Viagem a Cuba: informações essenciais

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Atualizado em 17 de agosto de 2017

Se você está planejando uma viagem a Cuba, talvez já tenha percebido que não é fácil encontrar informações atualizadas sobre o país. Justamente por isso, programar sua viagem exigirá pesquisa e dedicação. Uma boa dica é começar a entender melhor as coisas por aqui com essas informações básicas.

Os espanhóis aportaram em Cuba em 1492 e, desde então, as coisas nunca mais foram as mesmas por aqui. Centro de uma disputa entre Estados Unidos e Espanha, o país viu sua economia se esvaziar depois da crise da cana-de-açúcar, da ditadura e da revolução, que fechou suas portas para o mercado norte-americano.

Viagem a Cuba: informações essenciais

Um dos principais cartões-postais de Cuba.

Mesmo depois de tanto tempo, Cuba ainda é um país que intriga muita gente. Um dos poucos remanescentes do socialismo, ideologia que se fortaleceu depois da Segunda Guerra Mundial, a terra de Fidel Castro ainda é um segredo a ser desvendado. Para saber mais, leia: A vida em Cuba e seu contexto político.

Ao caminhar pelas ruas da capital, Havana, você talvez consiga entender melhor o estilo de vida dos cubanos, mas é nos cayos – as mais 1.600 pequenas ilhas do país – que as belas praias lhe farão entender que, fazer uma viagem a Cuba, pode ser ainda mais atraente.

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Um dos corais de Cayo Largo del Sur.

Viagem a Cuba: informações essenciais

Visto | Brasileiros precisam de visto para entrar em Cuba, mas o processo é fácil e pode ser feito no dia da viagem, sem burocracia. Veja mais informações em: Como comprar o visto para Cuba.

Documentos | Para sua viagem a Cuba, além do visto, você vai precisar do passaporte, já que a carteira de identidade não é aceita. No processo de imigração, é necessário informar o endereço onde vai ficar. Então, tenha em mãos os dados do hotel ou da casa particular escolhida por você. Isso vai facilitar sua vida.

Desde 2010, o seguro viagem é obrigatório para quem deseja visitar Cuba. Ele é a garantia de que, em casos de urgência e emergência, você terá atenção médica qualificada e eficiente. Veja como comprar o seu em: Seguro Viagem com desconto.

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O visto para Cuba.

Vacinas | Brasileiros precisam estar vacinados contra febre amarela para fazer uma viagem a Cuba. Essa exigência é recente e passou a ser mais intensificada a partir de 2016, quando o Brasil viveu um surto da doença.

Eu explico como obter seu comprovante em: Como solicitar o certificado de vacinação.

Dinheiro | Cuba tem duas moedas oficias: o peso cubano (CUP), que é usado por quem vive no país, e o peso convertível (CUC), usado pelos turistas. Essa estratégia adotada pelo governo revolucionário em 1994, afeta diretamente o nosso bolso, já que o CUC é, atualmente, equivalente ao euro.

Nos comércios locais, nos hotéis, no táxi e em qualquer outro serviço – com raras exceções – a cotação será de um para um (CUC 1 = EUR1). O dólar não é muito bem aceito, já que os cubanos têm dificuldade de trocá-lo por causa do embargo econômico norte-americano. Além disso, o dólar tem um imposto de 13% sobre a venda. Isso significa que sua cotação sempre será inferior à do CUC.

Para ter mais detalhes, leia: Dinheiro em Cuba: câmbio, taxas e saques.

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Notas de peso convertível, o CUC, usado por quem visita a ilha.

Para sua viagem a Cuba, a melhor opção é levar euros e trocar por CUC na chegada ao país.

É muito importante saber que Cuba é um país onde tudo se faz com dinheiro, então esqueça o cartão de crédito, já que são bem poucos lugares que aceitam o pagamento com tarjeta. Há bem poucos caixas eletrônicos para saques e consultas de saldo no país.

Fuso horário | Uma hora a menos que o horário oficial de Brasília. No horário de verão, essa diferença passa para duas horas.

Língua | O espanhol é a língua oficial do país, mas, geralmente, quem trabalha com turismo fala inglês e, talvez, outra língua europeia. Brasileiros, contando com a boa vontade dos cubanos, se comunicam bem com o portunhol.

