A trilha de cachoeiras da Boca da Onça

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Atualizado em 19 de abril de 2018

Pouco depois das oito da madruga eu já estou pronto para começar mais uma trilha aqui na região de Bonito, no Mato Grosso do Sul. Hoje é dia de conhecer as cachoeiras da Boca da Onça e de mergulhar nas águas cristalinas do rio Salobra, que nasce na Serra da Bodoquena, esse conjunto de montanhas que está por onde quer que meus olhos alcancem.

Eu estou na Fazenda Boca da Onça, uma propriedade particular que há 15 anos começou a receber turistas. São mais de 2.000 hectares de mata preservada. Aqui, em quatro quilômetros de caminhada vou encontrar pelo menos dez cachoeiras, entre elas a Boca da Onça, a mais alta queda d’água do Mato Grosso do Sul, com 156 metros.

A caminhada começa tranquila e já nos primeiros metros encontro as Piscinas da Cotia. Como o nome diz, esse conjunto de cachoeiras forma pequenos tanques cristalinos. Aqui, paro apenas para admirar, já que o banho não é permitido devido à fragilidade das formações rochosas.

Em meio à natureza, a trilha avança e muitas outras cachoeiras aparecem entre as árvores: a Garganta da Arara, a da Anta e a do Jabuti antecedem o Buraco do Macaco, uma das mais interessantes do passeio.

A trilha de cachoeiras da Boca da Onça

As Piscinas da Cotia.

A trilha de cachoeiras da Boca da Onça

A Cachoeira da Anta.

A trilha de cachoeiras da Boca da Onça

O Buraco do Macaco: é possível chegar lá embaixo.

A trilha de cachoeiras da Boca da Onça

Mas é preciso passar por aqui, mergulhando.

No Buraco do Macaco você pode cruzar o paredão passando por debaixo dele. Dá para chegar ao local exato onde a cachoeira derrama suas águas. É muito sinistro e ao mesmo tempo revelador: mergulhado nessas águas transparentes vou superando o medo e vendo a beleza do lugar ao mesmo tempo.

Mas, para colocar um pouco mais de emoção nessa história, justamente na entrada do buraco – a poucos metros da minha cabeça – eu encontrei uma cobra que havia acabado de dar um bote em um morcego e que com ele ainda lutava. A coral aos poucos escorregava do penhasco em direção ao rio, justamente onde eu precisava passar. Era preciso ficar com um olho nela e tentar me concentrar para atravessar o buraco e chegar à cachoeira. Eu fui e voltei sem que nada acontecesse. Enquanto isso, a cobra ficou na peleja com o seu prato do dia. Veja as fotos aí embaixo.

A trilha de cachoeiras da Boca da Onça

A cobra e o morcego que encontrei no Buraco do Macaco.

Avançando na trilha, passo pela Caverna do Morcego, pela Cachoeira da Paca e chego à Cachoeira do Fantasma. Essa última foi a que achei mais linda. Ela tem uma cúpula natural e seu aspecto meio sombrio deixa tudo misterioso.

Ainda passo pela Cachoeira da Queixada e pelo Poço da Lontra. Na Praia da Boca da Onça é preciso caminhar até o meio do rio para ver, de longe, a maior de todas as cachoeiras. Isso era um sinal de que ela estava perto. Depois de cerca de 15 minutos de parada, caminho em direção a ela.

O tempo começa a fechar e rapidamente sou acompanhado por gotas da chuva que chega de mansinho. Antes de chegar ao ponto mais desejado, passo ainda pelo Poço da Pedra do Baú.

A trilha de cachoeiras da Boca da Onça

O belíssimo Poço da Lontra.

A trilha de cachoeiras da Boca da Onça

A escada que nos leva até a Cachoeira do Fantasma.

A trilha de cachoeiras da Boca da Onça

A misteriosa cachoeira do Fantasma.

A trilha de cachoeiras da Boca da Onça

Um mergulho no Rio Salobra.

Alguns metros de caminhada mais à frente, chego à Cachoeira Boca da Onça. Infelizmente o tempo e a chuva atrapalham um pouco o registro de sua beleza, mas mesmo assim ela se mostra magnífica.  Aqui, o curioso são as tufas. Essas formações calcárias surgem ao longo dos anos e, nessa cachoeira – como na do Fantasma –, elas formam esculturas naturais. A cachoeira tem esse nome porque suas tufas formam o que muitos dizem ser a cara de uma onça com a boca aberta.

