Alasca, a última fronteira das Américas

0

Atualizado em 23 de dezembro de 2016

Imagine um lugar que não seja um destino comum para muitas pessoas. Faça um levantamento das condições climáticas nos últimos dez anos para garantir a escolha da melhor data da viagem. Antecipe as reservas visando obter bons preços e melhores localizações. Viaje mais de 20 mil quilômetros e, finalmente, chegando  a esse lugar escolha entre  ficar trancado no hotel vendo a neve cair pela janela ou desafiar o clima mesmo com um frio absurdo sobre a sua cabeça. Sim, eu estou falando do Alasca.

É assim que Luiz Ramalho e Gloriete Carnielli, um casal genuinamente aventureiro e independente, começam a descrever o seu primeiro dia no Alasca, o mais gelado estado americano que aparece muito pouco nas listas de destinos desejáveis. Em um período de 12 dias, ele viajaram de carro pelas cidades de Anchorage, Fairbanks e Coldfoot e muitos outros vilarejos.

O Alasca, essa porção de terra adquirida pelos Estados Unidos do antigo Império Russo, ainda permanece praticamente intocado. Apesar de ser o maior estado americano em extensão territorial, ele é muito pouco povoado principalmente devido ao clima com temperaturas que chegam facilmente a -50º C.

Alasca

Desde o começo, a neve anunciava que seria uma constante companheira de viagem.

Alasca

Trecho da belíssima estrada entre Anchorage e Fairbanks.

Alasca

Placa que anuncia a linha imaginária do Círculo Polar Ártico.

Nessa viagem, o casal de aventureiros teve como principal base a cidade de Anchorage, que é a porta de entrada para esse mundo gelado, além de ser a maior do Alasca. Anchorage serve de ponto de partida para Seward, de onde partem dois dos mais interessantes passeios de barco da região sul: o que faz o trajeto pela Prince William Sound, no Golfo do Alasca, que tem um visual incrível das geleiras e dos animais que habitam a região; e o passeio pelo Parque Nacional Kenai Fjords, onde eles avistaram espécies animais como baleias, leões-marinhos, gaivotas e os exóticos puffins.

Se você puder juntar o passeio da Gruta Azul, em Arraial do Cabo; com os passeios do glacial de Perito Moreno, de Bariloche e do Parque Nacional de Los Alerces, na Argentina; com qualquer outro passeio no Brasil, você vai ter uma ideia do que é o passeio pelo Kenai Fjord National Park.

Em um veloz catamarã tivemos a oportunidade de ver baleias, leões marinhos, gaivotas, papagaios marinhos, águias e muitas outras aves em profusão. Isso foi apenas uma pequena prova de que o Alasca continua selvagem

O passeio de tão lindo e de tão extenso que começa a cansar depois da quarta hora. O barco é muito confortável e vai muito longe. Mesmo assim, eu recomendo esta atividade porque vir a Seward e não fazer o passeio de barco é como ir a Roma e não ver o Papa, como diz a expressão popular”, explicam.

Alasca

Gloriete no Porto de Seward de onde partem os principais passeios de barco.

Alasca

As originais renas do Polo Norte.

Alasca

Passeio de barco: belas paisagens e muito frio.

Diferente do que acontece no restante do país e justamente pela dificuldade de adaptação do homem diante das condições climáticas locais, o povo original do Alasca resiste, mantém a sua cultura e quem chega aqui tem que se adequar aos costumes dos nativos para sobreviver.

Um símbolo dessa resistência natural é a cidade de Fairbanks – a mais importante cidade do Círculo Polar Ártico. Como nossos aventureiros dizem, até daqui você ainda tem a chance de desistir, mas se prosseguir será por risco próprio já que depois de cruzar o Círculo Polar Ártico os recursos são praticamente zero até Coldfoot.

Os primeiros 80 quilômetros da estrada até Coldfoot são maravilhosos. Com pouco tráfego, essa pista de mão dupla vai subindo e descendo serras. Quanto mais avançamos, a vegetação fica ainda mais rasteira. A neve passa a ser nossa companheira constante, as imagens cada vez mais fantásticas e as condições da estrada saem de um asfalto regular para ruim e muito ruim”, lembra o casal.

Luiz e Gloriete chegaram ao destino final estipulado para essa viagem. Viajando pouco mais de 430 quilômetros eles chegariam a Horsedead, que fica na às margens do Oceano Ártico, a um passo do Polo Norte. Prosseguir nesse caminho, segundo eles, seria arriscar a própria vida no frio extremo em uma área sem qualquer apoio ou socorro disponíveis. Afinal de contas, saber viajar é também conhecer os seus limites e compreender os desafios do ambiente onde estamos.

Alasca

Um urso pardo caminha ao lado da estrada até Coldfoot.

Alasca

Hora de parar: placa avisa sobre a impossibilidade de prosseguir.

Quando ir Alasca

Com uma variação média na temperatura que vai de 28ºC a -23ºC, a melhor época para visitar o Alasca é de maio a setembro, período que chove pouco e o sol derrete a neve que se conserva apenas no topo das cordilheiras. Mesmo no verão, prepare-se com agasalhos quentes, pois o frio pode ser grande fora da cabine aquecida dos barcos durante os passeios. Por terra, mar e ar, o Alasca oferece muitas opções e diversas atividades, principalmente ao ar livre.

Se você pensa em ir ao Alasca para ver os habitantes dos iglus, esteja pronto para se embrenhar na neve mais próxima ainda ao Polo Norte e se quiser ver as geleiras gigantescas terá que ir até a Geleira Colúmbia, o que já não é tão comum. Entretanto, se você acredita em Papai Noel, pode visitar a casa dele na cidade chamada North Pole. Trata-se de mais uma invenção de marketing e há que se ver para crer. Afinal de contas, viva a criança que ainda existe dentro de nós.

* O Luiz e a Gloriete nos contaram um pouco de sua fantástica aventura até o Alasca onde experimentaram o frio extremo em meio a uma paisagem deslumbrante. Conte-nos você também a sua história de viagem. Saiba como participar aqui.

CONPARTILHE COM SEUS AMIGOS

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

Escreva um comentário

Inline
Inline