A cidade de Piranhas e a história do cangaço

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Atualizado em 8 de fevereiro de 2018

Piranhas é uma cidade no sertão de Alagoas, já na divisa com o estado de Sergipe. Foi desse pequeno povoado que partiu, em 1938, o grupo de policiais que matou Lampião, Maria Bonita e grande parte do seu temido bando.

Capturados e decapitados, os valentes cangaceiros tiveram suas cabeças expostas na praça da cidade e, depois, em outros 12 lugares. No último deles, o Rio de Janeiro, elas permaneceram até que foram enterradas. A ordem foi uma decisão judicial que atendeu ao pedido da família de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.

A cidade de Piranhas e a história do cangaço

Imagem oficial da degola do bando de Lampião. Foto: Desconhecido.

No município sergipano de Poço Redondo, está a Grota do Angico, onde o Rei do Cangaço foi encontrado e morto. O percurso até lá pode ser feito de carro. Ainda assim, é preciso caminhar por cerca de uma hora até chegar ao ponto exato onde os cangaceiros foram encontrados. A melhor opção, portanto, é pegar o catamarã que sai de Piranhas e faz a Rota do Cangaço, como conta Silvia Oliveira, que escreve o Matraqueando.

A cidade é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e as casas são pintadas a cada dois anos pela prefeitura. Por isso, as cores encantam qualquer um que cruze as ruas dessa pequena cidade banhada pelo Rio São Francisco. E, por falar nele, o Velho Chico também contribui para que Piranhas seja ainda mais atraente e agradável. Uma praia natural com águas transparentes é ladeada pela Orla Altemar Dutra. É aqui o principal ponto de encontro da cidade com píer e bares que animam as noites quentes do sertão.

A cidade de Piranhas e a história do cangaço

A paisagem do Rio São Francisco.

A cidade de Piranhas e a história do cangaço

Praia de rio: um charme a mais da pequena cidade.

O que fazer em Piranhas

Grota do Angico | O local exato onde o grupo de Lampião e Maria Bonita foi praticamente exterminado fica a 12 quilômetros de Piranhas, já no estado de Sergipe. Porém, a melhor rota é partir dessa pequena cidade alagoana e cruzar o Rio São Francisco. Depois, caminhar por 680 metros no meio da caatinga até chegar ao ponto onde se encontra uma placa com os nomes dos homens ali assassinados. Esse trajeto, que ainda hoje é penoso de ser feito nos dias mais quentes, se deve ao fato de que Lampião não acampava em locais de fácil acesso, como as margens dos rios, por exemplo.

Casa do Patrimônio | Para entender sobre o processo de preservação desse patrimônio nacional, visite a casa onde funciona o escritório do Iphan. Aqui, você vai ver maquetes e vídeos que te farão entender um pouco mais da cidade e do seu valor histórico. De segunda a sexta, das 8h às 17h.

A cidade de Piranhas e a história do cangaço

O escritório do Iphan na cidade.

Museu do Sertão | Esse pequeno museu abriga um acervo que reconta a história da cidade e dos corajosos homens que integraram a volante que acabou com as maldades do Rei do Cangaço. Fotos, objetos e periódicos são uma rica fonte de pesquisa. Destine um tempo para conversar com a equipe que trabalha no museu e descubra detalhes dessa história tão marcante. Rua José Martiniano Vasco, antiga estrada ferroviária. De terça a sábado, das 9h às 16h30. Aos domingos, das 9h às 15h30. A entrada é gratuita.

A cidade de Piranhas e a história do cangaço

O Museu do Sertão que reconta a história do cangaço.

Centro de Artesanato Artes e Cultura | Se você quer conhecer os produtos dos artesãos locais, não deixe de dar uma passada no galpão. Aqui eles se reúnem para comercializar seus produtos. Negocie, sempre, e os preços podem variar. Diariamente, de 8h às 18h.

Planeje sua viagem a Piranhas

Quando ir | O clima é seco e quente o ano inteiro. A temperatura média é de 28 graus, mas no verão ela bate facilmente os 40 graus. Portanto, prefira ir na primavera ou no outono, quando o céu está ainda mais lindo.

Como chegar | A cidade está a 290 quilômetros de Maceió e pode ser acessada facilmente pelas rodovias BR-361, BR-423 e AL-220. Partindo de Aracaju, em Sergipe, são 220 quilômetros pela Rota do Sertão, como é chamada a SE-206, que liga o agreste ao sertão sergipano. Todo o trajeto está em ótimo estado de conservação. Ainda assim, os 76 quebra-molas que encontramos pelo caminho podem atrasar um pouco a viagem.

Quem leva | A Nozes Tur tem passeios saindo de Aracaju.

Onde ficar | A cidade tem várias pousadinhas muito agradáveis. Veja esta lista que fiz com as melhores opções de hospedagem.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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