Os arenitos do Parque Estadual de Vila Velha

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Atualizado em 23 de fevereiro de 2018

Quem visita Curitiba, no Paraná, tem a grande oportunidade de estender a viagem um pouco mais para conhecer o Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa. Rodeado pela bela paisagem dos Campos Gerais, o Parque é famoso pelos arenitos que se formaram nessa região há mais de 300 milhões de anos. Isso quando tudo aqui ainda era gelo e o mundo era distante do que conhecemos.

O Parque Estadual de Vila Velha foi criado em 1953. Ele ficou por longos anos sem um plano de manejo e qualquer sistema de gestão. Somente em 2001 as regras para quem visita o lugar passaram a ser mais coerentes com tudo o que deve ser protegido por aqui.

Para lhe dar um exemplo, quando visitei Vila Velha pela primeira vez, na década de 1990, eu pude caminhar sobre os arenitos, atividade que hoje não é permitida por dois motivos: o fluxo de turistas sobre as rochas acelerara o processo de erosão, que naturalmente é causado pela chuva e pelo vento, e o número de incidentes envolvendo cobras era muito grande, já que aqui há 45 diferentes espécies de serpentes. Mas, antes que você se assuste, fique tranquilo porque hoje, com a regulamentação da trilha, o encontro com uma delas é coisa rara.

Os arenitos do Parque Estadual de Vila Velha

As instruções iniciais dadas pelo guia do Parque Estadual de Vila Velha.

Os arenitos do Parque Estadual de Vila Velha

A trilha pelos arenitos que têm mais de 300 milhões de anos.

Os arenitos do Parque Estadual de Vila Velha

A LENDA DE VILA VELHA

A lenda contada na região a respeito da origem de Vila Velha diz que essa terra foi escolhida pelos indígenas para esconder um tesouro, por eles chamados de itainhareru. Escolhidos a dedo para proteger essa riqueza, os homens que aqui viviam podiam desfrutar de toda a beleza e vida do lugar, mas jamais deveriam se apaixonar por uma mulher, já que havia o temor de que elas poderiam revelar os segredos guardados com tanto cuidado.

A fábula prossegue contando a história de Dhui, que mesmo tendo uma forte queda pelas índias foi escolhido para comandar a guarda do tesouro. Sabendo da fraqueza do guerreiro, a tribo rival decidiu enviar uma bela índia para roubar-lhe o tesouro. O que os caciques jamais poderiam imaginar é que ambos se apaixonariam depois de compartilharem o mesmo licor de butiás, bebida que faria o guerreiro sucumbir aos encantos de Aracê.

Indignado com o fracasso de seu plano, Tupã teria, então, desencadeando um poderoso terremoto que abalou toda a região fazendo com que os arenitos aparecessem, que o tesouro se tornasse em líquido – o que hoje é a Lagoa Dourada – e que os dois amantes fossem petrificados, juntamente com a taça que continha o licor. Depois dessa desgraça, o lugar passou a ser chamado de Itacueretaba, que na língua indígena significa cidade extinta de pedras.

Em uma área de mais de 3.000 hectares protegidos, por aqui vivem ainda lobos guarás – ameaçados de extinção -, jaguatiricas, veados e muitos outros animais. A vegetação é um misto de estepe – plantas rasteiras – e a fabulosa mata de araucária, árvore símbolo do Paraná.

Nessa paisagem exótica, você pode caminhar entre as imensas formações rochosas que ultrapassam os 20 metros de altura, apreciar sua frágil estrutura e se divertir com as formas engraçadas de cada uma delas. A mais famosa é a taça, mas há também a bota, o camelo, a figura do índio e muitas outras.

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A bota.

Os arenitos do Parque Estadual de Vila Velha

A taça, a mais emblemática figura do Parque.

Os arenitos do Parque Estadual de Vila Velha

Eles alcançam mais de 20 metros e suas formas são o resultado da ação do vento e da chuva.

A primeira parte da trilha, justamente a que percorre os arenitos, dura cerca de 40 minutos. A trilha completa, que passa pelo bosque, dura cerca de 1h30, dependendo do seu ritmo. As duas opções são bem agradáveis. Todo o trajeto é calçado, sem grandes inclinações ou desníveis. Eu fiz a trilha completa e vi pessoas de várias idades – inclusive idosos – percorrendo o caminho sem complicações.

