Visita ao Mosteiro Zen de Ibiraçu

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Atualizado em 6 de abril de 2016

Domingo, 8 horas. Acordo e ligo para o Mosteiro Zen de Ibiraçu. Preciso checar como está o clima por lá. Apesar de ser pavimentada, a estrada que leva até o Mosteiro é bastante íngreme e nos dias de chuva as visitas são suspensas, pois fica arriscado trafegar por ela. Com tudo certo, sigo viagem.

O Mosteiro Zen Morro da Vargem Zenkoji, fundado em 1974 pelo monge japonês Ryohan Shingu, é um espaço de convívio e de prática do budismo, mas é também uma importante área de preservação ambiental: praticamente tudo o que vejo ao redor foi plantado, já que toda essa área era destinada à criação de gado e à plantação de café. Ao longo de 40 anos, a paisagem do primeiro mosteiro budista da América Latina se transformou e a vida parece ter voltado ao cume desses montes.

A visita começa no Portal Somon com uma breve explicação de um dos monges que, voluntariamente, será o guia do grupo que participo. Logo percebo que o mais importante aqui não é o crescimento do budismo como religião professada por eles, mas o desenvolvimento das pessoas, a melhoria do ser humano. Uma prova disso é que pessoas de várias religiões frequentam o Mosteiro.

Esse tem sido o foco do trabalho desses religiosos que veneram Buda e aplicam os seus ensinamentos na sociedade onde estão inseridos. Um exemplo disso é o Projeto Zenzinho, que leva as práticas de meditação, de disciplina e de auxílio ao próximo para alunos das escolas capixabas. Durante a visita ao Mosteiro, crianças e adolescentes percebem a importância de ajudar nas tarefas do dia a dia, como arrumar a cama e lavar a louça do almoço. É o princípio budista de ‘deixar tudo pronto para o próximo’ em prática.

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A primeiras explicações feitas pelo monge.

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O Portal Somon.

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O Bonsho de mais de uma tonelada.

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Feito no Japão especialmente para o Mosteiro de Ibiraçu.

A minha próxima parada é no Bonsho. Ele é um tipo de sino e pesa mais de uma tonelada. Produzido no Japão especialmente para o Mosteiro, ele tem inscrições em português. O Bonsho é tocado apenas duas vezes ao dia: às 6h da manhã, para encerrar o período de orações matinal – os monges acordam às 4h20 – e às 18h.

Aqui interrompo meu roteiro e sigo para o sodô. É hora de participar da oficina de não ação, que é uma prática de meditação criada há mais de cinco mil anos e que estimula a concentração e a capacidade de reflexão. As instruções são passadas pelo abade do Mosteiro, o monge Daiju Bitti. Por cerca de 20 minutos ele explica as técnicas e quais os resultados de sua prática regular. “Quando você estiver em meio a um turbilhão de problemas, você vai ter consciência para agir com tranquilidade. Você não vai agir por impulso e sem pensar”, diz.

Restrito aos monges, o hattô é o templo de Buda. Voltado para o norte, no sentido oposto ao Portal Somon, ele tem paredes espelhadas e um altar com a imagem de Buda talhada em madeira. Além desse, há outro templos menores, como o de Kanon Bodhisattva e o dos mortos, que fica próximo ao cemitério onde são sepultados os monges que aqui viveram. Entre eles, está o túmulo simbólico de Augusto Ruschi, que apesar de não ser budista, colaborou com o processo de revitalização da área. O complexo do mosteiro tem ainda trilhas ecológicas, uma lojinha, alojamentos e um espaço cultural.

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O abade explica as posições da meditação.

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Não ação: uma prática para te fazer refletir antes de agir.

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Fachada do Hattô, o templo de Buda.

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Altar do templo de Buda.

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No cemitério, um túmulo homenageia Augusto Ruschi.

Programe sua visita ao Mosteiro Zen de Ibiraçu

Quando ir | O Mosteiro abre para visitações exclusivamente aos domingos, das 8h às 13h. A entrada é gratuita, mas é importante checar o clima antes de partir. Em dias chuvosos o mosteiro suspende as visitas. O Mosteiro realiza retiros periódicos. Para saber quando será o próximo, consulte a página do Mosteiro.

Como chegar | Ibiraçu está a 66 quilômetros de Vitória, a capital do Espírito Santo. Para chegar aqui você deve seguir no sentido norte da BR-101 até avistar o Portal Torii, do Mosteiro. Logo depois, entre à direita onde a placa orienta. Da rodovia até o Mosteiro são pouco mais de dois quilômetros, sendo que parte deles é de subida íngreme. Há cobrança de pedágio no trecho entre Vitória e Ibiraçu.

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O Portal Torii, visto da BR-101.

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Estrada de acesso ao Mosteiro.

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SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

16 Comentários

  1. Altier, sempre desejei conhecer este templo de meditacao. Moro no extremo sul da Bahia, divisa com o ES. Vi várias vezes este lindo portal ao trafegar na BR-101, mas nunca tive oportunidade de ir. Ao pesquisar sobre o local encontrei seu relato simples, claro e suficiente, como deve ser, dando o exemplo de que você já está a caminho nesta busca interior de Paz da não ação a qual preciso encontrar.

    Meus agradecimentos. Continue seu trabalho de espalhar conhecimentos.

    Om Shanti!

    • Altier Moulin

      Oi Cidalia,

      Ir ao mosteiro é mais que um programa turístico. Esse é Um lugar para parar e se auto-observar. A natureza, o silêncio, o clima, tudo coopera para um tempo de meditação e de busca pela tranquilidade interior. Não deixe de ir.

      Um abraço!

  2. Olá, o seu site é extraordinário, aqui descobri sobre meu estado coisas que nem imaginava que existiam, um exemplo disso é esse mosteiro. Gostaria de visitar, e queria saber se as visitas devem ser agendadas com antecedência.
    Obrigada desde já.

    • Altier Moulin

      Oi Laís,

      Que bom que gostou e descobriu coisas interessantes. Não, você não precisa agendar uma visita. Mas é sempre bom dar uma conferida no site do Mosteiro para saber se há algum evento especial.

      Aproveite! 🙂

  3. Olá!
    Seu blog é muito bom, cara!
    Então, eu já fui ao mosteiro porém eu tinha cerca de uns 12 anos..hoje eu tenho 28! hahaha Então muita coisa referente ao funcionamento eu não me recordo.
    Sei que não é necessário agendamento, porém, se eu for num domingo com um grupo pequeno (cerca de 3 ou 4 pessoas) eles nos guiam também?
    Essa guia pelo mosteiro é opcional? Podemos desbravar o espaço sem eles? Ou chegamos lá e temos que aguardar alguém chegar para nos recepcionar e nos guiar? rs

    Abraços e parabéns novamente pelo texto, muito show!

    • Altier Moulin

      Oi Gabrielli,

      É possível visitar sem agendamento, desde que o mosteiro não esteja ‘fechado’ para eventos ou retiros, por exemplo.
      Você pode explorar independentemente, mas eu sugiro fazer pelo menos uma parte do passeio guiado para entender a filosofia do lugar.

      Um abraço e obrigado!

  4. Excelente blog, parabéns! É possível realizar caminhando o trecho que fica entre o portal na BR 101 e o mosteiro propriamente dito?

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