Os incríveis lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha

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Atualizado em 23 de fevereiro de 2018

Quando estiver no Paraná, não deixe de visitar Ponta Grossa. Aqui, você pode ver de perto os incríveis arenitos milenares e os profundos lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha. Eu já contei um pouco da história desse lugar e expliquei como é visitar os arenitos neste post. Agora, eu compartilho contigo como é a visita aos lagos.

As furnas – como são oficialmente chamados esses lagos – são, na verdade, rupturas de canais aquáticos subterrâneos. Elas demoraram milhares de anos para serem formadas até ficarem como hoje podem ser vistas. Essas imensas crateras de formatos circulares têm profundidades superiores a 100 metros, sendo que, aproximadamente a metade, está coberta pela água que brota do lençol freático e da própria rocha que drena a água das chuvas.

A LENDA DE VILA VELHA

A lenda contada na região a respeito da origem de Vila Velha diz que essa terra foi escolhida pelos indígenas para esconder um tesouro, por eles chamados de itainhareru. Escolhidos a dedo para proteger essa riqueza, os homens que aqui viviam podiam desfrutar de toda a beleza e vida do lugar, mas jamais deveriam se apaixonar por uma mulher, já que havia o temor de que elas poderiam revelar os segredos guardados com tanto cuidado.

A fábula prossegue contando a história de Dhui, que mesmo tendo uma forte queda pelas índias, foi escolhido para comandar a guarda do tesouro. Sabendo da fraqueza do guerreiro, a tribo rival decidiu enviar uma bela índia para roubar-lhe o tesouro. O que os caciques jamais poderiam imaginar é que ambos se apaixonariam depois de compartilharem o mesmo licor de butiás, bebida que faria o guerreiro sucumbir aos encantos de Aracê.

Indignado com o fracasso de seu plano, Tupã teria, então, desencadeado um poderoso terremoto que abalou toda a região fazendo com que os arenitos aparecessem, que o tesouro se tornasse em líquido – o que hoje é a Lagoa Dourada – e que os dois amantes fossem petrificados, juntamente com a taça que continha o licor. Depois dessa desgraça, o lugar passou a ser chamado de Itacueretaba, que na língua indígena, significa cidade extinta de pedras.

Os incríveis lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha

A plataforma por onde podiam caminhar os visitantes.

Os incríveis lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha

O elevador que não funciona mais, na primeira furna.

São ao todo três os  lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha. Na primeira delas foi instalado um elevador que descia 54 metros até o espelho d’água, de forma que os visitantes podiam caminhar sobre uma pequena plataforma, e contemplar essa maravilha da natureza bem de perto. Infelizmente, o elevador não está mais em operação e nós temos que nos contentar em ver parte do lago do alto, nos desviando da vegetação.

A sorte é que nessa mesma furna há um mirante que tem uma vista até legal da cratera. Mas, claro, nada se compara à possibilidade de descer até lá dentro. Seria incrível!

O segundo lago está a uma pequena caminhada daqui. As crateras são bastante semelhantes em sua formação, mas esta é ainda maior e tem um formato mais oval. Seguindo adiante, depois de um pequeno trecho de ônibus, paro novamente para ver o famoso Lago Dourado.

Os incríveis lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha

As gotas de água que escorrem do paredão formam arco-íris quando o sol aparece.

Os incríveis lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha

A segunda furna – ou o que dá pra ver dela.

A origem desta grande porção de água é a mesma dos outros lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha, mas aqui o processo de erosão – que levou milhares de anos – fez com que a lâmina d’água ficasse mais próxima da superfície. No lago vivem algumas espécies de peixes que sobem à correnteza do pequeno riacho que interage com a lagoa.

Apesar de ter o nome de Lago Dourado, os visitantes não podem ver suas águas nessa cor. O fato é que esse fenômeno só acontece no fim da tarde, quando o sol se posiciona de forma que as águas passam a parecer ouro líquido, mas como as visitas acontecem bem antes disso, somos impedidos de ver essa maravilha.

