De Cartagena ao Parque Tayrona

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Atualizado em 27 de setembro de 2017

O estudante de medicina Luan Montalvão Galvão fez a aventura de sair de Cartagena para conhecer o Parque Nacional Natural Tayrona e, neste texto, ele compartilha conosco as suas impressões e decepções. Em um relato detalhado – o que nos ajuda muito na hora de planejar uma viagem –, Luan conta como é chegar, dormir e acordar nesse paraíso de 150 quilômetros quadrados. Leia, então, essa história de viagem.

“Depois de ouvir muito falar sobre o Parque Tayrona, a 34 quilômetros de Santa Marta, na Colômbia, resolvi visitá-lo e conferir com meus próprios olhos do que se tratava. Moro numa região de muita Mata Atlântica no Brasil, então, de início, estava um pouco duvidoso se realmente valeria a pena. Cheguei até a cogitar trocar esse passeio por outras opções mais urbanas. Estaria eu certo? Felizmente não. Apesar da longa jornada, pude apreciar um dos exemplares mais belos da natureza colombiana, e já explico o porquê.

O caminho foi longo, cerca de seis horas de ônibus separam Cartagena, onde eu estava hospedado, do parque Tayrona. Antes de partir, conheci alguns viajantes que passaram várias noites no parque e estavam hospedados em Santa Marta, cidade muito mais próxima. Porém, não deixei a longa distância ser um empecilho para a minha aventura, e posso adiantar que não me arrependi.”

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O visual do Parque.

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A van que faz o trajeto de Cartagena ao Tayrona.

Como chegar ao parque Tayrona

“A empresa MarSol opera o transfer direto de Cartagena até a entrada do Parque Tayrona, no valor de COP 60.000, a cada trecho. Existem formas mais baratas de ir, como pegar um ônibus intermunicipal até Santa Marta e, de lá, outras vias de transporte até o parque. Porém, como estava com pouco tempo, preferi pagar mais e contratar essa empresa que haviam me recomendado.

Eles ficaram de me buscar no hostel às 9h, mas, no horário, ligaram dizendo que isso não seria possível e iriam me levar de taxi até a sede da empresa, para de lá sairmos. Depois disso, tudo correu bem e cheguei à garagem da empresa. Esperei por volta de meia hora até dar o horário previsto de saída da van, às 10h.

A van era muito confortável, com capacidade para uns 20 passageiros, bancos macios, ar condicionado, e nem deu para sentir muito as seis horas de viagem. No caminho, fizemos algumas paradas estratégicas para ir ao banheiro e lanchar, mas nada que atrapalhasse o andamento da viagem.

Eles me deixaram na porta do parque por volta das 16h. Fui orientado a comprar logo a passagem de volta, visto que era época de feriado e talvez não houvesse vaga no dia seguinte. Eu – que não sou besta – não queria perder meu voo de Cartagena para Medellín em dois dias, então fiz logo a reserva.

Na entrada do parque, há policiamento de procedência duvidosa. Explico: depois de revistar nossas sacolas e – pasmem! – fazer uso de um dos perfumes que eu carregava, o policial liberou nossa passagem.

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A paisagem natural do Tayrona.

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Mapa para localização nas trilhas.

Na bilheteria, houve o estresse maior. O valor da entrada completa do parque é de COP 38.000, enquanto estudantes pagam apenas COP 8.000, o que é mais da metade de desconto. Munido da minha carteira de estudante internacional na ISIC, recebi um sonoro ‘NO’ da moça que estava na bilheteria. ‘No aceptamos esa tarjeta, señor’.

Aqui, havia um aviso dizendo que, caso a carteira estivesse vencida – o que era o meu caso –, eles só aceitariam mediante apresentação de comprovante de matrícula do ano vigente. Entretanto, mesmo mostrando o meu comprovante atualizado, não me foi concedido o benefício da meia-entrada. Eu fiquei muito chateado, pois percebi que a coisa é feita sem nenhum critério, de modo a obter o máximo de lucro dos turistas. Parecia algo como ‘se você fala inglês, naturalmente tem dinheiro, e deve pagar entrada inteira, independentemente de ser estudante ou não’. Infelizmente, essa foi a impressão que tive ao ver vários estudantes como eu, americanos, europeus, com carteiras válidas, tendo a meia-entrada recusada.

Eu me dirigi à van que nos levaria ao início da trilha, por COP 3.000, cortando uma parte desinteressante da caminhada. Recomendo que você também vá de van. Algumas pessoas caminham, mas você já vai caminhar tanto depois que, pelo preço, compensa.”

Você sabe que está na Colômbia?

“Para minha surpresa, um policial colombiano – o mesmo que usou o perfume na entrada – voltou e me abordou, quando eu já estava sentado na van. ‘Señor, sabes que estás en Colombia?’. Achei muito estranho, até descobrir o motivo da abordagem nada simpática. Faço vídeos com minha câmera fotográfica pois tenho um canal no youtube no qual coloco vídeos das minhas viagens. Então o referido policial, ao me ver filmando os animais na entrada do parque, disse que eu estava infringindo regras, que poderia ser deportado, pois isso não era permitido na Colômbia, blá, blá, blá. Ele pediu minha câmera e apagou alguns vídeos que eu tinha feito. Nem preciso dizer que senti muita raiva e não entendi o porquê daquele comportamento, mas a autoridade ali era ele, e tive de respeitar. Acredito que tenha ficado com medo de eu o ter flagrado usando perfume dos visitantes do parque, mas isso é assunto pra outro post.

Não nego que fiquei entristecido com tudo isso. Porém, ao chegar no início da trilha, não me deixei abater e segui em direção de Cabo San Juan, última praia da caminhada, onde há um camping com redário, restaurante e banheiros.

