O melhor roteiro de viagem ao Jalapão

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Atualizado em 22 de setembro de 2017

Se você está planejando uma viagem ao Jalapão, esse roteiro de quatro dias é uma mão na roda. Mas, antes de pegar a estrada, é preciso saber que nessa paisagem remota e ainda muito carente de infraestrutura não há estradas pavimentadas e tudo é imprevisível.

Eu viajei a convite da Cerrado Dourado e experimentei quatro dias de puro êxtase. Mergulhando em cachoeiras de águas translúcidas, subindo montanhas para assistir, lá do alto, ao nascer do sol e desfrutando dos famosos fervedouros, eu conheci o Jalapão sem preocupação e sem estresse.

O melhor roteiro de viagem ao Jalapão

Uma das (melhores) estradas do Jalapão.

Por isso, eu sugiro que você contrate um passeio guiado, de preferência em um veículo com ar-condicionado, já que em algumas áreas do Jalapão os termômetros registram temperaturas acima dos 50 graus.

Eu fiz os cálculos e, contando os gastos com aluguel de um veículo 4×4, combustível, alimentação, hospedagem e a entrada nos atrativos, viajar de forma independente fica mais caro dependendo do número de passageiros. Para saber todos os detalhes, eu sugiro que você leia Como é viajar pelo Jalapão de carro. Você também pode ler todos os textos do Jalapão.

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Nos povoados, você encontra energia elétrica. Sinal de celular, nem sempre.

Primeiro dia: cachoeiras e montanhas

Minha viagem ao Jalapão começa em Palmas, capital do Tocantins, e segue até Taquaruçu, um distrito mais afastado da cidade. Aqui, eu visito as primeiras cachoeiras dessa expedição: a Escorrega Macaco e a Roncadeira. Apesar de elas estarem com o fluxo bem menor por causa da seca, o visual é interessante. Veja os detalhes dessa parada em Conheça as cachoeiras de Taquaruçu.

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A queda de 70 metros da cachoeira da Roncadeira.

Depois de dar um mergulho nas águas geladas da Roncadeira, sigo para o Cânion do Sussuapara, que fica a 20 quilômetros de Ponte Alta do Tocantins, a próxima cidade do roteiro.

O cânion que se abre na rocha arenosa esconde uma pequena queda d’água que dizem realizar desejos secretos: você só precisa entrar debaixo da pequena cachoeira, fechar os olhos e ter pensamento positivo. Eu conto mais detalhes em O Cânion do Sussuapara e a cascata dos desejos.

Depois de alguns quilômetros de viagem, faço uma parada nas cachoeiras do Rio Soninho. Descendo por uma laje de Pedras, o rio, que tem fama por suas águas tranquilas, ganha força e esculpe nas rochas uma cratera profunda e perigosa.

É impossível tomar banho aqui, mas, poucos metros acima da queda principal, há outras menores e é nelas que eu me refresco do calor quase insuportável do Jalapão. Veja mais detalhes em As cachoeiras do Rio Soninho, no Jalapão.

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Vista da maior cachoeira do Rio Soninho.

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Mergulho com a vista das cascatas ao fundo.

O Morro da Cruz acompanha praticamente todo o cenário dessa região e não será difícil notá-lo. Imponente, essa é a montanha mais alta daqui e, justamente por isso, sempre foi usada como ponto de orientação pelos primeiros exploradores do Jalapão.

O monte recebe esse nome por causa de um antigo cemitério que foi estabelecido aos seus pés, embora muitas cruzes já tenham sido consumidas pelos incêndios que são frequentes nesta região. Eu explico todos os detalhes em As histórias do Morro da Cruz.

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O paredão do Morro da Cruz.

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Pôr do sol com o Morro da Cruz na paisagem.

No fim da tarde, minha viagem ao Jalapão segue em direção à Pedra Furada. É daqui que assisto ao fim do dia, contemplando o pôr do sol sobre o cerrado. Na rocha erodida, grandes buracos nos permitem ver o astro rei emoldurado, enquanto revoadas de periquitos completam o cenário com uma trilha bastante peculiar. Veja mais informações em O incrível pôr do sol na Pedra Furada.

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O pôr do sol visto a partir da Pedra Furada.

