dentro do Parque Estadual de Vila Velha.

A trilha dos Arenitos

A primeira parte da trilha, justamente a que percorre os arenitos, dura cerca de 40 minutos. A trilha completa, que passa pelo bosque, dura cerca de 1h30, dependendo do seu ritmo.

Parque Estadual de Vila Velha

As duas opções são bem agradáveis: todo o trajeto é calçado, sem grandes inclinações ou desníveis. Eu fiz a trilha completa e vi pessoas de várias idades – inclusive idosos – percorrendo o caminho sem complicações.

Parque Estadual de Vila Velha

É importante lembrar que o passeio é feito apenas nas áreas delimitadas e supervisionadas pelos guias  do Parque Estadual de Vila Velha. Aqueles que descumprirem as regras estarão sujeitos às penalidades da lei de crimes ambientais.

Os lagos de Vila Velha

Em outra parte do Parque a gente caminha ao lado de lagos que parecem ter feitos a mão. É que as furnas – como são oficialmente chamados os lagos – são, na verdade, rupturas de canais aquáticos subterrâneos que demoraram milhares de anos para serem formadas.

Essas imensas crateras de formatos circulares têm profundidades superiores a 100 metros, sendo que, aproximadamente a metade, está coberta pela água que brota do lençol freático e da própria rocha que drena a água das chuvas.

Parque Estadual de Vila Velha

São ao todo três furnas. Na primeira, foi instalado um elevador que descia 54 metros até o espelho d’água, de forma que os visitantes podiam caminhar sobre uma pequena plataforma, e contemplar essa maravilha da natureza bem de perto.

Infelizmente, o elevador não está mais em operação e nós temos que nos contentar em ver parte do lago do alto, nos desviando da vegetação.

Parque Estadual de Vila Velha

A sorte é que nessa mesma furna há um mirante que tem uma vista até legal da cratera. Mas, claro, nada se compara à possibilidade de descer até lá dentro. Seria incrível!

A segunda está a uma pequena caminhada da primeira furna. As crateras são bastante semelhantes em sua formação, mas esta é ainda maior e tem um formato mais oval.

Parque Estadual de Vila Velha

Seguindo adiante, depois de um pequeno trecho de ônibus, fica o famoso Lago Dourado.

A origem desta grande porção de água é a mesma dos outros lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha, mas no Lago Dourado, o processo de erosão – que levou milhares de anos – fez com que a lâmina d’água ficasse mais próxima da superfície.

Parque Estadual de Vila Velha

No lago vivem algumas espécies de peixes que sobem à correnteza do pequeno riacho que interage com a lagoa.

Apesar de ter o nome de Lago Dourado, os visitantes não podem ver suas águas nessa cor. O fato é que  esse fenômeno só acontece no fim da tarde , quando o sol se posiciona de forma que as águas passam a parecer ouro líquido, mas como as visitas acontecem bem antes disso, somos impedidos de ver essa maravilha.

Parque Estadual de Vila Velha

Como visitar o Parque Estadual de Vila Velha

Como chegar

O Parque Estadual de Vila Velha fica na cidade de Ponta Grossa, a 80 quilômetros de Curitiba. Para chegar aqui você deve seguir pela BR-317, rodovia que está duplicada e sob concessão da iniciativa privada e, portanto, é cobrado pedágio no valor de R$ 10. A entrada para o Parque fica na margem esquerda da pista e há placas identificando o acesso.

De ônibus, partindo de Curitiba, quem faz a viagem é a Princesa dos Campos. Do Terminal de Oficinas, em Ponta Grossa, partem os ônibus da linha Vila Velha que faz o trajeto até o Parque.

Parque Estadual de Vila Velha

Quando ir

Como fica a uma altitude de 917 metros acima do nível do mar, o clima no parque é sempre agravável. Mesmo no verão, quando as temperaturas são mais elevadas, caminhar pela trilha é agradável.

Os meses mais concorridos são dezembro e janeiro, por causa das férias escolares. Em dias de chuva o Parque é fechado para visitantes devido ao risco de raios. O parque funciona das 8h30 às 15h30 e não abre nas terças-feiras.

Quanto custa

O ingresso completo, que dá direito a fazer as duas trilhas, custa R$ 42. Nesse valor estão inclusos o transporte interno e a orientação dos guias do Parque. Idosos, crianças de até seis anos e portadores de necessidades especiais não pagam a entrada. Você pode comprar pela internet.

