Cinco razões para visitar o Espírito Santo

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Atualizado em 21 de fevereiro de 2018

O Espírito Santo tem a menor população do Sudeste. O Estado está rodeado por grandes potências do turismo nacional: Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. Assim, quase sempre, ele acaba sendo apenas uma passagem para esses destinos mais badalados. Às vezes, é completamente esquecido.

O que talvez você não saiba é que por aqui há muita coisa boa. O belo cenário praiano, a vida leve sem a correria das megalópoles, a boa comida herdada de um povo multicultural, a proximidade com as montanhas. Essas são apenas algumas das razões para você começar a planejar uma visita a essas terras.

Eu sou capixaba. Nasci, cresci e vivo em Vitória. Apesar das fugas para Belo Horizonte e Vancouver, no Canadá, onde morei por pouco tempo, daqui não tenho planos de sair. Apaixonado que sou por minha terra, escolhi cinco razões para visitar o Espírito Santo. Eu espero que elas sejam suficientes para lhe convencer a passar as suas férias aqui.

1. Comida: a tradicional moqueca capixaba

Entre todos os sabores capixabas ela é a tradição em forma de deliciosas postas de peixe servidas com pirão e arroz branco. Há quem a confunda com a moqueca baiana, então alguém sempre tem que explicar a diferença. A moqueca do Espírito Santo não tem leite de coco e nem azeite de dendê na lista de ingredientes. Assim, mais leve, preparada e servida na autêntica panela de barro das paneleiras de Goiabeiras, ela ganhou o título de original. O resto não passa de peixada, como dizem os nativos da ilha de Vitória.

E por falar nisso, na Ilha das Caieiras, um bairro simples da periferia da cidade, fica a capital da moqueca capixaba. Aqui você pode provar esse delicioso prato da forma mais tradicional possível. Nessa região, formada em sua maioria por gerações de pescadores, o mar traz todos os dias o alimento que temos à mesa. Pra lhe ajudar a saber mais, eu escrevi um post sobre onde comer moqueca capixaba.

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A típica moqueca capixaba da Ilha das Caieiras, em Vitória.

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Pirão e arroz branco acompanham o mais tradicional prato do Espírito Santo.

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Como entrada, que tal uma casquinha de siri?

2. Praia: sol, mar e esportes aquáticos

Com 411 quilômetros de costa, o Espírito Santo tem praias para todos os gostos. Tranquila e com aquele ar bucólico, a praia de Manguinhos, na Serra, é um daqueles lugares do mundo onde você sempre se sente como se estivesse de férias. Mesmo que seja simplesmente por um dia – ou um fim de semana inteiro -, aqui tudo parece mais calmo do que no resto do mundo. A praia tem ondas pequenas e piscinas naturais que se formam entre as pedras. Os restaurantes que estão logo ali, a poucos passos do mar e as sombras das castanheiras fazem desse balneário um cantinho muito aconchegante.

Se você já andou pesquisando sobre as praias de Guarapari, cidade que fica no litoral sul do Espírito Santo, certamente já viu algo sobre Setiba. Com águas limpas e quase 800 metros de areia, ela é uma das preferidas dos turistas que aproveitam a boa infraestrutura para passar o dia aqui, lagarteando sob o sol. No verão, quando a população de Guarapari triplica, não é fácil conseguir um lugar nos quiosques que ladeiam boa parte da enseada.

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Manguinhos é um convite à tranquilidade.

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Setiba é uma das praias mais famosa de Guarapari.

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Três Ilhas é um paraíso para quem gosta de mergulhar usando esnórquel.

Mais ao norte, já na divisa com a Bahia, Itaúnas é um lugar que tem história e beleza natural. Muito mais do que uma área ambientalmente protegida e reconhecida mundialmente como parte de um dos sítios declarados Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. Essa vila de pescadores tem muito a nos contar. Certamente, o fato mais marcante de sua história é o soterramento da antiga vila pelas dunas de Itaúnas.

Aqui, reinam a simplicidade e a tranquilidade. Isso até que julho chegue trazendo consigo o Festival Nacional de Forró de Itaúnas que lota o vilarejo com mais de 40 mil pessoas. Nessa época, tudo fica diferente e os preços dobram. Veja esse post que publiquei sobre Itaúnas.

Além disso, o Espírito Santo navega bem entre os destinos que oferecem ótimas condições para a prática de esportes náuticos. Com recordes mundiais na pesca oceânica do Marlin Azul, a capital capixaba é destino certo para centenas de competidores das embarcações a vela do iatismo. Se considerarmos, ainda, o restante do litoral capixaba as possibilidades se ampliam. Dá para fazer os mergulhos nas ilhas que pontuam o litoral, como em Guarapari, e até o tão praticado bodyboarding da capixaba pentacampeã mundial, Neymara Carvalho. Isso sem contar o stand up paddle praticado nas praias da capital.