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O incrível pôr do sol na Pedra Furada.

Daqui, volto para Ponte Alta do Tocantins, onde janto e durmo na Pousada Águas do Jalapão.

Segundo dia: rafting e dunas

Meu dia começa às 7h com um café reforçado e, antes das 8h, já estou na estrada para a Cachoeira do Lajeado, parada que inicialmente não estava prevista no meu roteiro. Aqui, a queimada é recente, mas, em pouco tempo, eu sei que a vegetação se recuperará. Por causa da seca, o volume de água é bem baixo, mas o poço que se forma aos pés da queda d’água revela sua força.

A Cachoeira da Velha é minha próxima parada. Aqui, contemplo a beleza das quedas e faço o rafting pelo Rio Novo até chegar à prainha. Um dos momentos mais fantásticos desse passeio foi quando o nosso bote passou debaixo da queda d’água. Veja os detalhes em Como é o rafting na Cachoeira da Velha.

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Remando contra a forte correnteza.

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A descida no Rio Novo.

A viagem ao Jalapão segue e chego, então, ao Povoado Rio Novo. Aqui, experimento sorvete artesanal de mangaba e conheço um pouco mais do estilo de vida de quem mora no Jalapão.

A parada é rápida e logo estou na estrada novamente. A Serra do Espírito Santo e o Morro Saca-Trapo surgem na frente do carro e vão me acompanhar até a próxima parada.

O dia já está terminando e o pôr do sol será em um dos lugares mais emblemáticos dessa região: as Dunas do Jalapão. Formadas pela areia que desce a serra trazida pelo vento, as dunas alaranjadas ganham ainda mais cor com os raios de sol. Veja mais em As dunas do Jalapão e a vida no paraíso.

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A paisagem que vejo na chegada das dunas.

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A paisagem dourada das dunas do Jalapão.

A noite chega e sigo para Mateiros, que fica a cerca de 50 quilômetros das dunas. É nessa cidade, considerada a capital do Jalapão, que durmo. A Pousada Santa Helena é a melhor da cidade, e eu tive a sorte de conseguir um quarto aqui.

Terceiro dia: trilha e fervedouros

O terceiro dia da minha expedição começa bem cedo. Acordo às 3h15 da manhã para subir até o topo da Serra do Espírito Santo para ver do alto toda a região que conheci durante o dia. Quando o sol aponta no horizonte, tudo ganha vida e cor: as dunas aos pés do monte, as montanhas no horizonte, o despertar dos pássaros. Tudo acontece na mais perfeita harmonia.

Para saber mais sobre essa imperdível atividade, leia Como é subir a Serra do Espírito Santo, no Jalapão.

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Os primeiros raios de sol colorem o Jalapão.

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O sol sobre a Serra do Cinzeiro.

Depois de um café reforçado, pego a estrada em direção à Cachoeira do Formiga. Com água verde-esmeralda, o poço que se forma no fim da cachoeira é simplesmente uma das melhores coisas que já tinha visto nessa viagem. Mergulho muitas e muitas vezes como se não acreditasse que isso é real. Para saber mais, leia A indescritível Cachoeira do Formiga.

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A bela Cachoeira do Formiga.

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Olha a cor dessa água.

Os fervedouros são, para a maioria dos viajantes, os grandes atrativos do Jalapão. Aqui, onde as nascentes trazem água do fundo da terra, o solo arenoso cria uma ilusão como se tudo estivesse realmente fervendo.

Ao todo, existem oito fervedouros que podem ser visitados. O primeiro da minha lista é o Fervedouro do Rio Sono. Ele fica na propriedade da Dona Olaídes, que prepara um almoço caprichado servido no fogão à lenha em um galpão de terra batida e coberto com palhas de piaçava, palmeira abundante na região.

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A poucos quilômetros daqui, faço outra parada. Dessa vez, vou conhecer o Fervedouro dos Buriti, que fica na terra do Seu Lino, dentro de uma comunidade quilombola. Eu confesso que é uma sensação estranha pisar nos buracos que, apesar de terem uma profundidade absurda, não nos deixam afundar por causa da pressão da água que brota da terra. Mas, depois de um tempo, relaxo e já me sinto confiante para flutuar nesses lagos de águas cristalinas.