As tufas são muito sensíveis e não é permitido nadar em áreas próximas a elas e muito menos tocá-las.

Concluída a minha jornada nas cachoeiras da Boca da Onça é hora de voltar para a sede da fazenda. Eu não vejo a hora de saborear o almoço feito no fogão à lenha que me aguarda. Porém, antes de me fartar com os sabores da roça, preciso encarar uma tenebrosa escada. São exatos 886 degraus construídos ao longo do paredão do Cânion do Rio Salobra. Sim, eu falei oitocentos e oitenta e seis degraus. Ufa!

A trilha de cachoeiras da Boca da Onça

A Cachoeira Boca da Onça.

A trilha de cachoeiras da Boca da Onça

São 886 degraus – exatamente isso – e você terá que subir todos eles.

A trilha de cachoeiras da Boca da Onça

Subo no pique, fazendo apenas duas paradas. As panturrilhas doem, mas a visão daqui de cima me relaxa. Caminho até a maior plataforma de rapel do Brasil – são 90 metros de altura. Daqui, vejo o caminho que percorri ao longo do Rio Salobra e suas águas incrivelmente azuladas.

Quase cinco horas depois da partida, estou exausto, mas extremamente satisfeito. De volta à sede da fazenda, sento-me à mesa e, inspirado por tudo o que vi, como feito uma onça.

A trilha de cachoeiras da Boca da Onça

O percurso que fiz margeando o rio visto da plataforma de rapel.

A trilha de cachoeiras da Boca da Onça

As águas cristalinas do Rio Salobra, que formam as cachoeiras da Boca da Onça.

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Quanto custa | O passeio pelas cachoeiras da Boca da Onça custa R$ 167 e inclui o seguro obrigatório, o guia e um delicioso almoço. Os grupos têm no máximo 18 pessoas e as partidas acontecem a cada 30 minutos, dependendo da quantidade de pessoas. O primeiro grupo sai às 8h. A trilha com o rapel custa R$ 360. O limite diário de visitantes na trilha é de 200 pessoas.

Todos os atrativos da região trabalham com o voucher único que é emitido exclusivamente por uma agência de turismo. Todos os preços dos passeios de Bonito são tabelados e iguais para todas as agências.

Quando ir | A melhor época para fazer a trilha de cachoeiras da Boca da Onça é entre março e maio. Nesse período as cachoeiras estão mais caudalosas e a vegetação bem verdinha. A estação chuvosa vai de dezembro a março. Nessa época, com as chuvas, os passeios podem ser desmarcados e a água do rio fica turva. A estação seca vai de maio e agosto. Nessa época os rios estão mais cristalinos e com mais peixes. Mas, esse é também um período em que podem ocorrer queimadas e a temperatura da cidade cai. É comum fazer calor durante o dia e frio à noite.

Como chegar | A fazenda Boca da Onça fica na Serra da Bodoquena, no município de Bodoquena. São 300 quilômetros de Campo Grande e 55 quilômetros de Bonito. O acesso é feito pela Rodovia MS-178 que ainda tem trechos sem calçamento. Veja mais informações de como chegar a Bonito.

O que levar | O ideal é usar tênis, calça ou bermuda de tecido leve e camiseta. Use roupa de banho caso vá entrar nas cachoeiras. Leve água, protetor solar, repelente, uma sandália, uma troca de roupa e toalha. Leve também lanches leves para comer durante o trajeto.

A trilha de cachoeiras da Boca da Onça

A piscina do Águas de Bonito.

As trilhas da Cachoeira da Onça

O meu quarto no hotel.

Onde ficar | Construído em uma agradável área verde, o Hotel Pousada Águas de Bonito é uma excelente opção para você desfrutar seus dias em Bonito. Bem pertinho do Centro – apenas 1,2 quilômetro -, ele tem uma excelente estrutura com spa, academia, restaurante e uma agência que vende todos os passeios da região. Ah, não deixe de experimentar a merenda pantaneira que é servida diariamente nos finais da tarde. Eu explico como é se hospedar no Águas de Bonito neste post.

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Minha viagem teve o patrocínio de Hotel Águas de Bonito.

SOBRE O AUTOR

Altier Moulin

Sou um jornalista que gosta de contar histórias e de extrair do cotidiano um valor que muitos não percebem. Desde menino, meu desejo era viajar pelo mundo. Já adulto, descobri que isso não era apenas um sentimento, mas um propósito de vida.

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