Monã: um antirrestaurante pra chamar de seu

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Atualizado em 26 de fevereiro de 2018

Eu mencionei a Monã no post: Onde comer na Serra Gaúcha, mas nem por isso a definiria como um restaurante. Os proprietários e idealizadores da Monã, Daniel e Aline, me receberam por um dia e foi apenas isso que eu precisei: um dia para me apaixonar pelo lugar e pela energia que você sente conversando com essas pessoas.

Preciso esclarecer que a Monã é um lugar diferente. É especial, mágico e impossível de definir facilmente. Acho até que seria uma ofensa tentar encaixar esta proposta em um rótulo já pré-estabelecido. Talvez eu consiga fazer você sentir um pouco desse ambiente lendo esse post e vendo as fotos.

Monã: um antirrestaurante pra chamar de seu

A casa principal na Monã.

Eu cheguei aqui na hora do almoço, pronta para aproveitar da paixão que os dois têm pela culinária. O Daniel me recebeu na casa principal, uma enorme construção de três andares, com muitas janelas e bem espaçosa. Aqui, a cozinha é no estilo americana e você pode ver todo o preparo da comida.

Sim, hoje em dia vários restaurantes deixam o processo de preparação exposto ao cliente, mas aqui as coisas são diferentes. Na Monã se segue um conceito chamado de antirrestaurante. Isso não quer dizer que o Daniel e a Aline não gostem de restaurantes, mas sim que seguem uma linha contrária. Eu explico melhor.

Monã: um antirrestaurante pra chamar de seu

Aqui foi preparado o almoço, com ingredientes colhidos na propriedade.

Conceito de antirrestaurante

Quando vamos a um restaurante, somos direcionados a uma mesa específica. Escolhemos refeições pré-determinadas no cardápio, aguardamos o atendimento do garçom – com quem não teremos relacionamento algum -, recebemos a comida que não sabemos de onde veio, comemos e vamos embora para liberar o espaço para uma próxima pessoa.

A ideia por trás deste conceito, que é seguido com sucesso na Monã, é desconstruir um pouco este caminho já traçado. Aqui, eu perguntei onde são servidas as refeições que eles preparam para quem reserva o serviço e a resposta foi um simples: varia. “Pode ser na casa principal, pode ser no pomar, com pés de laranja ao redor, pode ser um pique nique perto do lago ou debaixo das árvores”, me explicou Aline.

Monã: um antirrestaurante pra chamar de seu

O almoço pode ser no pomar.

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É da horta da Monã que vêm os ingredientes da salada.

As coisas fluem de acordo com o dia, com o clima, com o gosto de quem vai desfrutar da comida preparada aqui. Não existe um cardápio, já que a maioria dos ingredientes são colhidos e preparados na Monã, os pratos dependem das estações, ou seja, o cardápio é sazonal.

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Enquanto o Daniel e a Aline preparam a comida, eles conversam com você, conhecem um pouco de quem é aquela pessoa buscando vivenciar o que a Monã tem a oferecer e compartilham um pouco da vida deles também.

Monã: um antirrestaurante pra chamar de seu

Monã: um antirrestaurante pra chamar de seu

A salada que eu comi aqui foi colhida 40 minutos antes da refeição. O milho da polenta também foi plantado e moído nessas terras e a laranja do suco veio do pomar atrás da casa principal. Quase todos os alimentos chegaram até mim pelas mãos deles e, aqueles poucos que não são cultivados aqui, vieram de fornecedores locais.

Quando você termina de almoçar, não é preciso sair rápido pensando que alguém pode querer a mesa. O Daniel incentiva as pessoas a curtirem o dia. A paixão que ele e a Aline têm por essa filosofia de vida, por esse relacionamento com a natureza e com o presente é bem fácil de perceber, é bem transparente.

Por todos esses motivos, o que você tem na Monã não é um almoço, e sim uma experiência gastronômica. Você vivencia o que está a sua frente, conhece a comida e quem a preparou. Saboreia sabendo de onde vieram os ingredientes e, como se não bastasse, faz isso em um cenário digno de filme.

Caminhando pela Monã

Além da experiência gastronômica, é possível de hospedar na Monã. A casa onde eu almocei, que é a principal, recebe até 27 pessoas. Sim, é uma casa enorme, charmosa e muito espaçosa.

No segundo andar você encontra vários quartos, com beliches, camas individuais e de casal. Além disso, no terceiro andar existe um cômodo amplo perfeito para uma festa do pijama. Foi isso que a Aline tinha feito há algumas semanas.

Monã: um antirrestaurante pra chamar de seu

Um dos quartos na Monã. Alguns têm cama de casal.