Parque Estadual de Vila Velha

Onde comer

Dentro do parque há uma lanchonete que vende salgados e lanches rápidos. Ao longo da rodovia também há restaurantes e lanchonetes. Os pratos mais tradicionais dos Campos Gerais, essa região paranaense, têm suas origens na culinária tropeira, holandesa e alemã.

Quem leva

A Special Paraná tem pacotes que incluem o traslado, a entrada no Parque Estadual de Vila Velha e uma visita à comunidade rural menonita Witmarsun, na cidade de Palmeira. A agência faz apenas passeios privativos e é considerada uma das mais tradicionais do Paraná.

Durante todo o tempo você será acompanhado por um guia experiente que lhe dará todas informações necessárias. Esse passeio custa cerca de R$ 350, por pessoa, e para fazer sua reserva basta acessar o site da agência.

Onde ficar em Curitiba

Sem muita enrolação, vou logo dizer que o melhor lugar para ficar em Curitiba é o Centro.

Basta olhar no mapa abaixo para ver que as principais atrações da cidade estão a poucos quilômetros dele – algumas, a poucos metros – e, assim, fica fácil conhecer tudo em pouco tempo e sem gastar muito.

Ficar na região central também é ideal porque, nesta área, estão os melhores hotéis da cidade: os mais procurados, os mais bem avaliados e, claro, aqueles que cobram um preço justo – tem de tudo nesta área.

Os melhores hotéis de Curitiba

SAINT EMILION HOTEL

Vamos começar pelos mais  econômicos? O Saint Emilion Hotel é um hotel bem equipado, com tudo que precisamos para dias tranquilos e de bom sono. Ele fica no Centro, a  melhor região para se hospedar em Curitiba.

Os quartos são amplos, arejados e muito confortáveis. O café da manhã é farto, sempre com muitas opções e, juntando a tudo isso, o atendimento que sempre é especial, o hotel acumula vários pontos positivos.

HOTEL SOL

O Hotel Sol é um hotel pequeno e básico, perfeito para quem quer apenas um lugar para dormir e deixar a bagagem. Ele fica no Centro, pertinho da Rua 24 horas e do Mercado Público.

Os quartos são compactos, limpos e o café da manhã é básico, podendo ou não estar incluso na tarifa – tem que conferir isso antes de fazer a reserva.

LIZON CURITIBA HOTEL

O Lizon Curitiba Hotel é um dos hotéis mais tradicionais da cidade. Atendimento ótimo, limpeza e cuidados com higiene em dia e café da manhã saboroso, com muita variedade pães, bolos e frutas. Os quartos são bem confortáveis, amplos e práticos. Tem um bom custo-benefício.

Onde ficar em Curitiba

O hotel é muito bem localizado e tem tudo perto: farmácia, shopping e dá para ir caminhando até o Mercado Público. Ele também fica pertinho da Estação Ferroviária e da Rodoviária – perfeito para quem vai fazer a viagem de trem até Morretes.

HOTEL ROCKEFELLER

O Hotel Rockefeller fica na mesma área, no Centro, bem perto da Estação Ferroviária e de várias atrações da cidade. Ele é muito procurado por hóspedes que vêm a Curitiba a trabalho e, para nossa sorte, costuma ter diárias mais baratas nos finais de semana.

Onde ficar em Curitiba

Os quartos são extremamente confortáveis, espaçosos e arejados. A decoração de todo o hotel é muito acolhedora e isso faz muita diferença. O café da manhã e o atendimento também são muito elogiados.

PESTANA CURITIBA

O Pestana Curitiba é um dos mais completos do Centro. Com toda responsabilidade que a marca tem, ele oferece conforto e comodidade na medida certa: tem piscina, restaurante com cardápio bom, atendimento organizado e profissional.

Onde ficar em Curitiba

Os quartos são bem amplos – coisa que a gente encontrava mais facilmente em hotéis mais antigos – e super aconchegantes. Outro ponto positivo é que o Pestana Curitiba aceita animais de estimação.

Onde ficar em Curitiba

IBIS STYLES CURITIBA

Para quem gosta da rede, tem um hotel Ibis Styles Curitiba no Centro Cívico que é muito interessante. Ele funciona em um casarão e nada lembra o antigo padrão de hospedagem oferecido pelo grupo. Como sempre digo, Ibis é garantia de que a gente não vai ter surpresas desagradáveis na hospedagem – pelo menos comigo sempre foi assim.

