Centro Histórico de Vitória: viaje no tempo

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Atualizado em 23 de abril de 2020

A capital do Espírito Santo, também chamada pelo doce nome de Ilha do Mel, foi oficialmente fundada apenas 51 anos depois que os primeiros portugueses chegaram ao Brasil. Naquela época, o território que hoje é o estado de Minas Gerais fazia parte da mesma porção territorial que tinha Vitória como capital. Vivíamos o tempo das companhias hereditárias e a exploração do ouro estava em seu auge.

A memória desse período histórico a cidade preserva em seus casarios, prédios e igrejas. Espalhados pelo Centro Histórico de Vitória, podem ser conhecidos por meio do Projeto Visitar. Esta é uma iniciativa da Prefeitura que cria roteiros e monitora monumentos. Mas o principal é envolver a comunidade na preservação desses patrimônios históricos.

Esse passeio por quase 500 anos de história vai te levar a diversos pontos importantes. Ao Theatro Carlos Gomes, que foi inspirado no Teatro Scala de Milão; à Catedral Metropolitana, que demorou cinquenta anos para ser construída e ao Convento São Francisco, o primeiro convento franciscano construído ao sul do Brasil. Além dessas, muitas outras maravilhas da arquitetura colonial brasileira.

Igrejas

Igreja Nossa Senhora do Rosário | Essa Igreja foi erguida em apenas dois anos pelos membros da Irmandade Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Para chegar até ela é preciso vencer uma extensa escadaria que tem vista para a baía de Vitória. Muito mais do que um templo religioso, esse prédio tem uma importante relação com a luta pelo fim da escravidão em terras capixabas. Um símbolo disso é a Casa de Leilão, construída ao lado da igreja, onde os membros da irmandade arrecadavam dinheiro para comprar a liberdade de escravos.

No interior do prédio, um pequeno museu com peças da época reconta essa história. A igreja tem ainda ossuários nos seus corredores e um cemitério na lateral. Até hoje, a procissão de São Benedito é organizada anualmente.

Centro Histórico de Vitória

A fachada da Igreja do Rosário.

Catedral Metropolitana de Vitória | A Catedral tem fortes características do estilo gótico, mas é considerada eclética. O prédio demorou cinquenta anos para ser concluído e o destaque são os vitrais de suas paredes. A Catedral ocupa o lugar onde, até 1918, estava a Igreja de Nossa Senhora da Vitória. Esta últma era a Matriz da cidade. O antigo prédio, em estilo colonial, começou a ser edificado em 1551, quando Vitória ainda se chamava Vila Nova.

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A Catedral Metropolitana em um dia de sol.

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Capela de Santa Luzia | Essa é a edificação mais antiga da ilha e foi construída a partir de 1537 para ser uma capela de uso particular.  Localizada na Cidade Alta, é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan. Desde 1996 abriga o escritório técnico do Instituto no Espírito Santo.

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Capela de Santa Luzia: a primeira edificação da ilha.

Convento de São Francisco | O Convento começou a ser construído no final do século XVI pelos padres franciscanos. A esse conjunto eclesiástico foi acrescentado, mais tarde, um cemitério municipal, que funcionou até 1908. Hoje, o que restou do conjunto arquitetônico original do Convento de São Francisco é apenas a fachada. Atualmente, abriga a Cúria Metropolitana e diversas entidades ligadas à Igreja Católica.

Convento do Carmo | O Convento de Nossa Senhora do Monte do Carmo foi fundado em 1682 por padres carmelitas e era formado também pela Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo e pela Capela da Ordem Terceira. Todos possuíam estilo colonial, com linhas barrocas. Ao longo dos anos, o edifício chegou a ser usado como quartel militar.

Igreja de São Gonçalo | Onde hoje funciona a Igreja de São Gonçalo era uma capela construída pela Irmandade de Nossa Senhora do Amparo e da Boa Morte, uma irmandade de homens pardos. A igreja foi tombada como patrimônio histórico pelo Iphan. Ela tem estilo colonial com características barrocas em sua fachada e também no altar-mor, que tem entalhes em madeira pintados a ouro. Para os casais apaixonados, a Igreja de São Gonçalo tem a fama de ser a igreja dos casamentos duradouros e felizes. Com isso, muitas cerimônias são feitas aqui.

Espaços Culturais

Theatro Carlos Gomes | O teatro foi construído em uma época em que a cidade de Vitória passava por importantes transformações urbanas. Tais transformações visavam à transformação da cidade em uma capital moderna. O Theatro foi construído sob inspiração do Teatro Scala de Milão. No prédio, aproveitaram-se as colunas de ferro fundido do antigo Melpômene. Este que era ao único teatro da cidade até ser incendiado, em 1924. A obra foi concluída em janeiro de 1927 e tem estilo arquitetônico eclético.

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Fachada do Theatro Carlos Gomes.

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O Theatro Carlos Gomes com a nova pintura.

Museu de Arte do Espírito Santo | O Maes está instalado em um prédio tombado pelo patrimônio do Estado e tem amplo acervo doado pelo governo estadual. As exposições do Maes privilegiam artistas capixabas e internacionais. O espaço também possui biblioteca e videoteca. De terça a sexta, das 10h às 18h. Sábados, domingos e feriados, das 12h às 18h.