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O Fervedouro do Buriti.

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Aproveite para abusar nas fotos.

Antes de o dia terminar, eu ainda conheço o Fervedouro Encontro das Águas. Ele é pequeno, mas é o mais forte de todos.

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O fervedouro Encontro das Águas.

Depois de usufruir dos fervedouros, eu sugiro que você faça como eu e vá ao Rancho 21, para experimentar a comida da Dona Terezinha, mineira que sabe fazer um delicioso arroz de cuxá. Novamente, durmo na Pousada Santa Helena.

Quarto dia: um pouco de tudo

Meu quarto dia de viagem pelo Jalapão começa na estrada, seguindo para o Fervedouro do Buritizinho. Ele fica nas terras do Seu Nô, descendente de quilombola e, talvez, esse seja o que tem menos infraestrutura. Justamente por isso é importante obedecer às regras de não pular e andar sobre as placas de madeira colocadas nas margens.

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As águas que nascem do chão.

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Esse é o mais ‘natural’ de todos os fervedouros.

O maior e mais bonito fervedouro do Jalapão fica em São Félix do Tocantins, e se chama Fervedouro Bela Vista. Ele tem uma infraestrutura melhor, com trilha calçada e um deque muito bacana. A beleza desse lugar é algo praticamente inacreditável. A cor e a temperatura da água, a vegetação ao redor, os peixinhos que nos acompanham nos fazem ter vontade de ficar o dia inteiro aqui dentro.

Para saber mais detalhes dos fervedouros, leia Os incríveis fervedouros do Jalapão.

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O Bela Vista, é o mais lindo de todos.

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A nascente é cheia de peixinhos que nos acompanham no mergulho.

A minha próxima parada é na Cachoeira das Araras. Na propriedade do Seu Hélio, sou recebido com atenção e fartura. O almoço é seguido de uma breve soneca na rede que fica debaixo de um enorme pé de manga.

Com as forças renovadas, desço poucos metros até a cachoeira, que também está com o nível de água bem abaixo do normal, mas, mesmo assim, encanta por sua beleza: os paredões são cobertos pela vegetação e o lago tem tons dourados, dependendo da posição do sol.

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A Cachoeira das Araras com um fluxo bem menor que o normal.

No caminho de volta a Palmas, ainda faço uma parada no Morro da Catedral para registrar a curiosa formação dessa montanha que realmente parece a fachada de uma igreja.

Minha última parada antes de terminar minha viagem ao Jalapão é no Morro Vermelho, que fica na região da Serra do Gorgulho. De carro, passo pela Chapada das Onças, uma região onde o avistamento de onças é mais frequente. Infelizmente, eu não tive a sorte de ver o felino mais temido do Brasil.

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A Serra da Catedral: não parece mesmo a fachada de uma igreja?

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A paisagem exótica da Serra do Gorgulho.

Planeje sua viagem ao Jalapão

Quanto custa | O pacote de quatro dias no Jalapão custa R$ 1.999, mas há descontos para grupos e famílias. Esse preço inclui transporte em veículos 4×4, hospedagem em pousadas, refeições típicas, água mineral e lanches durante os deslocamentos, taxas de entrada nos atrativos e o guia de turismo. O rafting na Cachoeira da Velha custa R$ 150, e a subida na Serra do Espírito Santo, R$ 100.

Quem leva | Eu fiz minha viagem ao Jalapão com a Cerrado Dourado e percebi que o serviço deles é um dos melhores do Jalapão. O veículo tem ar-condicionado, é confortável e espaçoso. As pousadas e as paradas para almoço e jantar são escolhidas pela qualidade. As informações e as dicas do guia também foram essenciais para que eu entendesse melhor esse lugar.

Quando ir | Dá para conhecer o Jalapão durante todo o ano, mas o melhor período é de maio a outubro, sendo que os meses mais interessantes são de junho a setembro. Outubro é o mês mais quente. Em julho e nos feriados, a chance de encontrar os atrativos lotados é maior. As chuvas são mais frequentes de novembro a abril, mas são raros os dias de chuva constante.

