O Templo de Hatshepsut, mãe adotiva de Moisés

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Atualizado em 6 de junho de 2017

Em todo o Egito, não são raros os registros de mulheres que alcançaram o poder. Uma dessas histórias eu conheci quando visitei o Templo de Hatshepsut, em Luxor. Ela foi uma das mulheres mais poderosas do Antigo Egito, muito mais do que as famosas Cleópatra e Nefertiti.

A história conta que a esperteza dessa rainha a fez memorável e digna de reconhecimento: filha de faraó, a jovem Hatshepsut se casou com seu irmão, o primeiro na linha sucessória, quando tinha apenas 14 anos. Naquela época, era comum o casamento entre membros da família real, já que apenas os filhos da mesma linhagem poderiam assumir o trono.

O Templo de Hatshepsut, mãe adotiva de Moisés

Estátuas da rainha Hatshepsut representando-a com barba como se fosse homem.

Quando o faraó – seu marido e irmão – morreu, seu filho ainda era muito jovem e não podia assumir o poder, foi então que Hatshepsut se ofereceu para reinar provisoriamente, alegando que era filha do deus Amon-Rá e que, portanto, uma semideusa teria o direito de assumir o trono, mantendo o poder em seu núcleo familiar.

O reinado de Hatshepsut foi conhecido por um período de paz e de grande estabilidade econômica. As viagens e expedições da rainha pelos países da Ásia e do Mar Vermelho também lhe trouxeram fama. Toda a área em frente ao Templo de Hatshepsut era um imenso jardim com espécies da fauna e da flora de diferentes lugares.

O Templo de Hatshepsut, mãe adotiva de Moisés

Detalhe do imponente templo de Hatshepsut.

O Templo de Hatshepsut, mãe adotiva de Moisés

Algumas pintura do templo estão quase intactas mesmo após tantos séculos.

Outra história muito interessante sobre Hatshepsut é que egiptólogos afirmam que ela foi mãe adotiva de Moisés. Como está escrito na Bíblia,  Hatshepsut tinha ido se banhar no Rio Nilo quando viu um cesto no meio do vegetação e mandou uma de suas criadas ir ver o que era. No cesto estava Moisés, que, mais tarde, libertou do povo de Israel do cativeiro no Egito.

Templo de Hatshepsut

O Templo de Hatshepsut é imponente. Construído em uma imensa área aberta na região do Vale dos Reis, desde 1891 ele tem sido alvo de pesquisas e escavações que têm revelado ao mundo suas belezas e maravilhas. Considerado um dos mais importantes de todo o Egito, por sua arquitetura inovadora para a época, ele foi construído em três andares  entre os anos 1473-1458 a.C.

Mas, infelizmente, as histórias desse lugar não são apenas de tranquilidade. Em 1997, o templo foi cenário de um triste atentado terrorista envolvendo turistas. Conhecido como o Massacre de Luxor, o ataque vitimou fatalmente 58 turistas e deixou tantos outros feridos.

O Templo de Hatshepsut, mãe adotiva de Moisés

Outras colunas externas do templo.

O Templo de Hatshepsut, mãe adotiva de Moisés

Vista geral da área onde o templo foi construído.

Antes de minha viagem para o Egito, eu li algo sobre esse horrível acontecimento e, mesmo temeroso, não deixei de visitá-lo. E não me arrependo. Veja como a Wikipédia descreve o que aconteceu aqui naquele manhã do dia 17 de novembro.

Seis terroristas islâmicos, suspeitos de pertencer ao grupo Vanguardas da Conquista, uma facção da Jihad Islâmica do Egito, chegaram ao templo por volta das 8h45 e assassinaram dentro do templo, durante 45 minutos, com metralhadoras e facas, 58 turistas.

Entre os mortos – trinta e seis suíços, dez japoneses, seis britânicos, quatro alemães, um francês, dois colombianos e outro de dupla nacionalidade búlgara e britânica. Além destes, também morreram quatro egípcios – três policiais e um guia turístico – e saíram feridos doze suíços, dois japoneses, dois alemães, um francês e nove egípcios.