Casa Porto das Artes Plásticas | Construída em 1903 nos estilos arquitetônicos do século XX, foi sede da Capitania dos Portos do Espírito Santo por mais de três décadas. A Casa Porto tem como finalidade promover e sediar eventos culturais ligados às artes plásticas. Atualmente, a Casa Porto das Artes Plásticas passa por uma restauração e ampliação.

Museu Solar Monjardim | Localizado no bairro Jucutuquara, portanto mais distante do Centro Histórico, é o único museu federal de Vitória. O Solar Monjardim é um museu-casa. Aqui há uma vasta coleção que revela aspectos da vida cotidiana de uma família rica do século XIX.

O casarão, que hoje abriga o museu, teve sua construção iniciada na década de 1780. Era a sede da antiga Fazenda Jucutuquara, que abrigava inúmeros bairros da região central da ilha de Vitória. Por ser uma referência expressiva da arquitetura rural colonial brasileira, o Museu Solar Monjardim foi tombado como patrimônio nacional em 1940. A entrada é franca e todas as visitas são guiadas por profissionais do museu. De terça a sexta, das 9h30 às 16h30. Sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h.

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O casarão que é o Museu Solar Monjardim.

Palácio Anchieta | Uma das sedes de governo mais antigas do Brasil, o prédio é sede do governo capixaba, mas foi construído para funcionar como colégio jesuíta. Localizado na Cidade Alta, de frente para a baía de Vitória, seus corredores são testemunhas da história do Espírito Santo. Há duas modalidades de visitas. Nos dias úteis, somente a parte histórica pode ser visitada; aos sábados e domingos, a visita inclui os demais salões e o gabinete do governador.  De terça à sexta, das 09h às 17h. Sábados, de 10h às 17h. Domingos, de 10h às 16h. palacioanchieta.es.gov.br

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Outras construções

Escadaria Maria Ortiz | Conhecida como Ladeira do Pelourinho, hoje ela homenageia a vitória dos capixabas sobre piratas holandeses, que tentaram conquistar a ilha durante o século XVII. A jovem Maria Ortiz se destacou por incentivar os vizinhos a agirem. Eles arremessaram água fervente, brasa, pedras, entre outros objetos, sobre os holandeses que tentavam alcançar o coração a Cidade Alta e o domínio da ilha. Seguindo o exemplo de Maria Ortiz, o povo capixaba conseguiu espantar os holandeses, que retornaram ao seu navio.

Escadaria São Diogo | A escadaria foi construída ao lado de um antigo forte de proteção de Vitória, o Forte São Diogo, que tinha a posição estratégica de monitorar um dos acessos à Cidade Alta. Devido à falta de espaço para expansão da capital, que até então possuía inúmeras fortificações, foi necessário o aterro de parte do canal de Vitória. Com isso, o forte perdeu sua utilidade, sendo removido no século XIX. Apesar da escadaria se manter discreta na paisagem da cidade, ela ainda preserva a importante função conexão. Ela liga a cidade baixa, a partir da Praça Costa Pereira, à cidade alta, próximo à Catedral Metropolitana.

Viaduto Caramuru | O viaduto foi construído em 1925 para servir de passagem para o bonde, que então circulava pela Cidade Alta. Entretanto, ele nunca chegou a atravessar o viaduto pois não conseguia fazer as curvas das estreitas ruas da região.

Como visitar o Centro Histórico de Vitória

Turistas e moradores podem visitar os prédios do Centro Histórico de Vitória gratuitamente. São mais de 50 pontos de interesse turístico e cultural que integram a área. Sete deles são monitorados regularmente pelo Projeto Visitar. Estes ficam abertos à visitação de terça a domingo, inclusive feriados, das 9h às 17h.

O atendimento é realizado por monitores capacitados que apresentam aspectos históricos, arquitetônicos e culturais de cada espaço. Também está disponível para o visitante o Mapa do Centro Histórico de Vitória, em português e inglês. Isso além de um folder de cada monumento.

Como chegar a Vitória

As principais rodovias que levam à capital capixaba são a BR 101, a BR 262, a Rodovia do Sol, ES-060, que faz a ligação litorânea regional. O principal portão de entrada é o Aeroporto Eurico Sales, em Vitória. A Estrada de Ferro Vitória-Minas também transporta passageiros. O trajeto é entre Belo Horizonte e as cidades do leste mineiro até a capital do Espírito Santo.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um viajante apaixonado pelas coisas desse mundo. Um jornalista que adora contar boas histórias e compartilhar informações de viagem. Meu propósito de vida é ajudar outras pessoas a conhecerem lugares novos e a viverem experiências inesquecíveis.

4 Comentários

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    O legal de Vitória é que é uma cidade que te faz voltar no tempo e pensar de como era a vida naqueles tempos em que o Brasil ainda era uma colônia… de como era forte a religião católica no país e etc.

  2. Avatar

    Que tal se preparar pra dá uma passada aqui em Belém? Daqui a 3 anos a porta de entrada da Amazônia completa 400 anos
    16/01/2016 #dica

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