É importante lembrar que o passeio é feito apenas nas áreas delimitadas e supervisionadas pelos guias do parque. Aqueles que descumprirem as regras estarão sujeitos às penalidades da lei de crimes ambientais.

Os arenitos do Parque Estadual de Vila Velha

Trecho da trilha pelo bosque.

Os arenitos do Parque Estadual de Vila Velha

Momento de contemplação.

Planeje seu passeio pelo Parque Estadual de Vila Velha

Como chegar | O Parque Estadual de Vila Velha fica na cidade de Ponta Grossa, a 80 quilômetros de Curitiba. Para chegar aqui você deve seguir pela BR-317, rodovia que está duplicada e sob concessão da iniciativa privada e, portanto, é cobrado pedágio no valor de R$ 10. A entrada para o Parque fica na margem esquerda da pista e há placas identificando o acesso.

De ônibus, partindo de Curitiba, quem faz a viagem é a Princesa dos Campos. Do Terminal de Oficinas, em Ponta Grossa, partem os ônibus da linha Vila Velha que faz o trajeto até o Parque.

Os arenitos do Parque Estadual de Vila Velha

A rodovia que leva ao Parque.

Quando ir | Como fica a uma altitude de 917 metros acima do nível do mar, o clima no parque é sempre agravável. Mesmo no verão, quando as temperaturas são mais elevadas, caminhar pela trilha é agradável. Os meses mais concorridos são dezembro e janeiro, por causa das férias escolares. Em dias de chuva o Parque é fechado para visitantes devido ao risco de raios. O parque funciona das 8h30 às 15h30 e não abre nas terças-feiras.

Quanto custa | Brasileiros pagam R$ 10 para visitar os arenitos. O passeio completo, que inclui a trilha nos arenitos, a visita às furnas e à Lagoa Dourada custa R$ 18. Estrangeiros pagam R$ 15 e R$ 25, respectivamente. Nesses valores estão inclusos o transporte interno e a orientação dos guias do Parque. Idosos, crianças de até seis anos e portadores de necessidades especiais não pagam a entrada.

Os arenitos do Parque Estadual de Vila Velha

Os tíquetes dos passeios.

Onde comer | Dentro do parque há uma lanchonete que vende salgados e lanches rápidos. Ao longo da rodovia também há restaurantes e lanchonetes. Os pratos mais tradicionais dos Campos Gerais, essa região paranaense, têm suas origens na culinária tropeira, holandesa e alemã.

Onde ficar | Em Curitiba, os hotéis mais baratos ficam na região do Centro, que diferente de outras partes do Brasil é movimentado de dia e à noite. Aqui, eu fiquei no Curitiba Lizon Hotel, localizado praticamente em frente à estação rodoferroviária, ideal para quem vai fazer deslocamentos de trem, de carro ou de ônibus. O hotel tem estacionamento, um variado café da manhã e o atendimento é agradável.

Daqui para o Largo da Ordem, o centro histórico da capital, você leva cerca de 20 minutos caminhando. Se preferir, basta atravessar a rua para usar o transporte público. O tubo – ponto de ônibus – fica exatamente em frente ao hotel.

Se quiser ficar em uma das áreas mais nobres da cidade, sua opção deve ser o bairro Batel. Confira aqui a lista completa dos melhores hotéis de Curitiba.

Os arenitos do Parque Estadual de Vila Velha

Meu quarto no Curitiba Lizon Hotel.

Quem leva | A Special Paraná tem pacotes que incluem o traslado, a entrada no Parque Estadual de Vila Velha e uma visita à comunidade rural menonita Witmarsun, na cidade de Palmeira. A agência faz apenas passeios privativos e é considerada uma das mais tradicionais do Paraná. Durante todo o tempo você será acompanhado por um guia experiente que lhe dará todas informações necessárias. Esse passeio custa R$ 305, por pessoa, e para fazer sua reserva basta acessar o site da agência.

Minha viagem teve o apoio da Special Paraná.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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