Viagem à Chapada dos Veadeiros de carro

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Atualizado em 18 de agosto de 2017

Viajante apaixonado por estrada e por fotografia, Diego Gurgel já nos contou sobre sua aventura de dirigir do Acre a Cusco, no Peru. Agora, ele relata a experiência de conhecer a Chapada dos Veadeiros de carro.

Diego e sua esposa, Juliene Ferreira, decidiram encarar essa aventura depois que ele percebeu que muita gente, que ele conheceu em suas viagens frequentes pelas as aldeias indígenas acrianas, já tinha visitado Alto Paraíso de Goiás.

Para entender porque pessoas do mundo inteiro se apaixonam por esse lugar, ele programou uma viagem de carro para Alto Paraíso, no estado de Goiás, onde está o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

Viagem à Chapada dos Veadeiros de carro

Diego e Juliene em uma das estradas da Chapada dos Veadeiros.

A chegada e a primeira cachoeira

Eu e minha esposa moramos no estado do Acre e otimizamos o trajeto pegando um voo até Brasília, onde alugamos um carro. Nós dirigimos por cerca de 240 quilômetros até a cidade de Alto Paraíso, que nos recebeu com um portal em forma de disco voador, já que o lugar tem fama de ser visitado por óvnis. Aqui, já pensamos em voz alta: isso vai ser muito interessante.

Depois de nos instalarmos no Buddy’s Hostel, fomos procurar o que fazer na comunidade, antes de começar a aventura de verdade, a partir do dia seguinte. Não demorou para vermos uma placa indicando a Cachoeira das Loquinhas, que, segundo um morador, era muito próxima e daria para visitar naquela mesma tarde.

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Uma das placas que indicam o caminho para as cachoeiras.

Dirigimos por 40 minutos em uma estradinha de chão e pedra, pagamos R$ 25 para entrar na propriedade, e fomos visitando cada quedinha d’água. A trilha inteira é feita em deque de madeira, com acessibilidade nota dez para todo tipo de público, inclusive crianças.

A água, como em toda boa cachoeira, é muito gelada, vale ressaltar, e, devido à proximidade com a cidade, não é difícil encontrar outros turistas ao longo da trilha.

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O poço da Cachoeira das Loquinhas.

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A água é gelada, mas o visual é encantador.

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Poço do Sol: esse é o lugar para o você curtir a cachoeira.

Cachoeiras Almécegas e São Bento

Assim como nas Loquinhas, esse circuito de três cachoeiras não precisa de guia. Nessa região, algumas trilhas só podem ser feitas com guias sindicalizados e credenciados e é importante saber disso.

No caminho, subimos algumas ladeiras mais puxadas, todas cercadas pela mais linda paisagem do Cerrado brasileiro. A entrada nessa propriedade custa R$ 30.

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Vista das Cachoeiras Almécegas I.

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A cachoeira vista de perto.

Antes de dar um mergulho na Cachoeira Almécegas I, fizemos uma parada para contemplar o esplendor da queda d’água. Depois de mergulhar nas revoltosas águas de Almécegas I, seguimos para a menor, Almécegas II, e depois a de São Bento, que estava super cheia por conta das chuvas.

Catarata dos Couros

No dia seguinte, fomos à Catarata dos Couros, já com a presença obrigatória de uma guia. A Juliana foi uma professora e grande parceira. Ao longo do trajeto, compreendemos a importância de uma guia, que enriquece o passeio e, ao mesmo tempo, não deixa que turistas se percam e impede que os mais afoitos façam bobeira ao subestimar os riachos e poços. Outra vantagem é que o preço cobrado pelos guias – R$ 150, em média – é dividido pela quantidade de pessoas no grupo.

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A trilha pelo Cerrado brasileiro.

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Há trechos que exigem um pouco de cuidado, mas é tudo inspirador.

Eu considero esse passeio um pouco mais avançado, devido à dificuldade na caminhada. O terreno é acidentado e há a necessidade de fazer paradas para tomar um fôlego maior.

Aqui, vários paredões, mirantes e pequenos banhos já nos divertem no caminho. Mas o que mais impressiona é um grande cânion no final, que é, simplesmente, poderoso e lembra uma cena vinda do filme Avatar, de James Cameron.

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A belíssima Catarata do Couro.

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O turbilhão de água que desce das quedas d´água.

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A paisagem mais linda desse lugar é este cânion.

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Como não sentir paz em um lugar assim?

Depois de tudo isso, é hora de almoçar. Paramos na casa de dona Luzia, que junto com seus filhos e esposo, preparam uma legítima comida da roça: galinha caipira, guisados, pequi e doces diversos. O almoço custou R$ 30.

A dona Luzia é simplesmente um amor de pessoa. Depois de uma cesta e de uma boa prosa, voltamos para vila para descansar para a atividade do dia seguinte: visitar a Cachoeira Santa Bárbara.

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Dona Luzia e seu fogão à lenha.

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Boa de papo, esta senhora nos recebeu muito bem em sua casa.