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As dunas que soterraram a antiga vila de Itaúnas.

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A tranquilidade de Itaúnas.

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Stand Up Paddle na Praia do Canto, em Vitória.

3. Capital: uma história de beleza

A capital capixaba é uma das fortes razões para visitar o Espírito Santo. Ela é consecutivamente indicada como uma das melhores cidades para viver, trabalhar e estudar pelo Programa das Nações Unidas pelo Desenvolvimento (Pnud). A cidade trata muito bem os seus moradores e os turistas que por aqui chegam.

Seus parques, praças e outras áreas verdes fazem com que a cidades respire melhor. O Centro Histórico, margeado pela área portuária, tem prédios seculares muito bem conservados e ricos em detalhes da história do Estado.

Na moderna Enseada do Suá, principal área de negócios da cidade, a vista combina a famosa Terceira Ponte com o Convento da Penha ao fundo, já na vizinha Vila Velha, que também tem praias e museus que valem à pena serem visitados.

À noite, o burburinho se concentra em três principais regiões: na Praia do Canto, o Triângulo das Bermudas reúne o conjuntos de bares e casas noturnas mais badalados da cidade. Se quiser ver gente bonita aqui é seu lugar. Em Jardim da Penha, a Rua da Lama é o lugar de concentração de uma galera mais jovem – quase sempre universitários – e mais descolada. Em Jardim Camburi, uma nova área apelidada de Laminha se desponta como uma promissora opção para sua noite. Aqui, o legal é aproveitar um dos bares para beber e comer enquanto a azaração rola solta.

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A entrada da Baía de Vitória, com o Convento da Penha ao fundo, é o principal cartão postal da cidade.

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Vitória tem inúmeras áreas verdes como o Parque Pedra da Cebola.

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No Centro Histórico, prédios como o Teatro Carlos Gomes podem ser visitados diariamente.

4. Gente: um povo multicultural

O Espírito Santo é, proporcionalmente, o estado brasileiro com maior número de imigrantes italianos do país. Além disso, alemães, holandeses, suíços e libaneses, completam a lista que forma a base da população capixaba.

Dessa mistura toda – sem nos esquecer das heranças africanas e indígenas – nasceu um povo bonito e com um jeito bem peculiar. Nós não somos saidinhos como os mineiros, muito menos extrovertidos como são os baianos e nem tão desconfiados como os cariocas.

Há quem diga que somos um povo difícil de criar vínculos. A verdade é que o a capixaba fica na dele até que você estabeleça o primeiro contato. Depois disso, é partir para o abraço.

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Menina de Santa Leopoldina.

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O traço colonial das cidades do Interior.

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A herança dos europeus também vista na gastronomia.

5. Montanhas: da praia para o frio

A menos de 40 minutos de viagem, partindo de Vitória, você experimenta o clima e o estilo europeu das montanhas capixabas. A região é dominada pelos herdeiros de imigrantes e quase tudo lembra essas origens. As construções típicas, a deliciosa culinária, a música e a dança tradicional nos fazem experimentar um Espírito Santo totalmente diferente do que vemos no litoral.

Na região de Domingos Martins, onde é forte a cultura alemã, um dos cartões postais é a Pedra Azul. Este é o símbolo maior da nossa região de montanhas. Nas fazendas de Venda Nova do Imigrante, a 100 quilômetros da capital, a comida é feita no fogão a lenha. Queijos, biscoitos, vinhos e licores estão disponíveis para quem quiser desfrutar os verdadeiros sabores da roça. Isso sem contar as frutas fresquinhas que você pode colher no pé. Aqui, não deixe de experimentar o Socol, um embutido fabricado por seguidas gerações.

Nessa região você também encontra aventura. Que tal descer de rapel na Cachoeira de Matilde, em Alfredo Chaves, ou explorar a Gruta do Limoeiro, em Castelo? Há muito mais razões para visitar melhor o Espírito Santo do que você imaginou. Agora, aproveite, e venha nos fazer uma visita.

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A Pedra Azul, entre Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante.

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Rapel da cachoeira de Matilde, em Alfredo Chaves.

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Em Castelo, uma das atrações é a Gruta do Limoeiro.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

15 Comentários

  1. Avatar

    O Espírito Santo é sem dúvidas um dos estados menos valoriados do país e sem dúvidas, do sudeste. Não sei se por falta de iniciativas comerciais e de marketing do governo ou da própria indústria. Mas é um dos estados mais bonitos e com mais atrações naturais do Brasil. Parabéns pelo seu estado!

    • Altier Moulin

      Oi, Katia.

      Julho não é o mês ideal para pegar praia aqui. Frio não faz e até dá para pegar uma praia, mas os dias ficam mais nublado, e mesmo nos dias de sol, venta bastante.
      Além disso, em algumas praias, os quiosques e os restaurantes fecham. Especialmente nas que ficam fora da Grande Vitória.

      Um abraço.

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