Como chegar | O aeroporto de Palmas é o mais próximo do Jalapão. A capital tocantinense fica a 270 quilômetros de Mateiros, considerada a principal cidade do Jalapão, e a 260 quilômetros de São Félix do Tocantins. É fácil chegar de veículo comum a essas cidades, mas daqui para frente somente com um 4×4 o trajeto é feito com segurança.

Muitos turistas que tentam visitar o Jalapão de forma independente acabam não aproveitando todos os atrativos e, na maioria das vezes, têm o carro atolado. Os problemas são tão frequentes que muitas locadoras de Palmas se recusam a alugar veículos para turistas que têm como destino o Jalapão. A justificativa é que, em caso de pane ou de acidentes, o guincho do seguro não chega aqui. Por isso, a melhor forma de chegar ao Jalapão é contratando uma agência que conheça bem a região.

Para planejar melhor sua viagem, leia Como é viajar pelo Jalapão de carro.

Onde ficar | Durante minha viagem ao Jalapão, eu me hospedei na Pousada Águas do Jalapão, em Ponte Alta do Tocantins, e na Pousada Santa Helena, em Mateiros, mas é importante lembrar que a escolha dos locais de hospedagem varia de acordo com a disponibilidade.

Em Palmas, eu me hospedei no MAC Hotel. Inaugurado recentemente, ele fica no centro, bem perto da Praça dos Girassóis, e tem quartos confortáveis e equipados com ar-condicionado – item essencial no Tocantins – televisão e internet. O café da manhã é básico, mas saboroso. Outro fator importante é que o preço das diárias cabe no nosso bolso. Se preferir, consulte outras opções de hospedagem na cidade.

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O último pôr do sol que vejo no Jalapão: que não nos falte viagens boas assim.

O que levar | Como aqui faz sol praticamente o ano inteiro, é indispensável trazer protetor solar, roupas leves e um boné ou chapéu. Repelente de insetos, sandálias, tênis confortável e uma garrafinha de água também devem estar em sua bagagem.

Minha viagem teve o patrocínio de Cerrado Dourado.

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SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

16 Comentários

  1. Altier! Tudo certo?

    Sou geólogo, acostumado com muito morro, muita trilha, muito perrengue….e teus pontos do Google Maps me deram uma ótima (se não, a melhor!) base para poder me preparar para o Jalapão! Ótimo material! Parabéns!

  2. WILLIAM DE OLIVEIRA COSTA on

    Altier,
    Parabéns pelos relatos e dicas, excelentes!!
    Faço somente uma ressalva..
    É possível conhecer o Jalapão de forma independente, pois fiz isso em 2103. Eu e dois amigos saímos de Brasília num Pajero TR4. De fato tem que ter experiência em viagens independentes e desvincular do mundo urbano e não entrar em pânico. O único passeio que utilizamos a tração foi na ida as Dunas.
    Portanto com a visão e espírito de viajante vc consegue sim fazer o Jalapão de forma independente.
    Novamente, parabéns!!
    Abraços,
    William

    • Altier Moulin

      Oi, William.

      É isso mesmo. Claro que é possível fazer de forma independente, só é preciso estar preparado.
      Vejo pela internet muita gente minimizando os desafios do Jalapão, dizendo que qualquer carro chega lá, que é fácil encontrar os atrativos, etc.
      Só quem já foi sabe como é, não é mesmo? Só sei que vale muito a pena.

      Um abraço.

  3. oi Altier! estou indo pro Jalapão mês que vem… e minha única preocupação é com os insetos!! 😲
    carrego meu repetente mas como sou alérgica, gostaria de saber se isso pode ser um problema.
    parabéns pelo relato! ótimas dicas e lindas fotos!

    • Altier Moulin

      Oi, Denise.

      Como você estará literalmente no meio do mato, há insetos sim.
      Prefira, então, usar roupas de manga longa e calças de tecidos leves, próprios para trilha, e abuse do repelente.

      Um abraço.

  4. Altier,
    Estou desejando conhecer Jalapão, achei o seu roteiro completíssimo e o perido de quatro dias para mim tbm seria ideal. Mas me pintou uma dúvida, esse seu roteiro foi td guiado?
    Tipo, vc comprou o pacote q incluía a visita a tds esses lugares e as hospedagens dos hotéis nas distintas cidades?

    Abraço

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