O encantamento das dunas de Itaúnas

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Atualizado em 21 de fevereiro de 2018

Itaúnas tem história. Muito mais do que uma área ambientalmente protegida e reconhecida mundialmente como parte de um dos sítios declarados Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, essa vila de pescadores tem muito a nos contar. Certamente, o fato mais marcante de sua história é o soterramento da antiga vila pelas dunas de Itaúnas.

Essa imensa massa de areia que se movimenta com o balançar do vento avançou sobre as casas e ocupou o espaço que era habitado pelo homem desde o século XVIII. Estudiosos acreditam que isso só foi possível depois do processo de destruição da mata que formava uma barreira natural para o vento. Verdade ou não, a vila desapareceu do mapa e durante muitos anos o único vestígio de sua existência era a cruz da pequena igreja que emergia das dunas de Itaúnas. Hoje, só resta um pedaço de madeira.

Esse mar de areia é a principal – mas não a única – atração desse distrito de Conceição da Barra, cidade capixaba quase na divisa com a Bahia. Na década de 1970, quando as dunas se formaram, chegar aqui era uma tarefa para aventureiro nato. Se hoje é preciso dirigir por cerca de 20 quilômetros de chão até alcançar as dunas de Itaúnas, imagine naquela época.

O tempo passou e Itaúnas cresceu. Para preservar suas caraterísticas, os moradores decidiram que as ruas da vila não serão asfaltadas. “Se for pra vocês andarem em ruas calçadas, vocês não precisam vir pra cá. Assim que é bom que todo mundo fica a vontade”, me explicou a atendente de uma lanchonete.

Aqui, reinam a simplicidade e a tranquilidade, até que julho chegue trazendo consigo o Festival Nacional de Forró de Itaúnas que lota o vilarejo com mais de 40 mil pessoas. Nessa época, tudo fica diferente e os preços dobram. Assim também é na alta estação, entre dezembro e fevereiro. Então, se você quiser ver as dunas de Itaúnas sem muvucas, experimentar praias quase desertas e vivenciar o clima real da vila, fuja dessas épocas.

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As dunas de Itaúnas podem chegar a 30 metros de altura.

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Para vê-las assim, tranquilas e quase desertas, escolha bem quando ir.

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Acesso às praias das dunas de Itaúnas.

Das dunas ao Riacho Doce

A 16 quilômetros da entrada do Parque Estadual de Itaúnas, Riacho Doce é outro atrativo dessa região. Com suas águas escuras e geladas, ele é uma boa opção para se refrescar do calor sem ter que se atrever no agitado mar de Itaúnas. No verão, a movimentação é constante e as barracas que funcionam próximo à foz ficam sempre cheias, tirando um pouco do clima bucólico do lugar.

Para chegar até Riacho Doce, basta seguir as placas. Algumas delas são engraçadas e mostram o estilo descontraído de quem vive por aqui. Depois da Pousada do Celsão, você ainda irá dirigir por mais 300 metros até parar no último estacionamento. Essas barraquinhas construídas por moradores com madeira e palha de coco não são muito confiáveis, mas para estacionar aqui você terá que pagar R$ 5 e se precisar tomar uma ducha, pagará R$ 2.

Ao chegar à praia, assim como eu, pode ser que você pense que errou o caminho, mas basta caminhar cerca de 300 metros para a esquerda que o rio vai aparecer.

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O encontro do Riacho Doce com o mar.

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Praia deserta, mar agitado.

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Banho de rio com um novo amigo.

Planeje sua viagem às dunas de Itaúnas

Como chegar | O aeroporto de Vitória é o mais próximo de Itaúnas. Da capital do Espírito Santo, são 266 quilômetros até o vilarejo, sendo que 20 quilômetros não têm calçamento. A viagem é feita pela BR-101, rodovia que passou, recentemente, a ser administrada pela iniciativa privada. As melhorias são facilmente percebidas e entre elas eu destaco a sinalização impecável, a limpeza das margens e o acostamento recuperado, mas esses benefícios têm preço: há três praças de pedágio no trajeto.

A entrada do Parque fica no centro da cidade e o acesso é livre, sem restrição de horários. As dunas de Itaúnas estão a cerca de um quilômetro do portal do Parque. Riacho Doce fica a 16 quilômetros da entrada.  Para quem vem ou vai para a Bahia, há um atalho chamado pelos locais de Chapadão Baiano. Esse caminho sem calçamento encurta em 50 quilômetros a distancia até a Bahia.

A melhor opção é alugar um carro para que você tenha mais mobilidade e consiga fazer tudo dentro do seu tempo. Eu indico o serviço da Avis, que tem um balcão de atendimento dentro do salão de desembarque do aeroporto. Há empresas que oferecem passeios pela região. Você poderá encontra-las nas lojinhas ao redor da praça.

De ônibus, compre passagem para Conceição da Barra na viação Águia Branca. De lá, siga para Itaúnas com a companhia Mar Aberto.

Quanto custa | Nos restaurantes, os cardápios têm os mesmos preços de Vitória, onde uma moqueca pode custar R$ 90, mas ha opções mais baratas. A dica é fugir dos estabelecimentos feitos para atender turistas. Ande um pouco além das ruas principais e você vai achar onde comer bem pagamento menos.

Nos últimos dez anos, Itaúnas cresceu e as pousadas se multiplicaram. Ainda assim há um grande déficit de hospedagem para os períodos mais movimentados da cidade. As épocas mais cheias são dezembro a fevereiro e em julho. É quando os preços dobram, portanto a dica é fazer uma reserva com antecedência.

Onde ficar |Eu me hospedei na Pousada Zimbauê. Negociando, consegui uma diária de R$ 100, para duas pessoas. O ambiente da Zimbauê é muito agradável com uma decoração rústica, mas de bom gosto. As suítes são simples, equipadas com ar condicionado, ventilador e televisão de tela plana. A pousada está em ótima localização, a cerca de 50 metros da Praça da Igreja.

Quando ir | As dunas de Itaúnas podem ser visitadas durante o ano inteiro. O clima da região é tropical, com chuvas espalhadas ao longo do ano e a temperatura média é de 24 graus. Nos meses de dezembro a fevereiro e durante o Festival Nacional de Forró de Itaúnas, em julho, a cidade se transforma. Os preços dobram e há gente por todo lado.

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Chapadão baiano: atalho para o estado vizinho.

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Uma das três praças de pedágio da BR-101.

 Minha viagem a Itaúnas teve o apoio da Avis e da B4t Assessoria.

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SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

6 Comentários

  1. Maria de Lourdes Martins on

    Olá,

    Assisti sua entrevista no Magazine. Achei super interessante e resolvi visitar seu blog.

    Parabéns e Sucesso!