Saiba como é a visita ao Palácio Anchieta

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Atualizado em 2 de janeiro de 2019

Um dos principais passeios turísticos e culturais de Vitória, capital do Espírito Santo, é a visita ao Palácio Anchieta. O imponente prédio já foi igreja e escola. Passou a funcionar como sede oficial do governo do Estado em 1798 e, depois de uma restauração que durou de 2004 a 2009, está aberto aos turistas.

A visita guiada ao Palácio Anchieta é um programa cultural belíssimo e gratuito. Com certeza irá vai lhe render um novo olhar às terras capixabas. Depois de subir as grandes escadarias em frente ao edifício, você precisará contornar a direita. A entrada principal do prédio é somente para o governador do Espírito Santo e outras autoridades.

Visita ao Palácio Anhieta

O Palácio Anchieta é a sede oficial do governo do Estado.

O nome, Anchieta, é em homenagem ao padre José de Anchieta, apóstolo do Brasil. Ele escolheu passar seus últimos anos no Espírito Santo e trabalhou muito na alfabetização dos povos indígenas.

SAIBA MAIS SOBRE A HISTÓRIA DO PALÁCIO ANCHIETA

Em 1550, o padre português Afonso Brás, que fazia parte da Companhia de Jesus, vem para o Brasil. Neste mesmo ano, fundou a primeira obra jesuítica no Espírito Santo. José de Anchieta, padre espanhol, entra para a Companhia em 1551 e chega ao Brasil em 1553.

Antes mesmo de José de Anchieta chegar aqui, com o início da colonização oficial do solo espírito-santense, Afonso Brás deu início à obra da Igreja de São Tiago. Esta obra que viria a ser, mais tarde, o Palácio Anchieta. Esse primeiro prédio, porém, pegou fogo e teve que ser reconstruído. A reforma aconteceu em 1570 e, em 1587, o padre Anchieta concluiu a primeira ala do que viria a ser o Colégio de São Tiago.

Durante muitos anos, o prédio tinha uma ala servindo como colégio jesuítico para indígenas e outra parte, com duas torres, servindo como igreja. Mesmo com muitas atividades, quando a capitania do Espírito Santo ficou sem receber investimentos, o prédio sofreu as consequências. Esse relativo abandono só foi superado em 1860, quando o imperador Dom Pedro II e a imperatriz, Dona Teresa Cristina Maria, vieram fazer uma visita. Com isso, a capitania geral enviou verba para que reformas fossem feitas.

Foi apenas em 1945 que o prédio recebeu o nome oficial de Palácio Anchieta. Em 1983, foi tombado pelo Conselho Estadual de Cultura e, entre 2004 e 2009 passou pela restauração que o deixou como é hoje.

Eu tive a sorte de ter que esperar o horário da visita, que é de meia em meia hora. Digo sorte porque, com os minutos que me sobraram eu pude explorar a exposição que acontecia no hall de eventos, na mesma entrada da visita guiada. A exposição que vi chama-se RB40, e comemora os 40 anos de arte e design do artista capixaba Ronaldo Barbosa. Quando você for, fique de olho na programação, já que esse espaço sempre recebe exposições.

A visita ao Palácio Anchieta

A primeira parada da visita ao Palácio Anchieta é uma sala de audiovisual. Aqui, assistimos a um vídeo sobre a história da construção e do Espírito Santo. Muitas coisas ficam mais claras, como a transformação do prédio, que tinha duas torres e aparência de igreja, para a fachada de hoje, sem torres e com várias janelas.

Saindo da sala audiovisual, passamos, rapidamente, pela galeria de ex-governadores. Como o próprio nome diz, é onde estão exibidas fotos com todos os governadores do Espírito Santo. Aqui, é apontado que, até 1999, no mandato de José Inácio Ferreira, a família do governador, de fato, morava no Palácio. Hoje, as salas são usadas para reuniões e outras solenidades, mas ninguém mais vive  aqui.

