Vivendo um choque cultural na Malásia

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Atualizado em 3 de abril de 2018

A portuguesa Marta Pimenta nasceu há 26 anos e, desde então, as viagens sempre fizeram parte de sua vida. Os acampamentos da adolescência, os fins de semana nas várias cidades europeias, as jornadas de interRail com a mochila nas costas e o esfolar das sapatilhas a percorrer Nova York são retratos comuns em sua memória. Assim, ela coleciona mais de 64 cidades visitadas. Entretanto, recentemente ela partiu para uma jornada muito especial.

Sou professora e amo aquilo que faço. Mas, decidi que estava na hora de riscar um dos itens da minha lista de desejos e arriscar num desafio maior: viver em outro país, em outro continente, absorvendo diferentes culturas, adquirindo novas experiências. Por isso, escolhi a Ásia por ter uma cultura que me fascina imensamente”, conta.

Com as malas cheias da mais difícil seleção de roupas de sua vida e acompanhada de muito sono, Marta embarcou rumo à Malásia. A ideia era cochilar durante o voo, mas a verdade é que ela não pregou o olho. Viu dois filmes com legendas em coreano e leu quase três capítulos do seu novo livro.

Do aeroporto, um trem me levou até Kuala Lumpur. E, de repente, senti meu pescoço dobrar na tentativa de olhar para todos os arranha-céus que quase tocam nas nuvens. A cidade está crescendo a uma velocidade alucinante. Os trabalhadores combatem os 26 graus com água e muitas paradas. Cansados, encostam os capacetes por uns momentos e sentam-se à sombra. Não conseguem prosseguir muito mais, está calor”, descreve nossa viajante ao tentar explicar as primeiras cenas que vê desse novo mundo.

choque cultural na Malásia

Imagem de uma cultura diferente, mas atraente.

choque cultural na Malásia

O descanso dos trabalhadores que fazem a cidade crescer.

Mas aquilo que mais impressionou a professora portuguesa foram, como ela conta, as crianças que constantemente perguntam se queremos uma massagem nos pés, uns relógios “quase originais”, flores de plástico ou mesmo um pedaço de rã.

Essas cenas são muito chocantes. Em menos de 24 horas eu vi dois extremos: crianças no avião envolvidas em mantas fofas e a jogar num aparelho quase tão fino como uma folha de papel e crianças na rua envolvidas em hijaba tentar impressionar turistas com os olhos quase tão cansados como a calçada de Lisboa. Ambos grupos enfrentam as adversidades ou os prazeres de um presente que lhes foi dado, sem hipótese de escolha. Esse era o primeiro impacto que a diferença de culturas me traria por mais que tentasse me preparar para isso. Li acerca das diferenças culturais, assisti a filmes, vi vídeos e reportagens sobre crianças asiáticas. Mas, pelo visto, nada foi suficiente”, lamenta.

Marta tenta ajudar uma menina que se aproxima oferecendo algo, mas quando a pergunta se ela irá à escola na manhã seguinte a menina foge por entre as ruas da cidade.

choque cultural na Malásia

Uma das meninas que habitam as ruas de Kuala Lumpur.

Enquanto procura pela menina de rosto maquiado, Marta tem seu olhar atraído pelas cores das comidas que ressaltam cheiros tão intensos e que a fazem querer experimentar tudo. Por vezes tudo corre bem, mas em outras não.

Até o momento o que mais gostei foi o carneiro e o tão aclamado arroz, o que mais se encontra na Malásia. Ora servido dentro de um abacaxi, ora numa folha de banana. Umas vezes comendo com pausinhos, outras com as mãos, como manda a tradição. Mas sempre acompanhando com o famoso chá de limão. Bem docinho e com gelo ele ajuda a refrescar o corpo nestes dias quentes”, relata.

A especialidade da comida local é, definitivamente, a pimenta. Tudo tem pimenta, desde os legumes, o chá e até o chocolate. Assim, a frase que nossa viajante mai tem dito é no spice, pedindo para não acrescentarem pimenta aos seus pratos.

A verdade é que os comerciantes, por entre o suor que escorre por suas faces, disfarçam um sorriso e franzem a testa como se não compreendessem o motivo de eu não querer pimenta. Mais e mais uma vez, usam e abusam daquelas bolinhas vermelhas que se desfazem no céu da boca e transformam a língua numa bola de fogo. Outras vezes me delicio com os espetinhos das barraquinhas da Rua Jalan Alor. Nestas lojas improvisadas também me encorajo a provar todas as frutas exóticas que vou encontrando: umas roxas com pintas pretas; outras vermelhas com bicos e até amarelas em forma oval e com sabor de chiclete”, conta Marta.

choque cultural na Malásia

O cheiro e as cores da comida agradam, mas a pimenta é demais.

E sabem aquela sensação de estarmos sempre sendo observados? Esqueçam a sensação. Marta conta que na Malásia você será observado a toda a hora.

Enquanto caminho na rua, ando no transporte público ou exploro as lojas, as pessoas me seguem com o olhar de uma forma estranhamente descarada. No início eu ficava sem saber o que fazer, mas agora já me acostumei. Eles não têm qualquer pudor em fazer isso até porque aqui os europeus é que são diferentes. Uns fazem isso como se avistassem um alienígena. Outros como se fossemos um ícone. Uns desaprovam o meu cabelo descoberto ou os meus braços totalmente destapados. Outros acompanham o olhar com um sorriso, como se estimassem a minha presença”, explica.

Essa obsessão provavelmente aconteça por vários motivos. Talvez porque os manequins expostos nas prestigiadas lojas de moda são loiros, porque na publicidade dos telões vemos europeus e ou porque os atores que protagonizam as telenovelas são latinos. Todos fisicamente bem diferente dessa gente que vive por aqui, é o que defente a viajante portuguesa.

Mas não se deixem enganar. Vejo aqui pessoas muito bonitas. Têm outras roupas, outros adereços, mas a beleza é um sinal bem presente que acompanha as pessoas na Malásia, de uma forma única e especial”, destaca.

choque cultural na Malásia

Marta, de azul, fotografa com um grupo de meninas que a observavam.

choque cultural na Malásia

Professoras de uma escola internacional da Malásia recebem Marta.

A professora Marta nos contou como está sendo a sua experiência na Malásia. Saiba como participar contando suas histórias de viagem. Assim, você vira notícia e ainda incentiva muita gente a viajar mais e melhor.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um viajante apaixonado pelas coisas desse mundo. Um jornalista que adora contar boas histórias e compartilhar informações de viagem. Meu propósito de vida é ajudar outras pessoas a conhecerem lugares novos e a viverem experiências inesquecíveis.

3 Comentários

  1. Avatar
    Cecilia Manuela Ribeiro Pimenta on

    A minha filha está a partilhar as suas aventuras e já chegou ao Brasil. As suas histórias estão a conquistar o MUNDO! Parabéns minha querida filha. Tu mereces! Beijinhos

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