Clima |Cuba tem um clima tropical, com dias quentes praticamente o ano todo. O período mais seco e, também, o mais procurado por turistas vai de novembro a março. Julho e agosto também são meses interessantes, apesar das pancadas de chuva no fim do dia.

Nessas duas épocas, os preços ficam, geralmente, 30% mais caros e as reservas em hotéis devem ser feitas com antecedência. No natal e no ano novo, os preços alcançam o mais alto patamar.

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Pôr do sol no Malecón, em Havana.

De abril a outubro, quando o clima é mais instável, é hora de garantir promoções de passagens aéreas e hospedagens com melhores preços, mas é bom evitar o período da páscoa. Maio, junho e setembro são os meses de menor procura.

A temporada de furacões vai de junho a novembro, mas as chances de você encarar um deles é muito pequena. O que acontece, na maioria dos casos, são tempestades que podem estragar seus planos de curtir uma praia. Veja todos os detalhes em: Escolha quando viajar para Cuba.

Segurança e Saúde

Saúde | Os cubanos têm um sistema de saúde com excelentes profissionais e hospitais de ponta em todo o país, e o governo ainda provê praticamente toda a medicação que os pacientes necessitam sem custo algum.

Só que isso não serva para turistas. Para entrar no país, você precisa ter um seguro viagem e, será melhor, levar a medicação básica que você geralmente necessita, já as farmácias são precárias e sempre há falta dos remédios mais procurados, como antialérgicos e analgésicos, por exemplo.

Não é aconselhável beber água da torneira em Cuba, mas tenha cuidado para não se desidratar. Usar repelente e protetor solar são essenciais para sua saúde e conforto.

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Fachada de uma farmácia em Havana.

Segurança | Cuba não é um país com muitos registros de violência e isso é motivo de grande orgulho para os cubanos. Em qualquer hora do dia, eu me senti muito seguro por aqui, mas pode ser que no Centro de Havana, aconteçam pequenos crimes, como furto de bolsas e carteiras, principalmente durante a noite.

Nas ruas da capital, você vai encontrar muitos jineteros, vendedores de charuto que atormentam a paciência de turistas e que se aproveitam dos desavisados. Um dos golpes muito comuns é o da cooperativa de charuto – chamado de tabaco em Cuba. Geralmente, os produtos vendidos em casas escondidas, longe da fiscalização, são falsificados.

Infelizmente, há esse tipo de pessoa em todas as partes do mundo, e o que você precisa é ignorá-los. Quando algum deles se aproximar, evite o contato visual e apenas diga: no, gracias. Eles respeitarão o recado.

Terrorismo | Ameaças de ataques terroristas são praticamente inexistentes em Cuba.

Drogas | O tráfico e o consumo de drogas são fortemente combatidos no país e as punições são bastante severas: Cuba estabeleceu a pena de morte para determinados crimes relacionados à droga em 1999.

Vida gay | Hoje, Cuba é um país bastante livre para gays e lésbicas, se compararmos como era há algumas décadas, segundo denunciaram várias organizações de defesa dos direitos humanos pelo mundo.

Em 1959, ao tomar o poder em Cuba, Fidel Castro declarou que um homossexual não poderia ser um revolucionário. Mais tarde, em 1965, ele e Che Guevara criaram acampamentos de trabalho agrícola onde, em condições desumanas muito semelhantes aos campos de concentração nazistas, gays e outros tipos identificados como marginais eram obrigados a fazer trabalhos forçados por até 16 horas diárias.

Em 1971, uma resolução do Primeiro Congresso Nacional de Educação e Cultura decretou que gays representavam uma patologia antissocial, e que não deveriam ser admitidas manifestações, nem sua propagação, estabelecendo como medidas  preventivas o afastamento de reconhecidos homossexuais.

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Um dos símbolos da revolução é alvo de polêmica.

Na década de 1980, estima-se que dez mil gays e travestis tenham sido expulsos de Cuba e, no início da crise da Aids, o país foi denunciado internacionalmente pela criação de rigorosas prisões para infectados.

Nos últimos anos, o sistema público de saúde cubano tem realizado cirurgias de mudança de sexo e a mídia tem debatido melhor o tema. Muitos desses avanços se devem a Mariela Castro, sobrinha de Fidel e filha do atual presidente de Cuba, Raúl Castro, que é, hoje, a principal defensora dos direitos dos homossexuais no país.