Logo após o massacre, os terroristas sequestraram um ônibus e fugiram em direção ao Vale das Rainhas, mas foram mortos em um tiroteio com a polícia turística armada e com forças militares.

Depois desse fato, o acesso aos templos passou a ter detectores de metais, as viagens noturnas de trem são restritas a vagões turísticos e muitas outras medidas foram adotadas para aumentar a segurança do turista. Particularmente, eu não tive sensação de insegurança em nenhuma cidade ou monumento que visitei.

O Templo de Hatshepsut, mãe adotiva de Moisés

A fachada e a entrada principal pela rampa.

O Templo de Hatshepsut, mãe adotiva de Moisés

O pátio onde ficava o imenso jardim.

Planeje sua visita ao Templo de Hatshepsut

Quanto custa | A entrada no Templo de Hatshepsut custa EGP 50 e estudantes pagam a metade.

Quando ir | A visita ao templo pode ser feita todos os dias , das 6h às 17h. A melhor época para visitar o Egito é de outubro a maio, quando as temperaturas não são muito agressivas. Nos outros quatro meses – junho, julho, agosto e setembro –, é verão no Egito e as temperaturas muitas vezes podem chegar perto dos 50 graus, principalmente em Luxor, Aswan e em outras partes do sul do país. Apesar do calor, é nessa época que dá para ver o país sem aqueles milhões de turistas.

Nos feriados de fim de ano e na Páscoa, tudo fica muito mais tumultuado por causa dos turistas europeus que chegam aqui com frequência – principalmente para fazer um cruzeiro pelo Rio Nilo.

Como chegar | Não há transporte público que chegue ao Templo de Hatshepsut.  Portanto, a forma mais fácil de fazer a visita é contratando um passeio com tudo incluso, mas não se esqueça de negociar o preço antes de pagar. Uma boa opção é consultar a recepção de seu hotel. Para chegar a Luxor, cidade a 700 quilômetros do Cairo, leia esse post: O trem para Luxor e Aswan.

O Templo de Hatshepsut, mãe adotiva de Moisés

Esses meninos pediram uma foto comigo enquanto visitávamos o templo.

Onde ficar | Luxor é destino de turistas do mundo todo – principalmente europeus e asiáticos – e a oferta de hospedagem aqui é bem ampla: vai de resorts à beira do Rio Nilo até hostels baratinhos. Veja as melhores opções disponíveis na cidade.

Visto | Brasileiros precisam de visto para entrar no Egito. Mas o processo é simples e rápido. Todos os detalhes que você precisa saber estão aqui: Como solicitar o visto para o Egito.

Comida e Costumes | Se você nunca viajou para um país árabe, é importante saber um pouco da cultura para minimizar o impacto. Eu escrevi sobre algumas experiências que tive no post Costumes e comida do Egito.

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SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

4 Comentários

  1. Seus relatos são perfeitos, obrigada por compartilhar!! Como é feito com a comprovação de ser estudante? Vale nossa carteira de estudante daqui do Brasil? E é fácil contratar um guia que fale português ou é preciso já sair do Brasil com um contratado? Eu pretendo ir final do ano, não falo inglês e talvez vá sozinha. Tô correndo atrás de aprender inglês, mas não sei como será até lá. Então, para minha segurança eu conseguiria contratar esses pacotes turísticos no próprio hotel? Sai mais caro que sair procurando em empresas de turismo?
    Gratidão.

      • Olá Altier e Tainá,
        Estive ainda na semana passada no Egito e vi e ouvi alguns guias falando em português.
        Normalmente viajo sozinha e por conta própria, mas desta vez preferi não arriscar e fui com um pacote feito pela agência e pelo que vi ainda bem, já que as deslocações por lá não são assim tão fáceis. Lá tive um guia em espanhol (mas que também falava português) já que a maioria do grupo era de espanhóis. A operadora local chamava-se City Moon e lá também dispunha de uma série de passeios extras
        PS – fiz um roteiro de 3 dias de cruzeiro no Nilo – com visitas a algumas cidades e templos no caminho; 3 dias no Mar Vermelho – em Urgharda e 3 dias no Cairo

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