Você também pode alugar outros dois chalés, e um apartamento acoplado, todos com quartos e cozinha completa.

Como eu disse, quase tudo é produzido aqui. Por isso, é possível visitar o galinheiro, as ovelhas, o pomar e a marcenaria. A organização das casas e ambientes na Monã é em circulo e, ao centro, você tem o lago. Essa ordem não é à toa.

Monã: um antirrestaurante pra chamar de seu

A organização é em círculo, como vivem os índios.

Daniel me explicou que a ideia do círculo é retomar a vivência dos índios, manter a essência de que todos conseguem se ver e se conectam com quem está ao seu redor. Isso também tem relação com a energia que a Monã traz para quem visita o lugar. Tudo se conecta, todo esse contado com a natureza, com o alimento e com o presente gera uma concentração de energia boa, de atmosfera do bem, e isso circula por aqui.

Com toda essa produção, tudo é reutilizado. A madeira que sobra na marcenaria é usada para fazer a cama das ovelhas, a comida que sobra é reutilizada para compostagem e no galinheiro. E assim as coisas fluem ali dentro, neste ambiente autossustentável e mágico.

Monã: um antirrestaurante pra chamar de seu

O Daniel também usa a madeira para fazer belos trabalhos de marcenaria.

O uso da palavra mágico não é à toa também. Cada cenário, cada ideia nos ambientes da Monã me fez sentir como é gostoso passar o dia ali. Existe um cantinho, perto da casa principal, com outra casinha cercada por árvores, onde você encontra uma grande churrasqueira para os dias em que o almoço é servido ali, debaixo das árvores. Você pode observar enquanto o Daniel prepara a comida e vivenciar o processo.

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O almoço também pode ser no fogo de chão ou na churrasqueira.

Como eu já disse em outros posts da Serra Gaúcha, o clima por aqui não afeta a programação. Na Monã, por exemplo, caso esteja chovendo a única coisa que muda é a atmosfera. As refeições ficam mais aconchegantes, o som da chuva complementa a experiência e você pode apreciar um chá – ou chimarrão – enquanto vê a natureza agir.

Depois do meu dia na Monã, eu me senti mais conectada não só com a natureza, mas comigo mesma. Conversar com o Daniel e com a Aline é ver e ouvir de quem aprendeu a vivenciar mais o momento, e isso me fez sair dali admirando o estilo de vida dos dois e querendo um pouco disso para mim.

Como funciona a Monã

Tudo aqui é por base de reserva. Você pode entrar em contato pelo Facebook, Instagram e Whatsapp (54 9991-93611) e escolher a hospedagem, a refeição ou a vivência que quer fazer.

Além disso, eles organizam eventos o ano todo. Agora, a temporada de verão tem início e você pode conferir a programação no perfil do Instagram. São encontros de food truck, apresentações de dança, atividades para as crianças e muito mais.

Também é possível reservar o espaço na Monã para aniversários, encontros de família e casamentos.

Planeje sua vivência na Monã

Quanto custa | Os preços variam de acordo com o que você for consumir. O almoço, por exemplo, custa a partir de R$ 80. Basta entrar em contato por meio de uma das redes sociais que eles lhe passam as informações de acordo com o que você quer.

Quando ir | A Serra Gaúcha é um destino muito procurado no inverno, de junho a agosto, quando o frio nos faz aproveitar o lado mais tradicional dessa região: a boa comida, os vinhos regionais e as abundantes opções de chocolate são alguns exemplos. No resto do ano, as opções vão muito além, e dá pra fazer diversas atividades de aventura.

Como chegar | A Monã fica na Rodovia Arnaldo Oppitz, em Canela. Do centro de Gramado até aqui são 30 minutos de carro.

Onde ficar | Eu me hospedei no Bangalôs da Serra, um encantador hotel que fica pertinho do centro de Gramado, a cidade mais famosa da Serra Gaúcha. Claro, existem muitas outras boas opções por aqui, mas eu realmente indico este hotel. Para saber porque, leia: Como é se hospedar no hotel Bangalôs da Serra.

Onde comer | Você vai comer muito bem em todas as cidades dessa região. Em Três Coroas, eu conheci do Espaço Tibet, um restaurante incrível que dissemina a cultura e a culinária tibetana. Se quiser saber outras sugestões, veja: Onde comer na Serra Gaúcha.

SOBRE O AUTOR

Aline Soares

Estudante de jornalismo e apaixonada por lugares que ainda não conheço, sempre me encantei por culturas e costumes diferentes, e é isso que eu mais quero explorar. Hoje, quando viajo, tento me manter presente, aproveitar o momento e não deixar nada passar.

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