Centro Histórico de Vitória: viaje no tempo

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Atualizado em 13 de março de 2018

A capital do Espírito Santo, também chamada pelo doce nome de Ilha do Mel, foi oficialmente fundada apenas 51 anos depois que os primeiros portugueses chegaram ao Brasil. Naquela época, o território que hoje é o estado de Minas Gerais fazia parte da mesma porção territorial que tinha Vitória como capital. Vivíamos o tempo das companhias hereditárias e a exploração do ouro estava em seu auge.

A memória desse período histórico a cidade preserva em seus casarios, prédios e igrejas. Espalhados pelo Centro Histórico de Vitória, podem ser conhecidos por meio do Projeto Visitar. Esta é uma iniciativa da Prefeitura que cria roteiros e monitora monumentos. Mas o principal é envolver a comunidade na preservação desses patrimônios históricos.

Esse passeio por quase 500 anos de história vai te levar a diversos pontos importantes. Ao Theatro Carlos Gomes, que foi inspirado no Teatro Scala de Milão; à Catedral Metropolitana, que demorou cinquenta anos para ser construída e ao Convento São Francisco, o primeiro convento franciscano construído ao sul do Brasil. Além dessas, muitas outras maravilhas da arquitetura colonial brasileira.

Igrejas

Igreja Nossa Senhora do Rosário | Essa Igreja foi erguida em apenas dois anos pelos membros da Irmandade Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Para chegar até ela é preciso vencer uma extensa escadaria que tem vista para a baía de Vitória. Muito mais do que um templo religioso, esse prédio tem uma importante relação com a luta pelo fim da escravidão em terras capixabas. Um símbolo disso é a Casa de Leilão, construída ao lado da igreja, onde os membros da irmandade arrecadavam dinheiro para comprar a liberdade de escravos.

No interior do prédio, um pequeno museu com peças da época reconta essa história. A igreja tem ainda ossuários nos seus corredores e um cemitério na lateral. Até hoje, a procissão de São Benedito é organizada anualmente.

Centro Histórico de Vitória

A fachada da Igreja do Rosário.

Catedral Metropolitana de Vitória | A Catedral tem fortes características do estilo gótico, mas é considerada eclética. O prédio demorou cinquenta anos para ser concluído e o destaque são os vitrais de suas paredes. A Catedral ocupa o lugar onde, até 1918, estava a Igreja de Nossa Senhora da Vitória. Esta últma era a Matriz da cidade. O antigo prédio, em estilo colonial, começou a ser edificado em 1551, quando Vitória ainda se chamava Vila Nova.

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A Catedral Metropolitana em um dia de sol.

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Capela de Santa Luzia | Essa é a edificação mais antiga da ilha e foi construída a partir de 1537 para ser uma capela de uso particular.  Localizada na Cidade Alta, é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan. Desde 1996 abriga o escritório técnico do Instituto no Espírito Santo.

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Capela de Santa Luzia: a primeira edificação da ilha.

Convento de São Francisco | O Convento começou a ser construído no final do século XVI pelos padres franciscanos. A esse conjunto eclesiástico foi acrescentado, mais tarde, um cemitério municipal, que funcionou até 1908. Hoje, o que restou do conjunto arquitetônico original do Convento de São Francisco é apenas a fachada. Atualmente, abriga a Cúria Metropolitana e diversas entidades ligadas à Igreja Católica.

Convento do Carmo | O Convento de Nossa Senhora do Monte do Carmo foi fundado em 1682 por padres carmelitas e era formado também pela Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo e pela Capela da Ordem Terceira. Todos possuíam estilo colonial, com linhas barrocas. Ao longo dos anos, o edifício chegou a ser usado como quartel militar.

Igreja de São Gonçalo | Onde hoje funciona a Igreja de São Gonçalo era uma capela construída pela Irmandade de Nossa Senhora do Amparo e da Boa Morte, uma irmandade de homens pardos. A igreja foi tombada como patrimônio histórico pelo Iphan. Ela tem estilo colonial com características barrocas em sua fachada e também no altar-mor, que tem entalhes em madeira pintados a ouro. Para os casais apaixonados, a Igreja de São Gonçalo tem a fama de ser a igreja dos casamentos duradouros e felizes. Com isso, muitas cerimônias são feitas aqui.

Espaços Culturais

Theatro Carlos Gomes | O teatro foi construído em uma época em que a cidade de Vitória passava por importantes transformações urbanas. Tais transformações visavam à transformação da cidade em uma capital moderna. O Theatro foi construído sob inspiração do Teatro Scala de Milão. No prédio, aproveitaram-se as colunas de ferro fundido do antigo Melpômene. Este que era ao único teatro da cidade até ser incendiado, em 1924. A obra foi concluída em janeiro de 1927 e tem estilo arquitetônico eclético.

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Fachada do Theatro Carlos Gomes.

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O Theatro Carlos Gomes com a nova pintura.