A vida noturna nas principais cidades ainda é tímida, mas uma boa pedida, aqui, são as festas particulares, organizadas por moradores. Cheia de gays locais e turistas, essas festas acontecem, geralmente, nas noites de sexta e sábado, a partir da meia-noite, em Havana. Para saber o que vai rolar na cidade, dê um pulo no Cine Yara, um tradicional ponto de encontro gay na cidade.

Comida | A culinária cubana é muito semelhante à brasileira. O moros y cristianos, principal prato do país, nada mais é que um mexido de arroz e feijão. Entre as carnes, a suína reina absoluta, mas há, também, riqueza em frutos do mar. Independentemente do que você vai comer em sua viagem a Cuba, é indispensável saborear os pratos dos paladares. Eu explico tudo isso com mais detalhes em: Comidas de Cuba: o que comer e beber no país.

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O prato tradicional de um paladar em Havana.

Hospedagem | O grande barato de uma viagem a Cuba é ficar em uma casa particular. Como o próprio nome diz, moradores do país abrem suas casas para receber turistas do mundo todo e compartilham, com eles, a receptividade que lhes é característica.

Muitas dessas casas podem ser contratadas pela internet ou pelo AirBnb, que funciona bem no país. Além disso, há grandes redes de hotéis espalhados pelas ilhas de Cuba. Para saber mais detalhes, leia: Super dicas de hospedagem em Cuba.

Energia elétrica | A tensão elétrica em Cuba é 220 Volts e o tipo de tomada padrão é o de dois pinos chatos. Para usar eletrônicos brasileiros em sua viagem a Cuba, você precisará de um adaptador.

Internet | A velocidade da internet em Cuba é razoável, mas o acesso ainda está basicamente restrito a algumas áreas. Em Havana, há pontos de internet, mas nenhum é gratuito. Eu explico isso melhor em: Como funciona a internet em Cuba.

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Um dos pontos de internet sem fio de Havana.

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Para navegar é preciso comprar cartões como este.

Transporte

Aeroportos | Os principais aeroportos do país são o Aeroporto Internacional José Martí (HAV), em Havana, o Aeroporto Internacional de Santiago de Cuba (SCU), o Aeroporto Jaime González (CFG), em Cienfuegos, o Aeroporto Juan Gualberto Gómez (VRA), em Varadero, e o Aeroporto Internacional Jardines del Rey (CCC), em Cayo Coco.

A companhia aérea nacional é a Cubana de Aviación, mas há muitos voos internos operados pela Aerogaviota. A AeroCaribbean voa para poucas cidades.

Ônibus | A principal empresa de ônibus do país é a Viazul, embora eu não tenha visto nem um de seus ônibus rodando pelo país. Comprar uma passagem com a empresa é uma saga, já que os horários são reduzidos e os veículos estão sempre lotados.

Outra empresa, a Transtur está em todos os lugares, mas serve basicamente para quem compra pacotes com a Cubanacan. A Gaviota também faz traslados para alguns destinos turísticos do país, que, geralmente, são vendidos pela Cubatur.

Para saber mais, leia: Como é viajar de ônibus em Cuba e Como funcionam as agências de viagem em Cuba.

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Um dos muitos ônibus da Transtur que vi em Cuba.Viagem a Cuba: informações essenciais

Transporte público | O transporte público em Cuba ainda é precário. Em cidades maiores, como Havana, os ônibus circulam lotados e, com o calor que faz aqui, qualquer viagem é um sofrimento. O ponto positivo é o preço da passagem: CUP 0,40.

Há inúmeros táxis nas ruas das cidades mais turísticas, mas, como não há taxímetro, é preciso negociar o valor antes de partir. Um táxi do aeroporto até Havana Vieja, por exemplo, deve custar cerca de CUC 25 e a viagem dura, aproximadamente, 35 minutos. O Uber não funciona no país.

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O transporte público ainda é precário no país.

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Além do calor. a lotação é um ponto negativo dos ônibus.

Aluguel de carro | Não é fácil alugar um carro em Cuba. E isso não é apenas pelo preço, mas porque nem sempre há veículos suficientes para atender a demanda. Para saber mais, leia: Dicas para alugar um carro em Cuba.

Viagem a Cuba

Veja todas as dicas para sua viagem a Cuba. Clicando sobre cada item abaixo, você terá informações detalhadas de todas as atividades que fiz em cada uma das cidades que visitei.

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SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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