Os incríveis lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha

O Lago Dourado que só fica da cor de ouro no fim da tarde.

Os incríveis lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha

Um dos peixes que vivem por aqui.

Planeje sua visita aos lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha

Como chegar | O Parque Estadual de Vila Velha fica na cidade de Ponta Grossa, a 80 quilômetros de Curitiba. Para chegar aqui você deve seguir pela BR-317. A entrada para o Parque fica na margem esquerda da pista e há placas identificando o acesso.

De ônibus, partindo de Curitiba, quem faz a viagem é a Princesa dos Campos. Do Terminal de Oficinas, em Ponta Grossa, partem os ônibus da linha Vila Velha que faz o trajeto até o Parque.

Os  lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha ficam a apenas três quilômetros dos arenitos, mas como o acesso é feito por uma estrada que passa fora do Parque. Não é permitido entrar na área dos lagos sem o acompanhamento de guias e, claro, não é permitido nadar nas furnas.

Quando ir | Como fica a uma altitude de 917 metros acima do nível do mar, o clima por aqui é sempre agravável. Mesmo no verão, quando as temperaturas são mais elevadas, caminhar pela trilha é agradável. Os meses mais concorridos são dezembro e janeiro, por causa das férias escolares. Em dias de chuva, o Parque é fechado para visitantes devido ao risco de raios. O parque funciona das 8h30 às 15h30 e não abre nas terças-feiras.

Os incríveis lagos do Parque Estadual de ­Vila Velha

A guia do Parque dá as primeiras instruções antes da visita.

Quanto custa | Brasileiros pagam R$ 10 para visitar os arenitos. O passeio completo, que inclui a trilha nos arenitos, a visita às furnas e à Lagoa Dourada custa R$ 18. Estrangeiros pagam R$ 15 e R$ 25, respectivamente. Nesses valores estão inclusos o transporte interno e a orientação dos guias do Parque. Idosos, crianças de até seis anos e portadores de necessidades especiais não pagam a entrada.

Para fazer o passeio pelas furnas é preciso seguir até à recepção do Parque para comprar o ingresso. Aqui, você terá que aguardar o ônibus com o guia que lhe conduzirá pelo passeio.

Onde comer | Dentro do Parque há uma lanchonete que vende salgados e lanches rápidos. Ao longo da rodovia também há restaurantes e lanchonetes. Os pratos mais tradicionais dos Campos Gerais, essa região paranaense, têm suas origens na culinária tropeira, holandesa e alemã.

Onde ficar | Em Curitiba, os hotéis mais baratos ficam na região do Centro, que diferente de outras partes do Brasil é movimentado de dia e à noite. Aqui, eu fiquei no Curitiba Lizon Hotel, localizado praticamente em frente à estação rodoferroviária, ideal para quem vai fazer deslocamentos de trem, de carro ou de ônibus. O hotel tem estacionamento, um variado café da manhã e o atendimento é agradável.

Daqui para o Largo da Ordem, o centro histórico da capital, você leva cerca de 20 minutos caminhando. Se preferir, basta atravessar a rua para usar o transporte público. O tubo – ponto de ônibus – fica exatamente em frente ao hotel.

Se quiser ficar em uma das áreas mais nobres da cidade, sua opção deve ser o bairro Batel. Confira aqui a lista completa dos melhores hotéis de Curitiba.

Quem leva | A Special Paraná tem pacotes que incluem o traslado, a entrada no parque e uma visita à comunidade rural menonita Witmarsun, na cidade de Palmeira. A agência faz apenas passeios privativos e é considerada uma das mais tradicionais do Paraná. Durante todo o tempo você será acompanhado por um guia experiente que lhe dará todas as informações necessárias. Esse passeio custa R$ 305, por pessoa, e para fazer sua reserva basta acessar o site da agência.

Minha viagem teve o apoio da Special Paraná.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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