Trilha na Serra do Espírito, no Jalapão: a vista mais perfeita do Parque

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Atualizado em 31 de agosto de 2020

Se você quiser ter a melhor vista do Jalapão, a minha dica é apenas uma: faça a trilha na Serra do Espírito Santo, uma das mais emblemáticas formações rochosas dessa região.

Há milênios, quando as águas do oceano se afastaram dessa terra de belezas naturais, algumas montanhas começaram a despontar no horizonte do Jalapão. Com um característico cume achatado, esses montes enfeitam o Deserto Brasileiro.

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O Jalapão é uma região de exuberante beleza natural no interior do Tocantins. Fica na divisa com os estados da Bahia, do Piauí e do Maranhão. Oficialmente estabelecido como Parque Estadual em 2001, nos últimos anos, ele tem ganhado fama entre viajantes. É ideal para quem admira a natureza em seu estado mais bruto e sem muita interferência humana.

Nessa terra que ainda tem muito a nos mostrar, a maneira mais confortável e segura de viajar é a bordo de um veículo 4×4. Durante o período de seca a areia fica fofa demais e, na chuva, alguns trechos da estrada podem estar danificados.

O coração do deserto brasileiro, como também é conhecido, tem 34 mil quilômetros quadrados. Ele abrange terras nos municípios de Mateiros, Novo Acordo, Ponte Alta do Tocantins e São Félix do Tocantins.

O Parque Estadual do Jalapão faz parte de um mosaico de unidades de conservação. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, soma mais de três milhões de hectares, o que faz dele a maior área de proteção do cerrado no país.

Entre as áreas ambientalmente protegidas estão, além do Parque Estadual do Jalapão, a Estação Ecológica Serras Gerais do Tocantins, a Área de Proteção Ambiental (APA) do Jalapão, o Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba, o Monumento Natural dos Cânions e Corredeiras do Rio Sono e a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) da Serra da Catedral.

O Jalapão tem esse nome por causa de uma raiz muito comum nessa região, a jalapa. Como muitas outras plantas do cerrado, ela é usada como um remédio natural.

Embora, atualmente, essas montanhas estejam divididas e ganhem nomes diferentes, estudos indicam que elas eram todas interligadas, formando uma única cadeia montanhosa.

Mas, como o arenito se desintegra com facilidade, com o passar dos anos, a chuva e o vento esculpiram no coração do Brasil a paisagem que hoje apreciamos.

Na Serra do Espírito Santo, temos alguns exemplos bem claros de como esse processo acontece.

Em uma das extremidades da serra está o Morro do Saca-Trapo, que resiste fortemente à ação da natureza. Ainda assim, aos poucos, está perdendo sua característica original.

A gente também vê, entre outros, a Serra do Cinzeiro, da Catedral, os morros da Bigorna, do Gorgulho, da Muriçoca, do Sereno e da Cruz- eu já até contei as histórias do Morro da Cruz.

Subindo a Serra do Espírito Santo

A subida na Serra do Espírito Santo começa bem cedo. Às 3h30, muito antes dos primeiros raios de sol aparecerem, já estou na estrada seguindo até o ponto onde a trilha começa. Cerca de cinquenta minutos depois, o carro para no pé da Serra. É hora de respirar fundo para encarar a trilha.

São 700 metros de caminhada até chegar ao topo da montanha de arenito, a 250 metros de altura.

O terreno é muito desnivelado, há muitas pedras soltas e o cansaço aparece logo no começo.

Quem quiser pode fazer paradas para descanso nos bancos que há pelo caminho. Eu sugiro que você não demore muito, pois o maior barato de subir a Serra do Espírito Santo é ver o sol nascer lá do alto.

Cerca de 40 minutos mais tarde, chego ao mirante e vejo, de longe, a Serra do Cinzeiro. Sentado à beira do abismo. Observo o sol colorir as nuvens e a vegetação do cerrado, enquanto pássaros se animam para os primeiros voos do dia cantando melodias matinais.

Depois de subir a Serra do Espírito Santo, já com o sol alto, a caminhada recomeça. Vou andar três quilômetros até a outra ponta da Serra, onde estão as dunas. No caminho, a areia fofa revela a presença de pequenos mamíferos que deixam suas pegadas como prova da vida que abunda no Parque Estadual.

