Aventuras de um brasileiro no Níger

2

Atualizado em 16 de setembro de 2015

Perambulando por uma livraria eu encontrei este livro e a foto da capa me chamou muita atenção. Apaixonado confesso que sou pela África e sua cultura exótica, peguei um exemplar e me detive em ler apenas algumas linhas da contracapa. Naquele momento eu buscava algo específico e não queria me perder na caçada.

Mas como sempre, paixões provocam ondas que não imaginamos e essa semana a Editora Record mandou para mim um exemplar de A Geografia da Pele, de Evaristo de Miranda. Esse brasileiro que deixou o país na década de 1970 durante a Ditadura Militar, viveu longos anos no interior da África e neste livro ele conta um pouco de suas aventuras no Níger, um país ainda pouco explorado pelo turismo e que por isso está longe dos roteiros de viagens e dos safáris fotográficos.

O Níger, ao sul do deserto do Saara, é um dos países mais pobres do mundo. Vítima do islamismo radical e da frequente ameaça do grupo extremista Boko Haram, o Níger vive dias difíceis. E foi nessa dura realidade que Evaristo de Miranda viveu durante três anos trabalhando em um projeto para ajudar a reduzir os desequilíbrios agrícolas e ecológicos que afetavam o país.

Convivendo diariamente com a etnia hauçá, esse aventureiro descobriu segredos e ouviu histórias que nunca foram contados a um estrangeiro. “Me fizeram jurar que manteria segredo por 28 anos. Foi o que fiz: mantive a promessa. Nem em meu doutorado mencionei tais coisas. Agora, o mestre do tempo me autoriza a falar nesse livro”, diz.

Depois de mais de trinta anos de silêncio, o autor revela suas vivências no livro cujo título faz uma referência literal às marcas deixadas em sua pele: a exposição ao sol, ao vento, à vegetação, aos animais e à seca formaram uma estranha geografia em seu corpo: “Percorro manchas, rugas, dobras e cicatrizes como quem caminha entre colinas, montanhas, cordilheiras, países e continentes”, conta Evaristo.

No livro, o pesquisador aborda diversos episódios vividos no país africano, desde um convite para comer morcegos fritos até o dia em que precisou encontrar uma forma educada de recusar uma jovem escrava que lhe foi ofertada como sinal de amizade.

Em meio a emboscadas, combates, bombardeios e controles militares, esse brasileiro no Níger diz imaginar os agricultores e os pastores que conheceu prosseguindo silenciosamente na busca de seus humildes sonhos verdes.

A GEOGRAFIA DA PELE
Evaristo de Miranda
R$ 45
364 páginas
Editora Record