Cachoeira de Santa Bárbara

Seguindo nossa viagem pela Chapada dos Veadeiros de carro, acordamos cedo e seguimos para o município de Cavalcante, distante mais de duas horas de Alto Paraíso. A viagem é feita em estrada de chão até as proximidades da comunidade Kalunga. Aqui, pagamos R$ 30 para entrar. A partir deste ponto, mais estradinhas e, depois, trilhas até as cachoeiras de Barbarinha e Santa Bárbara.

O caminho é tão lindo que não percebemos a distância. Só que ao chegar diante da Barbarinha, uma espécie de filha da cachoeira maior, ficamos impressionados com a cor da água: azul celeste, mas, dependendo da incidência de sol, fica esverdeada. A dica é visitar antes do meio-dia justamente por esse motivo. Depois de uma parada para fotos e mergulhos, seguimos para a Santa Bárbara.

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A Cachoeira Barbarinha.

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A cor esmeralda do poço que se forma na cachoeira.

Ao chegar aqui, não sabíamos se tirávamos fotos, filmávamos ou se mergulhávamos. É impressionante a cor da água. De fora, é extremamente azul e, debaixo, transparente como vidro. Foi simplesmente impressionante passar algumas horas aqui.

Depois de um dia de sol incrível, voltamos para o carro, pegamos outra estradinha para a casa de uma moradora de Kalunga, que preparou outro almoço surreal: peixe, mandioca frita, arroz, feijão e suco de todo tipo. Tudo pescado e produzido na região.

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A Cachoeira Santa Bárbara era o lugar mais esperado do viagem.

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O poço da Cachoeira Santa Bárbara.

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Hora de agradecer por tudo na Cachoeira da Capivara.

A noite em Alto Paraíso

Depois de nos esbaldar com tudo isso, voltamos a Alto Paraíso e escolhemos um barzinho bem descolado para nos lembrar das aventuras e trocar fotos. Na avenida principal, há bares, restaurantes, cafés e, nos arredores, muitos outros picos diferenciados. Jantamos num bistrô italiano que funciona na garagem de uma casa. Aqui, a própria dona cozinha pequenas, mas incríveis porções da gastronomia italiana. Tudo aprendido com os pais e avós.

Depois, caminhamos até um barzinho que toca apenas discos de vinil e serve crepes e panelinha goiana, uma miscelânea de pratos goianos tradicionais, mas em pequenas porções.

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Um dos cafés de Alto Paraíso.

Uma coisa muito interessante sobre Alto Paraíso é o preço camarada. Considerando que a cidade respira turismo, não é caro se divertir por aqui. Sem contar com o astral da cidade que é simplesmente relaxante. Aqui, ninguém parece estar preocupado ou apressado para qualquer coisa.

As lojinhas de artesanato locais são um espetáculo: você vai encontrar muitos cristais, desde os mais comuns na região até os mais raros. Para quem gosta de cerveja artesanal, Goiás está de parabéns. Aqui tem todas.

Planeje sua viagem à Chapada dos Veadeiros de carro

Quanto custa | A maioria das cachoeiras fica em áreas privadas e é preciso pagar uma taxa para entrar. A entrada varia em torno de R$ 25 e em alguns casos será preciso contratar um guia, que cobra, em média, R$ 150, por grupo.

Quando ir | A melhor época para conhecer a Chapada dos Veadeiros é nos meses de abril a outubro, quando chove menos. Nesta temporada, as cachoeiras mantêm um bom volume de água, mas, no verão, de dezembro a fevereiro, por causa do risco de trombas d’água, o acesso a algumas cachoeiras fica proibido. Para Chapada dos Veadeiros de carro você pode usar um veículo popular, mas é importante estar com as revisões em dia.

Viagem à Chapada dos Veadeiros de carro

O veículo usado na viagem.

Como chegar | O aeroporto mais próximo é o Aeroporto Internacional de Brasília (BSB), que fica a 230 quilômetros de Alto Paraíso de Goiás. Para viajar até à Chapada dos Veadeiros de carro, a melhor opção é alugar um veículo em Brasília.

Onde ficar | Em Alto Paraíso, uma das cidades mais importantes da Chapada dos Veadeiros, as ruas são calçadas e há várias opções de pousadas e hostels. O Diego e sua esposa ficaram no Buddy’s Hostel. Uma dica muito importante é fazer a reserva com antecedência, pois, na alta temporada ou em feriados prolongados, a cidade fica cheia. Veja onde se hospedar em Alto Paraíso.

Onde comer | Na avenida principal de Alto Paraíso há inúmeras opções de bares, cafés e restaurantes. Com preços diversos, sempre haverá uma boa opção. Aqui, você pode escolher entre pratos da culinária local, como especialidades goianas, ou refeições da gastronomia mundial servidas em pequenos negócios familiares.

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Cuidados | Embora os casos de malária e de febre amarela sejam muito restritos, é importante saber se prevenir. Veja quais os cuidados você deve ter em: Dicas para evitar malária e febre amarela. Não se esqueça de se hidratar e de usar protetor solar, mesmo nos dias nublados.

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SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

8 Comentários

  1. Cara, que sensacional…Deixa eu te perguntar, sempre viajamos com nossa cachorra, inclusive ela não pode ver uma cachoeira que se atira, voce acha que nestes lugares que vc passou é tranquilo levar ela.???

    OBrigado

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