Chego ao outro mirante para ver mais de perto as erosões que dão origem às dunas do Jalapão. Do alto, é possível ter uma visão exata de como elas se estendem por uma área muito maior do que inicialmente imaginei.

Pouco antes das 8h, começo a descer a Serra do Espírito Santo. O trajeto de volta, ainda que com o benefício da luz do dia, exige cuidado. Eu lhe aconselho a usar um calçado bem confortável e, se possível, colocar duas meias em cada pé, pois a pressão nos dedos pode machucar suas unhas.

Como fazer a trilha na Serra do Espírito Santo

Para fazer a trilha na Serra do Espírito Santo, é preciso estar acompanhado de um guia, que cobra, geralmente, R$ 100, por pessoa. Nesse preço está incluso o traslado da pousada até o pé da Serra.

Eu viajei com a Cerrado Dourado e percebi que o serviço deles é um dos melhores do Jalapão.

O ideal é subir a Serra do Espírito Santo nas primeiras horas do dia para ver o sol nascer lá do alto. Em dias de chuva, o passeio é suspenso.

A Serra do Espírito Santo fica a cerca de 20 quilômetros de Mateiros, cidade a 275 quilômetros de Palmas.

Informações Básicas
Quando ir | O melhor período para conhecer o Jalapão é de maio a outubro, sendo que os meses mais interessantes são de junho a setembro. Veja mais dicas de quando ir ao Jalapão.
Como chegar | O aeroporto de Palmas (PMW)  fica 300 quilômetros de Mateiros, a principal cidade do Jalapão. Aproveite para ver como é viajar pelo Jalapão de carro particular e sem guia.
Onde ficar | Eu fiz Ponte Alta do Tocantins e Mateiros como cidades base, dormindo nelas e percorrendo o Parque durante o dia. Veja onde se hospedar no Jalapão. 
Onde comer | As refeições são feitas nos pontos de parada e, à noite, nas pousadas. A Cerrado Dourado serve água, suco, lanches e frutas em todas as paradas.  

Veja mais sobre o Tocantins

Ficou mais fácil planejar sua viagem ao Jalapão? Se tiver alguma dúvida, deixe sua pergunta nos comentários que eu respondo, e aproveite para ver outras dicas.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um viajante apaixonado pelas coisas desse mundo. Um jornalista que adora contar boas histórias e compartilhar informações de viagem. Meu propósito de vida é ajudar outras pessoas a conhecerem lugares novos e a viverem experiências inesquecíveis.

13 Comentários

  1. Avatar
    Aldenora Nóbrega on

    Estive no Jalapao em julho; foi maravilhoso.
    Fui pela agência Cerrado Dourado.
    Fomos em 8, todos da mesma família,
    Nossos guias, Alamo e Marcelo.
    Recomendo, são ótimos. Fiz a trilha na Serra do Espiro Santo; no início achei que não conseguiria, mas foi tranqüilo, valeu muito a pena, recomendo.

  2. Avatar
    Aldenora Nóbrega on

    Estive no Jalapao em julho; foi maravilhoso.
    Fui pela agência Cerrado Dourado.
    Fomos em 8, todos da mesma família,
    Nossos guias, Alamo e Marcelo.
    Recomendo, são ótimos. Fiz a trilha na Serra do Espiro Santo; no início achei que não conseguiria, mas foi tranqüilo, valeu muito a pena, recomendo.

  3. Avatar

    Olá Altier. Estou muito interessada em fazer essa trilha, só que tenho um pouco de receio de subidas. O caminho é muito íngreme? E como é a trilha: caminhos muito estreitos?
    Se você puder me responder, ficaria muito feliz.

    Obrigada

    • Altier Moulin

      Oi, Andressa.

      A trilha é bem íngreme sim e em algumas partes estreita., sem falar que é feita no escuro, para podermos ver o sol nascer do alto da Serra.
      De qualquer forma, vale muito a pena.
      Escolha um bom guia e vá sem pressa.

      Um abraço.

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