Cracóvia: uma cidade transformada em suas lendas

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Atualizado em 2 de agosto de 2018

A Praça do Mercado – Rynek Główny, em polonês –, na Cracóvia, é dividida ao meio por um prédio de belas arcadas, onde funcionava uma fábrica de tecidos no Século 19. Além de abrigar uma pinacoteca, o local guarda um símbolo das muitas lendas de Cracóvia: uma faca enferrujada, que teria sido usada em um suposto assassinato, presa à parede.

De um lado do prédio, fica a torre gótica da antiga prefeitura e, do outro, a Igreja de Santa Maria, construção medieval cercada de mitos. De hora em hora, do alto do templo, um corneteiro começa a tocar certa melodia, que é bruscamente interrompida.

O estranho ritual é realizado desde o século 13, e, com ele, a cidade relembra o dia em que um sentinela avistou, da torre mais alta da igreja, uma invasão tártara, e avisou a população com o som de sua flauta. Embora tenha sido mortalmente atingido, graças a ele, a cidade pôde de preparar para resistir ao cerco.

Esta não é, entretanto, a única lenda ligada ao templo onde João Paulo II pregava seus sermões antes de se tornar papa. Dizem que, há alguns séculos, dois famosos irmãos arquitetos foram encarregados de construir, cada um, uma torre na igreja. Porém, eles levaram isso a uma verdadeira competição, de tal modo que, ao perceber a torre do outro com uma estrutura mais forte, capaz de se elevar acima da sua, o mais velho matou o irmão a punhaladas, e, em seguida, jogou-se do alto da edificação.

Embora, para alguns habitantes de Cracóvia, isso seja uma lenda inventada depois da Segunda Guerra Mundial para atrair turistas americanos, a verdade é que a faca usada no assassinato ainda se encontra na Praça do Mercado.

Lendas de Cracóvia: uma cidade transformada por mitos

Fachada da antiga fábrica de tecidos.

Lendas de Cracóvia: uma cidade transformada por mitos

Detalhe da Praça do Mercado guarda muitas lendas de Cracóvia.

Outras lendas de Cracóvia

Claro que a faca que vemos hoje não é tão antiga quanto a própria Igreja de Santa Maria: sempre que roubam a que está presa aos muros da antiga fábrica de tecidos, alguém se encarrega de colocar outra no mesmo local.

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Deixando a Praça do Mercado, você vai se deparar com antigos prédios de largas bases inclinadas e ruas de pedra delimitadas por um jardim que rodeia toda a parte histórica da cidade. Antigamente, tratava-se das muralhas que protegiam o burgo, das quais só restou o Barbakan, um forte circular na altura do Portão de São Floriano, por onde desfilavam os exércitos da cidade.

Lendas de Cracóvia: uma cidade transformada por mitos

Os muros do castelo de Waweł.

Numa das extremidades do jardim, a gente vê o misterioso Collegium Maius – onde estudou Nicolau Copérnico –, cujas dependências bem conservadas guardam a reprodução de um laboratório de alquimia.

Não muito distante dali, ergue-se o Monte Waweł e o castelo de mesmo nome, antiga residência dos reis poloneses. Sua catedral, tida pelos místicos como um dos pontos magnéticos da terra, reverbera um notável teto dourado e guarda o túmulo de muitos monarcas.

Lendas de Cracóvia: uma cidade transformada por mitos

Pátio do colégio onde estudou Nicolau Copérnico.

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O castelo onde viveram vários reis poloneses.

Como ainda se trata da antiga capital polonesa – a atual, como você sabe, é Varsóvia –, sempre há espaço para mais uma lenda: acredita-se que certo dragão, símbolo da cidade, dorme um sono secular nos sombrios porões do castelo, justificando, talvez, toda a magia desta cidade no imaginário das pessoas que a visitam.

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Foto destaque: Zygmunt Put

SOBRE O AUTOR

Renato Barros de Castro

Sou um jornalista e pesquisador interessado em explorar o lado pitoresco e pouco conhecido dos lugares, sempre atento a personagens anônimos e histórias que possam revelar o que há de insólito no mundo e na realidade.

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