5 delícias brasileiras que pra comer tem que viajar

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Atualizado em 24 de agosto de 2015

Por esse imenso Brasil a gente sempre vai encontrar sabores peculiares e receitas cheias de personalidade e de história. Nas minhas recentes viagens por alguns estados brasileiros eu encontrei pratos típicos que jamais – ou raramente – são vistos em outras regiões. Então, para experimentar essas delícias brasileiras você vai ter que viajar. Não tem jeito.

Algumas dessas iguarias, inclusive, correm o risco de desaparecer do mapa da gastronomia nacional justamente por terem uma abrangência geográfica muito restrita. São doces e salgados que fazem parte da cultura e da vida de vilarejos e cidades de diferentes áreas do país. Então, pra você que gosta de experimentar sabores diferentes, eu listei cinco delícias brasileiras que a gente só como quando viaja.

Cinco delícias brasileiras

Bricelet | No interior do Sergipe, especificamente na cidade de São Cristóvão, eu visitei o Lar Irmã Imaculada Conceição para experimentar o bricelet. Esse biscoito artesanal feito de uma massa finíssima de farinha de trigo, ovos, leite, açúcar e raspas de limão e laranja começou a ser produzido ainda no século 16 pelas irmãs carmelitas para servir como fonte de renda dos conventos. No Brasil, as irmãs do lar começaram a produzir o biscoito depois que a prensa que grava sobre ele imagens sacras foi doada pelos irmãos da Suíça.

O biscoito é leve e parece derreter na boca. Com uma bola de sorvete e calda de chocolate, essa iguaria se transforma na Sobremesa das Freiras, doce que tem ganhado fama na região. Veja o post onde conto mais sobre minha viagem a São Cristóvão.

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O bricelet feito em Sergipe.

Doce de Espécie | A cidade de Alcântara fica do outro lado da baía que se forma da junção do mar com as águas do Rio Mearim, pertinho de São Luís, a capital do Maranhão. Foi nessas terras que eu encontrei outro dessas delícias secretas: o doce de espécie. Essa iguaria tem uma fina camada feita de farinha de trigo onde repousa uma saborosa mistura de coco e açúcar.

Herança dos portugueses, o doce se tornou popular por ser distribuído gratuitamente durante a festa do Divino Espírito Santo, a principal da cidade, que acontece sempre no mês de maio.  Porém, mesmo fora do período de festas, a exuberância desse doce toma conta da cidade e é vendido em diversas casas pelo modesto preço de R$ 1. Veja mais sobre minha viagem a Alcântara.

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O doce de espécie do Maranhão.

Socol | Esse embutido de carne de porco é uma herança dos primeiros italianos que chegaram à cidade de Venda Nova do Imigrante, no Espírito Santo. Como naquela época eles não tinham meios de refrigerar a carne, essa era a melhor maneira que encontraram para guardar o mantimento por mais tempo sem que ele estragasse.

Hoje, cortado em fatias finas, o socol é um delicioso aperitivo e combina com diversas ocasiões. Veja mais sobre os sabores de Venda Nova do Imigrante.

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O socol que experimentei no Espírito Santo.

Ele é um ótimo aperitivo.

Alfenin | A cidade de Goiás, também chamada de Goiás Velho, tem muitas histórias. Uma delas é a de dona Silvia. Doceira que há mais de 50 anos, ela faz os alfenins, uma iguaria que nasce da mistura do polvilho azedo com o açúcar e poucas gostas de limão. Moldados artesanalmente eles ganham infinitas formas.

Silvia é, hoje, a única pessoa que ainda faz o doce na cidade, uma tradição que, segundo ela, pode acabar porque ninguém quer saber do pouco dinheiro que o doce traz. Mesmo assim, há décadas ela abre as portas de sua casa para que os visitantes possam acompanhar o preparo dos alfenins. Veja mais sobre minha viagem a Goiás Velho.

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O alfenin de Goiás.

Dona Silvia, a última doceira de Goiás Velho.

Bombom de jaracatiá | A cidade de Bonito, no Mato Grosso do Sul, é o destino número um para quem gosta de ecoturismo, e foi aqui que eu encontrei um bombom pra lá de exótico. Feito de uma planta chamada jaracatiá, popularmente conhecido como mamão bravo ou mamão do mato, ele tem ganhado fama e conquistado o paladar de turista e moradores da região.

Um fato curioso dessa receita sul-mato-grossense é que para fazer o bombom são aproveitados, além do fruto, o caule e os galhos da árvore. O gosto é suave e quando acrescido de coco o recheio fica ainda melhor. Veja mais sobre minhas aventuras em Bonito.

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O bombom de jaracatiá do Mato Grosso do Sul.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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