Museu de Arte do Espírito Santo | O Maes está instalado em um prédio tombado pelo patrimônio do Estado e tem amplo acervo doado pelo governo estadual. As exposições do Maes privilegiam artistas capixabas e internacionais. O espaço também possui biblioteca e videoteca. De terça a sexta, das 10h às 18h. Sábados, domingos e feriados, das 12h às 18h.

Casa Porto das Artes Plásticas | Construída em 1903 nos estilos arquitetônicos do século XX, foi sede da Capitania dos Portos do Espírito Santo por mais de três décadas. A Casa Porto tem como finalidade promover e sediar eventos culturais ligados às artes plásticas. Atualmente, a Casa Porto das Artes Plásticas passa por uma restauração e ampliação.

Museu Solar Monjardim | Localizado no bairro Jucutuquara, portanto mais distante do Centro Histórico, é o único museu federal de Vitória. O Solar Monjardim é um museu-casa. Aqui há uma vasta coleção que revela aspectos da vida cotidiana de uma família rica do século XIX.

O casarão, que hoje abriga o museu, teve sua construção iniciada na década de 1780. Era a sede da antiga Fazenda Jucutuquara, que abrigava inúmeros bairros da região central da ilha de Vitória. Por ser uma referência expressiva da arquitetura rural colonial brasileira, o Museu Solar Monjardim foi tombado como patrimônio nacional em 1940. A entrada é franca e todas as visitas são guiadas por profissionais do museu. De terça a sexta, das 9h30 às 16h30. Sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h.

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O casarão que é o Museu Solar Monjardim.

Palácio Anchieta | Uma das sedes de governo mais antigas do Brasil, o prédio é sede do governo capixaba, mas foi construído para funcionar como colégio jesuíta. Localizado na Cidade Alta, de frente para a baía de Vitória, seus corredores são testemunhas da história do Espírito Santo. Há duas modalidades de visitas. Nos dias úteis, somente a parte histórica pode ser visitada; aos sábados e domingos, a visita inclui os demais salões e o gabinete do governador.  De terça à sexta, das 09h às 17h. Sábados, de 10h às 17h. Domingos, de 10h às 16h. palacioanchieta.es.gov.br

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Outras construções

Escadaria Maria Ortiz | Conhecida como Ladeira do Pelourinho, hoje ela homenageia a vitória dos capixabas sobre piratas holandeses, que tentaram conquistar a ilha durante o século XVII. A jovem Maria Ortiz se destacou por incentivar os vizinhos a agirem. Eles arremessaram água fervente, brasa, pedras, entre outros objetos, sobre os holandeses que tentavam alcançar o coração a Cidade Alta e o domínio da ilha. Seguindo o exemplo de Maria Ortiz, o povo capixaba conseguiu espantar os holandeses, que retornaram ao seu navio.

Escadaria São Diogo | A escadaria foi construída ao lado de um antigo forte de proteção de Vitória, o Forte São Diogo, que tinha a posição estratégica de monitorar um dos acessos à Cidade Alta. Devido à falta de espaço para expansão da capital, que até então possuía inúmeras fortificações, foi necessário o aterro de parte do canal de Vitória. Com isso, o forte perdeu sua utilidade, sendo removido no século XIX. Apesar da escadaria se manter discreta na paisagem da cidade, ela ainda preserva a importante função conexão. Ela liga a cidade baixa, a partir da Praça Costa Pereira, à cidade alta, próximo à Catedral Metropolitana.

Viaduto Caramuru | O viaduto foi construído em 1925 para servir de passagem para o bonde, que então circulava pela Cidade Alta. Entretanto, ele nunca chegou a atravessar o viaduto pois não conseguia fazer as curvas das estreitas ruas da região.

Como visitar o Centro Histórico de Vitória

Turistas e moradores podem visitar os prédios do Centro Histórico de Vitória gratuitamente. São mais de 50 pontos de interesse turístico e cultural que integram a área. Sete deles são monitorados regularmente pelo Projeto Visitar. Estes ficam abertos à visitação de terça a domingo, inclusive feriados, das 9h às 17h.

O atendimento é realizado por monitores capacitados que apresentam aspectos históricos, arquitetônicos e culturais de cada espaço. Também está disponível para o visitante o Mapa do Centro Histórico de Vitória, em português e inglês. Isso além de um folder de cada monumento.

Como chegar a Vitória

As principais rodovias que levam à capital capixaba são a BR 101, a BR 262, a Rodovia do Sol, ES-060, que faz a ligação litorânea regional. O principal portão de entrada é o Aeroporto Eurico Sales, em Vitória. A Estrada de Ferro Vitória-Minas também transporta passageiros. O trajeto é entre Belo Horizonte e as cidades do leste mineiro até a capital do Espírito Santo.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

4 Comentários

  1. Avatar

    Que tal se preparar pra dá uma passada aqui em Belém? Daqui a 3 anos a porta de entrada da Amazônia completa 400 anos
    16/01/2016 #dica

  2. Avatar

    O legal de Vitória é que é uma cidade que te faz voltar no tempo e pensar de como era a vida naqueles tempos em que o Brasil ainda era uma colônia… de como era forte a religião católica no país e etc.

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