Era preciso me apressar, pois a caminhada demoraria umas duas horas e, em breve, já iria escurecer. Apressei o passo, então, sem deixar de contemplar a bela floresta em que estava. Formações rochosas, vegetação, areia fina e praias de águas calmas compõem a trilha, que alguns escolhem fazer a cavalo.

A trilha em si tem dificuldade moderada. Na parte final, há muitas subidas e descidas bem íngremes e um tanto escorregadias, mas havia pessoas de várias idades fazendo.

Poucos minutos antes de escurecer, cheguei a Cabo San Juan, onde passei a noite. As opções de hospedagem eram: dormir em rede, por COP 20.000, ou alugar uma barraca que dava para até duas pessoas, por COP 50.000. Como a diferença de preço não era grande, e pelo maior conforto, escolhi a barraca, que dividi com um amigo. Apesar de simples, para uma noite, foi uma opção confortável, oferecendo abrigo para a discreta chuva que caiu naquela noite.”

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O redário é a opção mais barata para ‘hospedagem’.

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As barracas podem ser divididas por duas pessoas.

Rede ou barraca?

“O acampamento foi um dos mais organizados em que já fiquei, com banheiros públicos, chuveiros, restaurante e lockers. Eu tinha levado minha própria comida, pois já tinha lido que os preços no restaurante não eram nada convidativos, além de a fila ser longa (o que realmente era verdade).

No dia seguinte, acordei cedo para aproveitar a manhã e a praia que estava em minha frente, sob um sol que discretamente se mostrava entre as nuvens. É uma delícia caminhar pelas praias e subir na cabana que tem uma bela vista.

Depois de curtir todo aquele visual por algumas horas, almocei e recolhi minhas sacolas da barraca para fazer o check-out e partir para a trilha de retorno. Dessa vez, as duas horas de caminhada passaram mais devagar, pois como estava com tempo, fui parando em alguns pontos para tirar fotos, fazer vídeos e contemplar o visual.

O parque tem várias praias e, em muitas delas, os turistas passam o dia. Ouvi dizer que tem até praia de nudismo, mas nem procurei me aventurar. Fica a dica para os que gostam.

Recomendo usar um tênis confortável, repelente – não tive muito problema com mosquitos, mas alguns amigos pegaram dengue e Chikungunya – e roupas confortáveis, pois você andará muito sob um sol quente.

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A vista de uma das cabanas do Parque.

Apesar de toda a jornada, o visual surpreende e a aventura de chegar ao acampamento na trilha é uma das melhores partes do passeio. No retorno, cheguei ao ponto da van com uma hora de antecedência, tempo de sobra para comprar artesanato na loja local e comer um delicioso churrasco colombiano no restaurante que fica aqui perto.

A viagem de volta foi mais longa devido a um engarrafamento em Barranquilla, o que nos manteve presos no trânsito por mais de uma hora. Depois de um dia repleto de experiências maravilhosas, voltei a Cartagena feliz e exausto.”

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SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

13 Comentários

    • Altier Moulin

      Oi Eliene,

      O turista é sempre bem recebido no país, já que os colombianos são muito calorosos, amáveis e receptivos. Apesar de pequenos inconvenientes, como os que o Luan relata neste texto, o país está de braços abertos para nos receber.

      Um abraço.

    • Estou aqui e posso te dizer que 80% do tempo nao eh bem tratado. Olha que já viajei num perrengues da vida e nunca me desiludi tanto com um pais.
      Hoje mesmo tive uma pessima experiência com a marsol, que nao eh bem porta a porta.
      Na ida avisaram de ultima hora pra ir de taxi ate a agencia que descontariam o valor. Ok , ate ai. Chegando na agência falei que iria pra cartagena. Me colocaram numa van ate barranquilla onde tive que fazer baldeação, esperar meia hora pelo menos (no horário de almoco pra judiar do ser humano) depois foi parando em pontos pelo caminho. Em cartagena mandaram descer e pegar um taxi deles que me largou 4 quadras mais distante do combinado. No taxi, haviam duas pessoas que eles falavam “ela eh muito estrangeira, nem sabe onde eh”, tipo larga ai mesmo e foda-se.
      Eles fazem isso mesmo, nao fui a unica. Haviam comentado disso de cancelar de última hora e te mandar pro taxi.

      Sinceramente, nao volto mais, pois esse foi so um exemplo do tipo: “Sim temos esse serviço”, depois de pago, mudam do nada, nao te avisam. Meu vôo pelo vivacolombia mesma situação. Eles nãoao tem consideração não.

  1. Os preços para Colombianos e não colombianos são diferentes e está escrito com letras garrafais na entrada do parque. Antes de ir, se informe das tarifas, pois do jeito que escreveu parece que quiseram te passar a perna, quando na verdade não é. Um exemplo aqui no Brasil disso é o “carioquinha”, onde pessoas que nasceram ou residem no Rio de Janeiro tem bons descontos nos principais pontos turísticos. E assim são em outros países da América, da Europa e dos outros continentes.

  2. Esqueci de mencionar: parabéns pelo relato e realmente a polícia colombiana é complicada. Quase tive problemas lá por alguns policiais tentarem me induzir a chamar outro policial de um nome que eu não sabia o que significava. Fui salvo pelo dono do Media Luna, que me puxou pra dentro do Hostel.

    Obrigado pelo relato, fez eu relembrar várias coisas boas que vivi na Colombia.

  3. Boa noite Altier,

    Gostei mto do seu post! Deu várias ideias legais pra uma viagem que estou planejando.

    Gostaria de saber se você sabe se dá pra reservar as barracas no camping do Cabo San Juan? Tenho pesquisado na internet e não estou achando um site. Foi tranquilo alugar?

    Obrigada!

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