Depois disso, a guia nos leva à única área a céu aberto do Palácio Anchieta, um pátio. No centro do pátio existe o que sobrou de um poço, única fonte de água da antiga igreja e da escola. O poço é um dos achados que foram descobertos durante as restaurações. Descobertas menores estão expostas em outra sala, que visitei depois de sair do pátio.

Visita ao Palácio Anchieta

Resquícios do poço no pátio da construção, que era a principal fonte de água.

Os objetos encontrados ficam numa sala especial e estão protegidos por vidros. Aqui, ficam peças de cerâmica e artesanato indígena, principalmente utensílios domésticos. Tudo que eu vi tinha etiquetas explicando exatamente o que eram – ou o que já foram – inclusive brinquedos de biscuit, registrando a presença de crianças no prédio.

Passamos, então, pelo hall principal, aquele que seria a primeira visão do governador ao entrar no prédio, e seguimos para um espaço onde fica mais claro o efeito do tempo: as paredes originais do Palácio Anchieta são todas de pedra e são largas, muito largas. Cada uma delas tinha, pelo menos, quatro metros de largura. A maioria foi coberta por cimento e ganhou um acabamento moderno, porém, em algumas partes do Palácio, é possível ver as pedras originais que sustentam esse edifício, inclusive marcas de onde ficavam grandes janelas.

Visita ao Palácio Anchieta

Artefatos arqueológicos da época.

Visita ao Palácio Anchieta

Uma das paredes originais que foi preservada.

O túmulo do padre Anchieta foi minha próxima e última parada da visita ao Palácio Anchieta. Aqui, pude ver a lápide original, construída em mármore branco e cheia de detalhes. O chão é protegido com um vidro grosso, por onde observamos a formação original da sala.

Mesmo que seja este o túmulo de José de Anchieta, seus restos mortais não estão mais enterrados aqui. Em 1734, eles foram levados para Salvador, na Bahia, sendo que alguns de seus ossos foram enviados para outras missões jesuíticas, como já contamos em: Santuário de Anchieta, o apóstolo do Brasil.

Hoje, apenas uma pequena parte está aqui, na sede do governo do Espírito Santo.

Planeje sua visita ao Palácio Anchieta

Quanto custa | A entrada é gratuita.

Quando ir | A visita ao Palácio Anchieta pode ser feita durante todos os dias da semana, porém, existe uma diferença entre os dias úteis e os fins de semana. De segunda a sexta, das 9h às 17h, você vai conhecer o andar de baixo, a parte que eu conheci. A visita dura aproximadamente 30 minutos. Eu estava sozinha e, por isso, me encaixei no grupo que já estava lá e que tinha algumas crianças, o que fez a visita demorar um pouco mais. Eu tinha a opção de esperar pelo próximo grupo.

Nos sábados e domingos, de 9h às 16h, você vai conhecer a residência, ou seja, o andar superior do Palácio. Você pode visitar os dois ambientes no mesmo dia, mas, para isso, é preciso ir em um fim de semana e ligar para saber em qual horário será feita a visita completa. O número é (27) 36361032.

Como chegar | O Palácio Anchieta fica na Praça João Clímaco, na Cidade Alta, Centro de Vitória. A escadaria Bárbara Monteiro Lindenberg, que dá acesso ao prédio, fica exatamente de frente para a baía da cidade, na direção do porto.

Para chegar aqui, você pode usar os ônibus municipais, que têm paradas bem próximas, ou ir de carro. Se você escolher ir de carro, já aviso, que encontrar um lugar para estacionar por aqui é um pouco difícil. Outra opção é usar o Uber, que funciona perfeitamente bem em toda cidade.

SOBRE O AUTOR

Aline Soares

Estudante de jornalismo e apaixonada por lugares que ainda não conheço, sempre me encantei por culturas e costumes diferentes, e é isso que eu mais quero explorar. Hoje, quando viajo, tento me manter presente, aproveitar o momento e não deixar nada passar.

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