Como visitar Itaipu Binacional

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Atualizado em 23 de fevereiro de 2018

Escrevo esse post logo depois de ter lido a notícia que a Usina Hidrelétrica de Itaipu superou o seu recorde. Foram recebidos quase 11 mil visitantes nos quatro dias de carnaval. Assim, logo de cara, você pode ter a certeza de que vou falar de um atrativo turístico muito importante. Aqui, chegam visitantes do mundo inteiro, o ano todo.

Mas, se você precisa de mais informações para visitar Itaipu saiba que a usina recebe visitas desde 1977. Na época, ainda estava na fase de construção. Foram quase 18 milhões de visitantes de mais de 190 diferentes países.

A maior geradora de energia limpa e renovável do planeta foi construída em parceria com o vizinho Paraguai. Por isso, tem Binacional como sobrenome. Aqui, tudo é igualitariamente dividido entre os dois países. Metade da energia gerada vem para o Brasil e a outra metade para o Paraguai, metade dos funcionários são brasileiros, a outra metade paraguaia; e todas as principais decisões são tomadas pelos seus dois maiores diretores, um brasileiro e um paraguaio.

Como visitar Itaipu Binacional

O tradicional letreiro da usina.

Como visitar Itaipu Binacional

Visão geral da usina.

Como é visitar Itaipu Binacional

A visita começa em um auditório onde assisto a um vídeo institucional que apresenta as principais características da Usina. O filme tem cerca de 20 minutos e está publicado no fim desse post. Aqui também são dadas algumas orientações sobre a visita e, logo, sou conduzido ao ônibus.

A modalidade mais comum de visitação é a Panorâmica, que custa R$ 24 e dura cerca de 1h30. Nesse passeio, você será conduzido por guias trilíngues – português, inglês e espanhol – pelas principais áreas externas da usina. A visita é feita a bordo de um confortável ônibus dois andares, sendo que o segundo andar tem as laterais abertas, o que amplia a visibilidade.

O ônibus faz duas paradas rápidas para fotografia: a primeira é em frente ao vertedouro. Durante o ano, ele fica aberto apenas 10% do tempo e isso acontece entre os meses de abril a junho, quando os reservatórios estão mais cheios. Apesar de ser bonito de ser visto o vertedouro não produz energia. Ele é apenas um mecanismo que regula o limite de água dentro dos reservatórios evitando o transbordamento.

Como visitar Itaipu Binacional

O auditório onde é exibido o vídeo.

Como visitar Itaipu Binacional

O vertedouro: só abre entre os meses de abril e junho.

Como visitar Itaipu Binacional

As turbinas geradoras que – só – parecem pequenas.

A segunda parada é bem perto das 20 turbinas geradoras. Esses tubos brancos que de longe parecem pequenos têm mais de 10 metros de diâmetro e é por eles que a água desce para acionar as turbinas gerando energia elétrica.

Nessa parada, aproveito para conversar com Domingos Sobrinho, barrageiro aposentado que trocou São João del Rei, em Minas Gerais, pelo Paraná, e descubro que muitos não tinham fé de que Itaipu se tornaria uma realidade.

Eu mesmo não acreditava que seria possível construir isso porque tudo era tão grande e a gente nunca tinha visto algo assim. Para muita gente isso seria um fracasso”, conta.

Seu Domingos, já aos 70 anos, contou ainda que os barrageiros –homens que trabalhavam virando o concreto que deu origem ao imenso paredão com 196 metros de altura e mais de 7 mil metros de comprimento– eram chamados de pés gelados, já que o concreto tinha em média apenas 7 graus.

O ex-operário, que trabalhou no tombamento da primeira caçamba de concreto, em 1977, hoje participa do programa de Resgate do Material Humano, desenvolvido pela usina há dois anos. Em sua visita, aproveite para conversar com ele ou com outro ex-funcionário que esteja por lá.

Como visitar Itaipu Binacional

Seu Domingos, ex-operário que tem muitas boas histórias.

Como visitar Itaipu Binacional

O passeio sobre a barragem.

Como visitar Itaipu Binacional

O vertedouro visto de cima.

Como visitar Itaipu Binacional

A imensidão do Lago Itaipu.

O passeio segue por estradas bem cuidadas, jardins floridos e em alguns pontos posso ver o canal construído para a piracema, o ritual de reprodução dos peixes que habitam o lago Itaipu. Mas o momento mais esperado é quando o ônibus chega à margem do gigantesco lago. Se por um lado consigo ver as turbinas, o prédio administrativo e, mais perto ainda, o vertedouro; à minha esquerda vejo tanta água que pareço estar de frente a um imenso mar.

Programe sua visita

Quando ir | A Usina de Itaipu fica aberta para visitação o ano todo, de segunda a domingo. Para ver o vertedouro aberto, as chances são maiores nos meses de abril a junho.

Como Chegar | Itaipu está a 12 quilômetros do centro de Foz do Iguaçu e a forma mais comum de chegar ao o Centro de Recepção de Visitantes de Itaipu é por meio de excursões, que podem ser contratadas em hotéis e agências de turismo de Foz do Iguaçu. Eu paguei R$ 30 na van que me buscou e me deixou no hotel.

Para quem prefere vir por conta própria, as opções são alugar um carro, chamar um táxi ou usar o transporte público. Quem escolher o transporte coletivo deve usar as linhas de ônibus Conjunto C Norte ou Conjunto C Sul, do Consórcio Sorriso, que partem do terminal central de Foz do Iguaçu. A viagem dura aproximadamente 30 minutos. A tarifa custa R$ 2,40.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

4 Comentários

  1. Avatar
    Haroldo Castro on

    Itaipu pode ser uma obra de engenharia grandiosa, mas teve um custo ambiental tremendo, provocando o desaparecimento das Sete Quedas. A Itaipu Binacional tenta minimizar o assunto e, pelo menos, está investindo hoje em programas ambientais para compensar a perda. ~

    Sua matéria poderia ser bem mais interessante…

    • Altier Moulin

      Oi Haroldo,

      Sem dúvida houve um preço ambiental pago para a construção de Itaipu, assim como há um preço por tudo o que o homem moderno faz: a energia que cada vez mais consumimos, os gases tóxicos gerados nas aeronaves que voamos, o lixo que produzimos diariamente… Se for abordar os aspectos ambientais implícitos em todos as matérias que escrevo, talvez devesse escrever livos e não posts para serem lidos na internet.

      Como jornalista, procurei manter-me ao que o título da matéria designa com máxima clareza. Talvez, quem sabe, eu ainda escreva sobre os impactos ambientais da região de Iguaçu. Mas não aqui. Esse tema é para outro post e talvez outro blog.

      De qualquer forma, obrigado por sua crítica.

      Um abraço!

  2. Avatar

    Olá Altier, tudo bom? legal sua matéria sobre a Itaipu. Trabalho com um carro devidamente registrado no turismo aqui em Foz do Iguaçu, deixo meu contato caso você ou seus leitores necessitarem transporte para os pontos turísticos aqui, também Paraguai, ou Argentina. Visite meu blog sobre Foz e região estou começando a escrever sobre a região.
    http://noticiasdafronteira.blogspot.com.br/
    Abraço e sucesso.

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