Mina da Passagem: do ouro às águas claras

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Atualizado em 22 de fevereiro de 2018

No caminho entre Ouro Preto e Mariana, em Minas Gerais, está a maior mina de ouro ainda aberta a visitação de todo o planeta. Aqui, a extração desse precioso metal começou em 1719. A mina chegou a ter quatro mil trabalhadores – a maioria deles escravos – durante o seu período mais produtivo.

Até 1985, foram extraídas daqui mais de 35 toneladas de ouro que, curiosamente, não aparece em forma de pepita, mas em pó, o que tornava o processo de mineração muito mais complexo.

Hoje, a história é bem diferente. Boa parte dos seus onze quilômetros de túneis, divididos em cinco níveis, estão alagados e para chegar lá embaixo, embarco em um troller que tem pelo menos 130 anos de funcionamento. Esse pequeno trenzinho me leva até 120 metros de profundidade. Sobre minha cabeça estão 100 metros de rocha e outros 20 de terra, mas não há motivos para temer. A Mina da Passagem é uma das mais seguras do mundo, devido à sua formação geológica, com rochas compostas por 32 diferentes minerais.

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Apesar de toda essa história e do ambiente interessantíssimo, o que mais me chamou atenção foi o lago de cor azulada que vi por aqui. Na verdade, essa água que alaga alguns dos túneis e brota do lençol freático no fundo das galerias, está carregada de elementos químicos tóxicos, como o arsênio. Então, acho que agora você está imaginando como tive coragem de entrar nessa água. Calma. Eu vou te explicar.

De forma geral, não é permitido nadar no lago, mas não é somente pela composição da água: na verdade a quantidade de minerais que aqui estão, não apresentam risco à minha saúde. Seria diferente se eu fizesse uso frequente dessa água, mas não é o caso. Logo, mergulhar por alguns minutos nesse lago azul de água gelada só me fará bem.

A decisão de proibir o mergulho no lago se dá muito mais por questões de segurança, já que não o condutor teria que dividir sua atenção entre os visitantes  que estão nadando e os que estão querendo conhecer a mina. Eu só consegui entrar na mina porque estava em grupo especial e tive autorização do condutor, que atendeu ao meu pedido.

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O lago que se formou com a escavação.

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Como não dar umas braçadas nessas águas?

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Mesmo a 120 metros debaixo da terra, as águas são muito claras.

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Festejando o nosso banho no lago de arsênio.

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Foto estratégica: reparem na placa.

Como visitar a Mina da Passagem

Quanto custa | A entrada custa R$ 35.

Como chegar | Mariana fica a 118 quilômetros de Belo Horizonte. O acesso é feito pelas rodovias BR-040 e BR-356. A empresa Pássaro Verde tem ônibus partindo da capital mineira em direção a Mariana. A Viação Transcotta é quem faz a linha entre Ouro Preto e Mariana. A Mina da Passagem fica a cinco minutos de Ouro Preto, na estrada em direção a Mariana.

Quando ir | A visita pode ser feita de segunda a domingo, das 9h às 17h30.

* Minha viagem a Mariana aconteceu a convite do Instituto Estrada Real e teve o apoio da Bancobras. Outros seis blogs também participaram, são eles: Dentro do MochilãoSegredos de ViagemTerritóriosTrilhas e AventurasViajando com Eles e Viagens Cinematográficas. Para acessar todo o conteúdo publicado, utilize a #BlogueirosnaER.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

11 Comentários

    • Altier Moulin

      Oi Suellen,

      Eu estava viajando a convite do pessoal da Estrada Real, então eles conseguiram uma liberação especial. Sortudo eu, né!? 🙂

      Um abraço.

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