Onde ficar em Curitiba

É um básicão que, às vezes, a gente precisa e não há problema nenhum nisso. Os quartos são compactos, bem resolvidos e – claro – a melhor parte está fora das paredes do hotel: uma cidade linda para a gente explorar. Então, nesse caso, uma boa cama é o suficiente.

INTERCITY CURITIBA CENTRO CÍVICO

Outro hotel que merece sua atenção é o Intercity Curitiba Centro Cívico. Essa rede está revolucionando o modelo de hospedagem no Brasil e tem cada vez mais ganhado o coração dos viajantes que não abrem mão do conforto, da segurança e – claro – querem pagar um preço justo pelo serviço.

Onde ficar em Curitiba

A localização do hotel é muito boa, perto de várias atrações da cidade – ele fica na avenida que divide o Centro Cívico do Centro Histórico. É perto de tudo, mas tem um certo distanciamento que nos dá um respiro muito bem-vindo.

Onde ficar em Curitiba

TRANSAMERICA PRIME BATEL CURITIBA

Para não dizer que eu só dei dicas de hotel no Centro, vou colocar o Transamerica Prime Batel Curitiba que é um dos melhores da cidade – isso não é pouca coisa, né? O Batel é um bairro boêmio de Curitiba, perfeito para quem gosta de curtir a noite e comer bem – os melhores restaurantes da cidade estão nessa região.

Onde ficar em Curitiba

Apesar de ficar um pouco afastado das atrações da cidade – nem é tão longe assim -, ele ganha vários pontos porque tem uma estrutura excelente para quem quer bom atendimento, conforto, segurança e outras mordomias que o dinheiro pode pagar.

HOTEL RADISSON CURITIBA

O Radisson Hotel Curitiba é um dos mais caros de Curitiba, mas é perfeito para quem quer uma hospedagem completa, com um quarto mega aconchegante, privacidade e comodidades mil  – o hotel é um luxo.

Ele fica no Batel, um bairro boêmio de Curitiba, e tem academia, sauna e serviço de massagem – aí você aproveita e relaxa de vez. O restaurante tem pratos ótimos e terminar a noite no bar do hotel é uma boa opção. Com certeza, valerá muito a pena.

Hostel em Curitiba

Se você está precisando economizar uma grana e topa dividir um quarto com outros viajantes, o melhor hostel da cidade é o Motter Home Curitiba.

MOTTER HOME CURITIBA HOTEL

O Motter Home Curitiba Hostel é o preferido dos viajantes econômicos e também de quem prefere a energia de um hostel do que a solidão de um quarto de hotel – agora eu fui dramático, mas quem não é? O hostel tem uma avaliação super positiva em todos os aspectos e, sem dúvida, é uma grande escolha.

A localização também é perfeita: perto do Batel – onde estão os melhores bares da cidade – e das atrações dos Centros Histórico e Cívico. Há transporte público fácil e o pessoal que atende no hostel sempre dá dicas muito boas. É só colar neles que o sucesso vem.

Faixas de Preços

Agora que você viu quais são os melhores hotéis da cidade e onde ficar em Curitiba, eu vou mostrar o mapa com as faixas de preços.

No mapa abaixo estão todas as opções de hospedagem em Curitiba e você pode escolher aquela que se encaixa melhor no seu orçamento.



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RECOMENDAÇÕES DE VIAGEM - COVID-19

Devido à pandemia de Covid-19, novas medidas de saúde e segurança foram adotadas. Elas são importantes para evitar o contágio, protegendo você, quem trabalha diretamente com o turismo e as comunidades locais.

Antes de viajar, verifique a situação do seu destino para não encontrar atrativos fechados e, claro, não colocar a sua vida e a de seus familiares em risco.

Veja algumas medidas adotadas:

  • Álcool gel disponível nos quartos e nas áreas comuns;
  • Uso obrigatório de máscaras nas áreas comuns;
  • Respeito às regras de distanciamento físico;
  • Uso de produtos de limpeza eficazes contra o coronavírus;
  • Café da manhã pode ser servido no quarto.

Veja mais dicas do Paraná

Ficou mais fácil planejar sua viagem? Se tiver alguma dúvida, deixe sua pergunta nos comentários que eu respondo.

Se preferir, pode falar comigo no Instagram: @altiermoulin. Agora, aproveite para ver mais dicas do Paraná.

SOBRE O AUTOR

Sou jornalista, capixaba e apaixonado pelo universo viajante. Sempre gostei de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Quando criança, sonhava em viajar pelo mundo e, já adulto, isso virou um propósito de vida.

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